LOGINEla tinha dois meses antes da barriga aparecer e todo o segredo que a colocaria no holofote dos julgamentos vir a tona. Sua mãe queria casar ela com um desconhecido para esconder a gravidez, ela queria fugir e tomar as rédeas de seu próprio de destino e seus dois irmãos... eles não iriam deixar nenhuma das duas coisas acontecerem. Quando Alexa foi introduzida a família Cavalleire, ela tinha apenas uma missão: ser a filha perfeita, manter as aparências e proteger o status que sua mãe tanto lutou para conquistar. Ela só não esperava que, sob o teto daquela mansão impecável, se tornaria o objeto de desejo dos seus dois irmãos postiços. Eles são o oposto de tudo o que ela deveria querer: um executivo implacável e frio, e um herdeiro rebelde que não segue regras. Entre jogos de poder, sedução e noites de pura inconsequência, uma linha perigosa foi cruzada. Agora, Alexa está grávida, sua mãe a promete em casamento a um herdeiro milionário, a quem ela não ama. Mas forçar esse casamento de fachada será um jogo perigoso. Dividida entre a culpa de enganar um noivo inocente e a possessividade feroz dos verdadeiros pais do seu bebê, Alexa descobre que os seus irmãos postiços não têm nenhuma intenção de deixá-la ir.
View MoreExiste uma razão para Alexa desejar que a porta daquele consultório nunca se abrisse, mas a maçaneta girou e o médico entrou com um envelope na mão. Aquele envelope não era o resultado de um exame qualquer, era praticamente uma bomba relógio, capaz de mudar sua vida e abalar os pilares da família Cavaliere.
Alexa teve um reflexo de se levantar, mas sua mãe foi mais rápida, arrancou os papéis dos exames das mãos dele antes mesmo que ele dissesse alguma coisa.
Helena folheou rápido, ignorando as primeiras páginas, os olhos se mexendo rapidamente procurando o parágrafo decisivo.
Alexa estava com os olhos vidrados, prendendo a respiração, as mãos suadas, que manchavam o tecido azul celeste do vestido.
“Vai dar negativo! Negativo!” — ela repetia para si mesma em um desespero silencioso.
A resposta veio logo, não do jeito que ela queria, mas com um estalo e marcas vermelhas de dedo na face.
Alexa passou a mão pelo rosto, sem reação. Era a primeira vez que sua mãe lhe batia e era a primeira vez que ela via tanta decepção em seu olhar.
— Você está grávida!
Helena, aquela mulher que costumava agir tão composta gritou, deixando toda sua postura derreter.
Alexa sentiu seus olhos arderem, as lágrimas se acumulavam, mas ela engoliu em seco, forçando as lágrimas para dentro, a maquiagem poderia borrar, alguém poderia perguntar o motivo e… se alguém desconfiasse?
E a pergunta mais importante, o que ela faria quando descobrissem quem era o pai do bebê?
— Saia daqui! Nos deixe a sós! — Helena gritou para o médico.
O médico ameaçou protestar, mas o olhar fulminante daquela mulher não deu dúvidas, acabou o papel dele naquele momento.
Helena esperou alguns segundos até ter certeza que os corredores estavam vazios e trancou a porta.
Ela respirou fundo e tentou voltar a sua postura habitual.
Elegante.
Cabelos em um penteado perfeito.
Maquiagem impecável e aquela expressão no rosto, quente, simpática, enérgica, que costumava conquistar a todos.
Helena puxou de sua bolsa um pequeno lenço, se curvou e começou a enxugar carinhosamente as lágrimas que se acumulavam nos cantos dos olhos de filha.
— Olha o que você me fez fazer? — ela acariciou o rosto de Alexa, com uma expressão de pena.
Suas palavras saiam em um tom doce, mas lhe lembrava tudo que estava em jogo. Não era só uma gravidez, era um risco para a vida que conquistaram.
— Você sabe o quanto eu lutei para dar uma vida melhor para nós? Lembra do cheiro do esgoto a céu aberto? As noites que não conseguíamos dormir com medo de invadirem nosso barraco? Lembra dos ratos? Da cara de nojo das pessoas que olhavam para nós?
Alexa balançou a cabeça em positivo, como ela podia esquecer? Para aquele cheiro não havia perfume caro no mundo que a fizesse esquecer.
Helena andou de um lado para o outro, ela não estava mais com raiva, ela estava planejando, maquinando novas ideias…
Como poderia resolver aquilo sem destruir tudo o que conquistou?
