로그인Uma coisa que ninguém diz sobre guardar um segredo é que o corpo fala o que a mente quer esconder.
Nesse momento, Alexa se encolheu, sem conseguir desviar o olhar. Ela e Romeo tinham uma grande diferença de altura, a presença dele a cobria, fazendo-a se sentir ainda menor. Ela apertou a barra do short do pijama e mordeu o lábio inferior, um pouco nervosa.
— Por que acha que estou fugindo? — ela respondeu, tentando manter a compostura.
— Não respondeu minha mensagem.
— Não vi. Desculpa.
— Impossível! — ele disse e seu olhar se direcionou para o balcão.
O celular estava em cima do balcão e ele alcançou o aparelho antes mesmo que ela conseguisse se mover.
Nem precisava desbloquear o celular para ver, ele virou a tela para ela, a notificação estava na tela inicial, desmentindo sua desculpa.
Ele bufou.
— Você está me ignorando por quê?
Alexa tomou o celular da mão dele e desbloqueou o aparelho, abrindo o aplicativo de mensagem em seguida.
Estava lá:
“Está muito frio à noite. Não esqueça de regular o termostato do aquecedor.”
— Está reclamando que eu não respondi apenas uma mensagem?
Romeo franziu a testa, apoiou os dois braços no balcão, um em cada lado de Alexa, prendendo-a na frente dele.
— O que está acontecendo com você? Porque parece tão agressiva comigo?
— Romeo, isso que a gente tem… isso tem que acabar.
Alguns instantes de silêncio se fez, Romeo estudou o rosto dela e logo sua expressão mudou para uma expressão de escárnio.
— Você não tem direito de decidir quando isso acaba, irmãzinha.
Ele a ergueu de repente, colocando-a sentada em cima do balcão. Olhou em volta vendo os sacos de delivery acumulados em uma lixeira do canto e o saco de papel, ainda exalando o cheiro de comida no balcão.
— Você não anda se comportando mesmo… — ele se afastou e pegou o saco de papel com a ponta dos dedos, com os lábios retorcido.
— Que nojo! — ele disse e jogou o saco na lixeira.
— Espera! Esse era o meu jantar! — Alexa protestou, até dar de cara com o olhar penetrante de Romeo.
— Isso não é justo! — ela resmungou.“Mandão! Comer fast food não vai me engordar o que vai fazer isso é o que colocou na minha barriga.” — ela pensou com revolta.
Ele voltou a se aproximar e começou a desabotoar os botões do punho do paletó. Lentamente, sem pressa.
Alexa engoliu em seco, vendo-o se despir.
O paletó preto, com abotoaduras douradas foi dobrado metodicamente e colocado em cima do balcão, após a gravata, por fim ele começou a desabotoar a camisa branca, acetinada.
Ele estava vestido perfeitamente, não uma roupa casual, uma roupa que costumava usar para fazer negócios ou em eventos especiais.
“Onde ele estava? Ele não teve tempo de se trocar?” — ela pensou, desconfiada.
Alexa deu um sorriso auto depreciativo, sabia que aquela viagem não foi a trabalho. Assim como a mãe, ela pisava em ovos, ouvia conversas cochichadas, não por fofoca, mas por uma questão de sobrevivência.
Ela sabia que Romeo tinha ido conhecer a noiva que a avó escolheu para ele e agora ele vem aqui dizendo que ela não tinha o direito de terminar nada.
Lembrando-se disso ela se moveu, tentando descer do balcão, mas como se tivesse olhos nas costas, Romeo disse:
— Nem pense em se mover um centímetro daí, mocinha. Ou sabe-se lá o que eu posso fazer, talvez eu te deixe sem jantar e pule para a parte em que te levo lá para cima.
Alexa se encolheu, parando no lugar, odiava a autoridade de irmão mais velho que ele conseguia sobrepor sobre ela.
Romeo usando apenas uma camiseta branca fina, mexia nos armários. As linhas dos músculos dos ombros definidos, se moviam de acordo com os movimentos dos braços. Os cabelos pretos, penteados metodicamente para trás, mal se moviam, como se até assim, em uma cena cotidiana, ele poderia manter sua elegância.
Ele pegou mantimentos no armário e amarrou o avental na sua cintura. Os ombros largos e a cintura fina era uma imagem hipnotizante enquanto ele se movia, cortando legumes. Não de forma perfeita, mas de forma eficiente.
Alexa mordeu o lábio inferior, sentindo as bochechas esquentarem.
Mas logo começou a sentir os cheiros misturados, a bile subindo pela garganta, aquela ânsia de vomitar crescendo.
Se ela vomitasse ali, será que ele iria desconfiar?
Respirando fundo, ela desceu do balcão, mas ao invés de fugir, ela se aproximou. Sabia que fugir naquele momento seria pior. Até aquele momento ele não deixou de cumprir nenhuma promessa, muito menos uma promessa de levá-la para o quarto.
