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Capítulo 4

Author: Wan Marte
last update Petsa ng paglalathala: 2026-09-04 09:28:00

Alexa respirou fundo, tampando os olhos, se perguntando como tudo desandou tão rápido. Se não fosse por aquela gravidez, ela teria tempo. Mas agora, a cada segundo, o feto crescia. A cada batida do relógio, a bomba ameaçava explodir, e os dois homens continuavam ali, disputando território.

​Ela se endireitou, tomando coragem. Precisava enfrentar aquilo.

​— Roderick, como você sabia que eu estava aqui? O Romeo te contou? Aliás, vocês dois... não percebem que, se eu me mantenho distante e não respondo às mensagens, é porque quero ficar sozinha?

​— Você acha mesmo que o Romeo iria me contar? — Roderick zombou, lançando um olhar de soslaio para o irmão, que nem sequer se dignou a retribuir o contato visual. — Eu sabia desde o primeiro instante em que você pisou aqui. Achei fofo esse seu jeito de fugir com raiva. Mas três dias já é demais, não acha, Alexa? Fez tudo isso só porque fui sem você ao aeroporto buscar a Amanda?

Alexa abaixou a cabeça, engolindo a própria indignação. Então ele realmente pensava que aquele isolamento era um mero ataque de ciúmes?

Mal ele sabia que de um jeito ou de outro, aquele distanciamento era porque a proximidade deles estava chegando ao fim.

​Ela sempre soube que Roderick e essa tal Amanda guardavam um passado. Ouvia os amigos dele mencionarem o nome da garota o tempo todo. Não foi surpresa alguma saber que ele correu para o aeroporto sem avisá-la.

​De repente, as mãos de Romeo pousaram firmes em seus ombros. Ele a conduziu até a cadeira e colocou uma tigela funda de macarrão bem na sua frente. O cheiro forte do molho de tomate quente atingiu o estômago de Alexa, fazendo-a dar um leve nó interno, mas ela disfarçou, mexendo na massa com o garfo, sem qualquer interesse.

Romeo sentou-se diante dela, as sobrancelhas unidas em uma linha severa. Ao lado, Roderick pegou o saco de fast-food lacrado de dentro da lixeira. Abriu-o sem o menor pudor e retirou o hambúrguer.

​— Olha o que encontrei. Ainda está quentinho... o meu favorito. Comprou pensando em mim, bebê? — Roderick acomodou-se na cadeira vizinha e cravou os dentes no sanduíche.

Alexa esboçou um sorriso autodepreciativo. O pedido daquela rede de fast-food era exatamente o que Roderick costumava comer. Era óbvio. Desde que foi inserida na família Cavaliere, raras foram as vezes em que fez algo por si mesma. Seu perfume era o que Romeo apreciava, seu pedido de delivery era o que Roderick gostava, até seu curso na faculdade seguia os passos do que Camila, a irmã mais nova, escolheu.

E ela? Ela já até tinha esquecido os seus próprios gostos.

— Não quer comer porque eu fiz? — Romeo disse, com uma expressão de desaprovação no rosto. — Quer que eu chame dona Maria para trazer algo para você comer? Eu sei que está com fome, você sempre sente muita fome.

Alexa enrolou um pouco de macarrão no garfo e comeu. 

Ela não sentiu nenhum conforto com as palavras de Romeo, aquilo não era preocupação, era costume.

Vendo a quantidade enorme de macarrão que ele fez, lhe veio uma lembrança do passado, quando ela chegou na mansão da família Cavaliere.

No primeiro dia, Franco, seu padrasto, organizou um grande jantar para os familiares para apresentar Helena e sua filha.

Tinha muita comida, olhares contrariados, um silêncio constrangedor de palavras de reprovação não ditas, mas as expressões nos rostos não dizia tudo.

Naquele clima pesado,  Alexa não iria fazer nada para chamar a atenção, ela já tinha ouvido orientações sobre isso, antes mesmo de imaginar que faria parte dessa família.

“Pessoas reparam muito nos modos à mesa, coloque pouca comida no prato.”

“Não pegue a carne, prefira os legumes e a salada, espere que ofereçam e só aceite o menor pedaço.”

 Ela mal tocou na comida. Sua barriga estava roncando, mas ela se controlou e pegou apenas um pouco de salada e comeu lentamente, disfarçando sua fome, que não era só daquele momento, era de anos antes.

Mais tarde, Helena a puxou para um canto escuro e contou que havia escondido um prato com as sobras do jantar na geladeira. Em seguida acariciou sua cabeça, elogiando seu "bom comportamento".