Como proteger o status que conquistou sem sacrificar sua filha?
— Quem é o pai do bebê?
Ela perguntou de repente e Alexa desviou o olhar.
Nesse momento podia sentir, a voz dele profunda, ao pé do ouvido, o cheiro, o aperto… ela ajeitou a roupa, lembrando que na noite passada estiveram juntos, mas é agora? E agora como esse segredo poderia continuar?
Sem conseguir olhar nos olhos da mãe ela abriu a boca.
— O pai é… o pai…— ela não conseguia dizer. — É alguém sem importância…
— Alguém sem importância? É só o que consegue dizer? Alexa, eu estou tentando resolver as coisas aqui e você não quer colaborar?
— Mãe, saber quem é o pai é tão importante assim? O pai provavelmente não vai querer esse bebê.
— Meu Deus, Alexa! Eu pensei que você tinha alguma responsabilidade. Porque não ficou sempre ao lado dos seus irmãos? Eu sempre te disse, fica ao lado deles e não dê atenção para mais ninguém.
Alexa abaixou os olhos novamente, mordendo o lábio inferior.
“Seus irmãos? Mãe eu nunca saí de perto de meus irmãos e mesmo que eu quisesse, eles nunca deixaram.”
— Olha, será que a gente pode marcar um procedimento… — Alexa perguntou, com a voz trêmula.
— Não! — Helena correu para cobrir a boca da filha — Essas coisas prejudicam a saúde da mulher! Eu nunca permitiria que você se machucasse!
Helena se afastou, adotando uma postura calculada e continuou:
— E sem contar que, essas coisas ficam marcadas em seu histórico médico. Como vai explicar isso quando estiver casada em uma família de prestígio? Não podemos arriscar seu futuro.
Alexa olhou para as mãos, pensando que sabia que a mãe queria o melhor para ela. Mas ela já viu muito daquelas famílias da alta sociedade, por fora o cheiro era de perfume francês mas por dentro havia uma podridão que ela já estava cansada de ter que ignorar.
— Mãe, isso foi repentino! Um bebê? O que eu vou fazer com um bebê? Eu nem nunca segurei um bebê nos braços! Eu não estou preparada.
— Essas coisas você aprende. E vai fazer o que eu digo. Vamos conseguir superar mais esse obstáculo juntas.
Helena se levantou, enxugou as lágrimas que brigavam para sair no canto de seus olhos.
Helena não chorava, aprendeu há muito tempo que lágrimas não resolviam nada, só a ação.
Ela olhou para a barriga lisa de Alexa, dois meses, o tempo estava correndo e era imprevisível.
Ela tinha que agir.
Ela conseguiu casar com um bilionário, mas sua posição nunca foi segura, a sogra estava sempre vigiando, buscando uma falha, um motivo para chutar elas da família.
Helena sabia, se aquela velha descobrir essa gravidez não vai descansar até conseguir se livrar das duas no mesmo instante.
Não. Ela não podia deixar isso acontecer.
Helena se aproximou da janela, olhos fixos no horizonte, seus dedos tamborilavam no vidro, fazendo um som constante e irritante.
— Como isso pode acontecer, meu Deus! Os seus irmãos viram alguma coisa?
Alexa se encolheu e balançou a cabeça em negativo rapidamente.
— Ótimo! Então eles não desconfiam, ninguém da família desconfia.
— Mãe, eu posso ir embora. Não vou atrapalhar sua vida.
— Está louca? Acha que ninguém vai perguntar porque você sumiu? E essa criança? Como vai esconder? Não. Você não pode sair do meu lado, só eu posso te proteger.
Helena voltou a andar de um lado para o outro deixando Alexa mais nervosa.
“Uma gravidez?” Enquanto isso Alexa pensava em pânico, “Meu Deus, as coisas foram longe demais… não deveria ter me descuidado. E agora?”
— Eu já sei! — Helena disse de repente, parando de andar abruptamente — Hoje mesmo eu vou falar com o seu padrasto. Um bebê é uma benção de qualquer maneira e não importa quem é o pai, o que importa é o sobrenome que essa criança vai carregar.
— Mãe o que você quer dizer com isso?
Alexa olhou para o rosto da mãe confusa e assustada ao mesmo tempo.
Helena a olhava de volta daquela forma carinhosa e orgulhosa.
Em outro momento aquela expressão traria conforto a filha, mas naquele momento lhe trouxe arrepios.
— Alexa, com 23 anos, já está na hora de se casar, não acha?