Alexa foi até Romeo, fez uma expressão de injustiçada e ficou ao lado dele e encostou a cabeça em seu braço.
— Eu não disse para você não se mover? — ele disse, virando o olhar para ela.
— É que eu não gosto disso. — ela apontou para a cenoura e fez um biquinho em seguida.
— Como? Você costuma devorar uma travessa inteira de salada com cenoura.
— E-eu não gosto mais. — ela respondeu, com um olhar de pena.
Ele respirou fundo e empurrou as cenouras para o lado.
Alexa queria colocar um limite, mas seu corpo dizia o contrário, não conseguia resistir a se aproximar e sentir o calor que emanava dele, quando via aquele homem tão frio e composto cozinhando para ela.
O molho borbulhava na panela, um cheiro suave de temperos invadia o ar. Romeo pegou um pouco de molho e assoprou na frente dela. Alexa sorriu, sentindo o ar quente soprado fazer cócegas em seu nariz.
Romeo parou, ficou olhando para ela por alguns segundos, sua expressão fria se derretendo, a orelha ficando levemente vermelha e ao invés de levar a colher aos lábios dela, ele levou sua boca pegando-a de surpresa.
Alexa prendeu o ar, sentindo a língua dele invadir sua boca, seu corpo amolecer só com um toque da mão dele em sua cintura.
Tudo pareceu silencioso demais, imerso demais, íntimo demais e nesse momento, errado demais.
Ela não iria terminar tudo? É agora estava ali, agarrada a um beijo dele.
Alexa o empurrou de leve, não afastando completamente, mas o suficiente para seus lábios se separarem. Ela abaixou a cabeça, evitando o olhar.
— Romeo, a gente tem que parar com isso.
— Parar? Só porque eu cheguei?
Alexa agora empurrou Romeo mais forte até se afastarem alguns passos. Olhos arregalados, coração acelerado, engoliu em seco e esqueceu de respirar por um segundo.
Roderick estava encostado no batente da porta, com os braços cruzados observando os dois.
Ele exibia um sorriso preguiçoso nos lábios, cabelos na altura da orelha, mechas caindo na testa. Usava uma jaqueta preta de couro, por baixo uma blusa preta gola V e uma corrente grossa de prata no pescoço.
Ele era o oposto perfeito de Romeo, seu olhar percorria a figura acuada de Alexa sem nenhuma hesitação.
— Olhe para mim! — Romeo disse de repente, pegando em seu queixo e virando o rosto dela para ele. — Experimenta. — ele disse, enfiando a colher com o molho.
Sua garganta fechou, ela estava tão nervosa que deixou um pouco de molho cair pelos cantos.
O sorriso de Roderick se alargou, ele tirou a jaqueta de couro e jogou displicentemente em uma fruteira próxima.
Seus passos eram lentos, displicentes, mas ao mesmo tempo tão opressivos quanto os de Romeo.
Alexa segurou firmemente na borda do balcão, deitando o corpo para trás quando ele estava de frente para ela. Ainda mais invasivo com suas botas militares entre as pernas dela.
Ele passou o polegar no canto de seus lábios e após levou até a boca. Passou a língua levemente pelo polegar, com aquele sorriso perigosamente atraente e disse em seguida:
— Hmmm, eu gostei… Será que é o suficiente para dois dividirem?
Alexa não conseguiu responder, estava hiperventilando, vendo todo seu plano de acabar e tudo escapar pelos seus dedos. Só com aquele olhar que lhe deixava sem reação.
Roderick era selvagem, impulsivo, como conversar seriamente com ele?
Nesse momento, Romeo empurrou Roderick e puxou Alexa para os seus braços.
— Peça um delivery, não fiz o suficiente para você!
Roderick sorriu, olhos fixos em Alexa.
— Você sabe que eu não estava falando de comida, não é pequena fugitiva?