Na meio da madrugada, Alexa se levantou e após se certificar que não tinha ninguém nos corredores ela foi para a cozinha. Na geladeira tinha um prato enorme com tudo que foi servido no jantar.

Todo tipo de carne, carne assada, frango, torta de carne, lasanha… Na verdade, a mãe colocou mais tipos de carnes do que de outras opções.

Eram os restos, mas era muito mais do que já teve em anos.

Antes, comer carne para ela e Helena, era algo raro e esporádico.

Alexa quase chorou quando viu. Ela se sentou na mesa da cozinha e nem esquentou o prato, imediatamente começou a comer de forma selvagem, desesperada, quase emocionada.

Foi nesse momento que alguém entrou na cozinha, Romeo, sem camisa, usando apenas uma calça de moletom.

Ele a pegou bem no flagra. Ela forçou engolir o pedaço de carne em sua boca e quase se engasgou.

Mas ele aparentemente a ignorou, pegou um pouco de água e foi embora.

Alexa esperou que o que aconteceu fosse revelado no dia seguinte e toda aquela sua pose ensaiada de menina recatada que não dava trabalho, desmoronasse.

Na madrugada seguinte ela não se sentou na mesa, sentou em um canto entre os armários, escondida. Mas ele apareceu bem na sua frente e bufou ao vê-la como um animal acuado, protegendo sua comida. Não disse nada novamente e foi embora.

Na próxima vez, assim que ele a viu, ela parou de comer, guardou o prato de comida na geladeira e foi para seu quarto.

Decidiu não sair do quarto por dias seguidos, mas seu estômago roncava tanto que ela não conseguia mais disfarçar, então acabou assaltando a geladeira de madrugada mais uma vez, pensando que Romeo não iria aparecer mais, depois de dias sem vê-la. 

Ela estendeu a mão para dentro da geladeira, mas quando estava prestes a pegar o prato deixado pela mãe, uma mão atravessou sua visão e pegou primeiro.

Alexa se sentiu acuada, ninguém naquela casa gostava dela, sua mãe era tolerada, devido a proteção de Franco, mas e ela? Ela era nitidamente o elo mais fraco naquele jogo.

Naquele momento, Alexa pensou em se virar e ir embora, mas Romeo segurou seu pulso e a conduziu até a cadeira. Após colocou o prato no micro-ondas, a surpreendendo.

Após a refeição estar quente ele colocou na frente dela, dando um olhar severo em seguida, uma ordem silenciosa, e só quando ela colocou na boca a primeira garfada, ele foi embora.

A partir daí não disfarçou mais, aquilo parecia um pacto silencioso entre eles. 

Romeo parecia ter insônia ou algo parecido, pois toda madrugada aparecia para tomar água quando ela estava lá.

Em algum momento ele passou a se sentar na frente dela, como no presente, observando-a, esperando-a terminar de comer.

Um pouco do molho de macarrão caiu no canto de sua boca, enquanto ela estava distraída, perdida em seus pensamentos.

Roderick, daquele jeito debochado, amassando o hambúrguer entre seus dedos, perguntou:

— É um convite? — Alexa limpou o canto da boca rapidamente e fez outra pergunta, desviando da pergunta dele:

— Como Amanda está?

Roderick parou de sorrir e largou o hambúrguer, curvando-se em direção a ela.

— Você fica uma graça assim, mas tome cuidado para não ficar irritante.

— Assim como? Só fiz uma pergunta.

Ele se afastou, deitando as costas no encosto da cadeira.

— Amanda? Ela está bem, por que não estaria? Sobre o aeroporto, eu não te levei porque Amanda pode ser uma pessoa difícil e não sabe sobre você. Está satisfeita agora?

— Roderick, acho que está pensando demais. Eu não me importo que tenha ido sozinho encontrar a Amanda, eu acho até bom, assim vocês tiveram tempo para relembrar o passado sozinhos. Sabe, nós somos irmãos, porque eu ficaria com raiva de você por isso?

Alexa forçou um sorriso e Roderick curvou o lábio para baixo.

Ele se levantou abruptamente e a alcançou em um passo, puxando-a da cadeira e em seguida a erguendo em seus braços.

Alexa olhou instintivamente para Romeo, um pedido de ajuda no olhar, mas ele aparentemente também estava insatisfeito com o que ela disse.

Roderick a jogou para o alto, não tão alto, mas o suficiente para ajustá-la em seus braços, cravando os dedos em sua coxa e fazendo ela mesma abraçar o pescoço dele com o susto.

— Irmão? — ele bufou, rindo — Irmãos não fazem o que a gente faz. Esqueceu, não é? Então eu vou ficar feliz em te lembrar, irmãzinha. *

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