— O quê? Casar?
Alexa sentiu o mundo embaixo de seus pés girar rápido demais. O que seria dela agora? E com quem sua mãe pretendia casá-la? E o mais importante, como os pais de seu filho reagiriam?
Enquanto Roderick estava na sala de cirurgia, Alexa andava de um lado para o outro pelo corredor frio do hospital. Suas unhas já tinham ido embora há tempos. O estalar de uma porta chamou sua atenção: uma enfermeira saiu correndo de dentro do centro cirúrgico, com o semblante tenso. Alexa deu um passo à frente, o coração disparando.— O que aconteceu? Ele está bem?— Vamos precisar de uma transfusão de sangue de emergência! — a mulher respondeu rápido, sem parar de andar.Alexa sentiu o rosto empalidecer. Transfusão? Então era muito mais grave do que ela tinha imaginado. Com as mãos trêmulas, ela pegou o celular e buscou o número que precisava... o de sua mãe. Mas hesitou com o dedo parado sobre o botão de chamar.Fechou os olhos, imaginando imediatamente a expressão de decepção no rosto de sua mãe. Toda a verdade viria à tona. Ela conseguia prever cada questionamento, cada acusação que sofreria: “Por que você viajou escondida só com garotos?”, “Você é a culpada por ele ter sido e
Alexa viu a garota se afastar com um sorriso presunçoso no rosto e apenas bufou, entediada. Ela já conhecia garotas daquele tipo, tanto da época em que estudava na escola pública quanto depois que se transferiu para o colégio de elite, logo que sua mãe se casou com Franco. Eram todas iguais: competitivas, movidas a validação masculina e tentando se sobressair humilhando quem elas julgavam ser mais fraco.Alexa olhou para as chaves em sua mão, pensando que seria satisfatório ver alguém assim quebrando a cara. Na verdade, ela nem queria a moto e pouco se importava se a garota ficasse se insinuando para Roderick bem ali na sua frente. Para ela, aquilo só provava que estava certa: era o tipo de pessoa que não tinha nada para mostrar além do corpo. Mas, se ela queria um desafio, ok. Não que Alexa confiasse cem por cento em Roderick, mas existiam muitas variáveis que impediriam o plano daquela garota de dar certo.Roderick não era apenas louco por motos; ele era obcecado pela mecânica
Imediatamente, Alexa deu um pulo para trás, afastando-se de Romeo em um sobressalto.— Roderick! Não é o que você está pensando... É perfume... É só perfume...Romeo, no entanto, olhou para o irmão sem se abalar nem um pouco. Em um tom que beirava a provocação pura, ele comentou:— O cheiro do perfume do pescoço dela é especialmente delicioso. Principalmente quando ela fica muito... agitada.Roderick retorceu o nariz e curvou os lábios em um claro sinal de desagrado.— Alexa, preciso da sua ajuda com uma coisa. Você vem ou está... muito ocupada?— Não! Eu vou! Eu te ajudo! — Alexa respondeu rapidamente, correndo até Roderick. Ela se sentia extremamente aliviada por ter uma oportunidade de fugir daquele quarto. Sabia que só mais um segundo ali e tudo teria saído do controle mais uma vez....Roderick a levou até a garagem. Dentro do carro, onde estavam apenas os dois, um silêncio constrangedor se instalou enquanto ele batucava os dedos no volante de forma impaciente e constante
De volta à casa de praia, Alexa se viu sentada na cama. À sua frente estava a mala aberta e, ao lado, aquela sacolinha da farmácia — o rastro físico que não a deixava esquecer tudo o que tinha acontecido naquela manhã.Romeo estava na varanda do quarto. Usando apenas uma toalha enrolada na cintura, ele fumava enquanto olhava para baixo. Lá embaixo, a jacuzzi começava a encher. O dia já dava os primeiros sinais do entardecer e era claro que todos tinham planos para aquela noite. Todos, menos Alexa.Ela sentiu as bochechas esquentarem, pensando que talvez ficasse novamente sozinha com Romeo. Será que ele esperava que ela dividisse a jacuzzi com ele? E aquela promessa de que nada mais aconteceria entre eles, duraria para sempre?Alexa olhou para a silhueta do pacote de preservativos por cima da sacola da farmácia e balançou a cabeça, tentando de tudo para expulsar aqueles pensamentos da mente. Imediatamente, guardou a sacola em uma gaveta da mesa de cabeceira e voltou a mexer em sua


















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