Naquela época, Alexa pensou que tudo bem, que teria tempo de sobra para decidir seu futuro. No fundo, ela encontrava um conforto estranho naquele jeito superprotetor e controlador deles. Era como se estivesse recuperando uma fase perdida, a fase de poder não ter preocupações futuras por saber que existia alguém zelando por ela.Para ajudar a mãe, ela precisou aprender a ser responsável cedo demais. Ela simplesmente pulou etapas da infância.Sua amizade com Bianca, por exemplo, não começou por causa de alguma sintonia mágica ou afinidade natural. Foi algo friamente calculado. Para Alexa, aquela aproximação foi a oportunidade perfeita de conseguir um lar seguro e acolhedor para passar os dias, permitindo que sua mãe trabalhasse sem aquela preocupação constante no peito.Seu jeito quieto, comedido e obedie
Enquanto Roderick estava na sala de cirurgia, Alexa andava de um lado para o outro pelo corredor frio do hospital. Suas unhas já tinham ido embora há tempos. O estalar de uma porta chamou sua atenção: uma enfermeira saiu correndo de dentro do centro cirúrgico, com o semblante tenso. Alexa deu um passo à frente, o coração disparando.— O que aconteceu? Ele está bem?— Vamos precisar de uma transfusão de sangue de emergência! — a mulher respondeu rápido, sem parar de andar.Alexa sentiu o rosto empalidecer. Transfusão? Então era muito mais grave do que ela tinha imaginado. Com as mãos trêmulas, ela pegou o celular e buscou o número que precisava... o de sua mãe. Mas hesitou com o dedo parado sobre o botão de chamar.Fechou os olhos, imaginando imediatamente a expressão de decepção no rosto de sua mãe. Toda a verdade viria à tona. Ela conseguia prever cada questionamento, cada acusação que sofreria: “Por que você viajou escondida só com garotos?”, “Você é a culpada por ele ter sido e
Alexa viu a garota se afastar com um sorriso presunçoso no rosto e apenas bufou, entediada. Ela já conhecia garotas daquele tipo, tanto da época em que estudava na escola pública quanto depois que se transferiu para o colégio de elite, logo que sua mãe se casou com Franco. Eram todas iguais: competitivas, movidas a validação masculina e tentando se sobressair humilhando quem elas julgavam ser mais fraco.Alexa olhou para as chaves em sua mão, pensando que seria satisfatório ver alguém assim quebrando a cara. Na verdade, ela nem queria a moto e pouco se importava se a garota ficasse se insinuando para Roderick bem ali na sua frente. Para ela, aquilo só provava que estava certa: era o tipo de pessoa que não tinha nada para mostrar além do corpo. Mas, se ela queria um desafio, ok. Não que Alexa confiasse cem por cento em Roderick, mas existiam muitas variáveis que impediriam o plano daquela garota de dar certo.Roderick não era apenas louco por motos; ele era obcecado pela mecânica
Imediatamente, Alexa deu um pulo para trás, afastando-se de Romeo em um sobressalto.— Roderick! Não é o que você está pensando... É perfume... É só perfume...Romeo, no entanto, olhou para o irmão sem se abalar nem um pouco. Em um tom que beirava a provocação pura, ele comentou:— O cheiro do perfume do pescoço dela é especialmente delicioso. Principalmente quando ela fica muito... agitada.Roderick retorceu o nariz e curvou os lábios em um claro sinal de desagrado.— Alexa, preciso da sua ajuda com uma coisa. Você vem ou está... muito ocupada?— Não! Eu vou! Eu te ajudo! — Alexa respondeu rapidamente, correndo até Roderick. Ela se sentia extremamente aliviada por ter uma oportunidade de fugir daquele quarto. Sabia que só mais um segundo ali e tudo teria saído do controle mais uma vez....Roderick a levou até a garagem. Dentro do carro, onde estavam apenas os dois, um silêncio constrangedor se instalou enquanto ele batucava os dedos no volante de forma impaciente e constante
De volta à casa de praia, Alexa se viu sentada na cama. À sua frente estava a mala aberta e, ao lado, aquela sacolinha da farmácia — o rastro físico que não a deixava esquecer tudo o que tinha acontecido naquela manhã.Romeo estava na varanda do quarto. Usando apenas uma toalha enrolada na cintura, ele fumava enquanto olhava para baixo. Lá embaixo, a jacuzzi começava a encher. O dia já dava os primeiros sinais do entardecer e era claro que todos tinham planos para aquela noite. Todos, menos Alexa.Ela sentiu as bochechas esquentarem, pensando que talvez ficasse novamente sozinha com Romeo. Será que ele esperava que ela dividisse a jacuzzi com ele? E aquela promessa de que nada mais aconteceria entre eles, duraria para sempre?Alexa olhou para a silhueta do pacote de preservativos por cima da sacola da farmácia e balançou a cabeça, tentando de tudo para expulsar aqueles pensamentos da mente. Imediatamente, guardou a sacola em uma gaveta da mesa de cabeceira e voltou a mexer em sua
Algum tempo depois, Alexa desceu as escadas com Romeo a alguns passos atrás de si.A sala de estar estava impecavelmente arrumada; não havia mais nenhum vestígio das garrafas de cerveja ou da bagunça da noite anterior. O ambiente agora exalava um aroma perfumado de produto de limpeza, bem diferente daquele cheiro de local fechado que ela sentira ao chegar. Alexa estranhou a mudança rápida, até ver, em um canto do cômodo, uma senhora simpática acenando para ela. Foi então que se lembrou de que Romeo havia mencionado que contratou alguém para limpar a casa.Ela seguiu o som das vozes e chegou à cozinha, onde os rapazes conversavam entre risadas, brincando e provocando uns aos outros.— Finalmente vocês dois resolveram levantar! Parece até que saíram com a gente ontem à noite. Ou será que acharam uma diversão melhor?— um dos amigos brincou, assim que os viu entrar.Alexa abaixou a cabeça imediatamente, sentindo o rosto queimar de constrangimento. Uma onda de insegurança a atingiu; el







