Mag-log inO diafragma certamente foi esmagado com aquele golpe, ele não conseguiria falar ou respirar normalmente por um tempo. Mas Eros sorriu malignamente.— O que acha de pensar um pouco antes de falar da minha mulher de novo?Renato ofegou sofregamente, a boca sufocando em sangue quente.Eros soltou sua cabeça e estalou os dedos. Um de seus homens surgiu imediatamente.- Leve ele de volta.Saiu do escritório e caminhou tranquilamente para fora. Lucas o esperava segundo uma pasta com documentos da Atikos. Havia uma gravidade diferente em seu rosto, como se já soubesse que Eros não estava apenas conduzindo uma confissão de Renato e Jhenifer, mas cruzando um limite que precisava ser formalmente separado da empresa.— Os advogados estão em linha, como me pediu. — Lucas disse. — O conselho também pode ser acionado em uma hora.Eros pegou a pasta.Dentro estavam os documentos que pediu durante a madrugada quando soube que os desgraçados morderam a isca.Se tratava do afastamento temporário da pre
Eros olhou para o galpão.— Agora vamos descobrir até que ponto vai a lealdade dos irmãos incestuosos.Lucas o encarou por alguns segundos.— Você não pretende só arrancar confissão, vai fazer um destruir o outro.Eros voltou os olhos para o sobrinho.— Eles já se destruíram. Eu apenas vou extrair a verdade.Renato foi levado para uma sala de paredes nuas onde antes funcionou algum tipo de escritório técnico da fábrica. Jhenifer ficou em outro galpão menor, do lado oposto da propriedade, sem saber a distância exata, sem saber quem estava falando primeiro, sem saber o que o outro entregaria para salvar a própria pele.Essa era a primeira rachadura, por enquanto, não precisavam de dor física. Pessoas culpadas tinham uma capacidade impressionante de torturar a si mesmas quando ficavam sozinhas com a possibilidade de traição e incerteza do que estava por vir.Eros entrou na primeira sala sem pressa, acompanhado apenas por Jhones e por uma câmera posicionada em ângulo limpo, com captação d
Eros sustentou o olhar dele.— Ela nunca foi sua, idiota.A resposta simples pareceu atingi-lo mais do que uma explicação longa. Renato abriu a boca, fechou, depois riu com uma amargura inútil.— Você acha que é diferente de mim? Acha que é melhor que eu só porque é rico?A pergunta atravessou o quarto, pesada, nojenta, cuidadosamente escolhida para ferir. Eros sentiu, por um segundo, o eco nefasto que o perseguia desde que começou a tomar decisões por Lua em nome da proteção dela.Sentiu a sombra da comparação tentando se insinuar.Renato controlava, prendia, manipulava, chamava posse de cuidado. E ele conhecia o perigo de um homem poderoso demais acreditar que sua vontade bastava para definir o destino de uma mulherMas havia uma diferença que Renato jamais entenderia.Lua podia odiá-lo, enfrentá-lo, deixá-lo, e ele sofreria, talvez destruísse metade do mundo para suportar, mas não a obrigaria a voltar. Ela era livre para ir ou ficar.Renato, diante da liberdade dela, havia consumid
ErosA fúria que sentia pelos dois desgraçados a sua frente, já havia ultrapassado, havia muito tempo o estágio vulgar dos homens que perdiam o controle para parecer perigosos.Gritos eram recursos de quem precisava provar força a alguém.Sua ira estava em outro lugar, mais fundo, mais frio e muito mais letal do que o impulso imediato de quebrar ossos ou pintar paredes com sangue quente.Com uma calma absoluta observou Jhenifer ajoelhada no tapete, o braço torcido atrás das costas por um dos seus homens, o rosto deformado por ódio e humilhação, e Renato imobilizado contra a parede, respirando com dificuldade, os olhos faiscando na direção dele como os de um animal que finalmente compreendia ter entrado sozinho no matadouro.A lâmina caída no chão ainda brilhava com sangue.“Mas não é o sangue da minha mulher!” Foi esse pensamento que o manteve inteiro, composto e firme.Clara, a investigadora que aceitou servir de isca, recebia atendimento no corredor, pálida, com um curativo improvis
Renato olhou para a mulher presa contra a parede, avançou rapidamente segurando Jhenifer com força. A peruca deslocada deslizou um pouco mais para o rosto que não era de Lua, e seu maxilar endureceu.— Essa não é a Lua, porra!— Eu sei disso, mas agora não faz a menor diferença! Ela pode nos denunciar!— Foi você quem a atacou, e não eu!Jhenifer riu, um som quebrado, histérico, carregado de veneno.— Olha só que bonito. Até quando não é ela, você se acovarda! É UM FRACO, RENATO!Renato a segurou mais firme, tentando faze-la soltar a faca ensanguentada.— Você vai estragar tudo, se fizer isso. Pare e pense um momento, Jheny!— Eu? — Jhenifer cuspiu a palavra. — Eu estraguei tudo? Eu limpei suas sujeiras por anos, Renato. Eu menti por você, cobri seus buracos, ouvi aquela idiota chorar enquanto você fingia que fodia ela para castiga-la, mas na verdade era daquilo que você gostava. Ver aquela puta imunda chorando e suplicando para você parar, era o que te dava prazer! – ela gritou com o
O corredor lateral cheirava a tinta recente e umidade. A cozinha estava quase escura, iluminada apenas por uma luz sob o armário, e tudo ali parecia cuidadosamente organizado demais para uma mulher em fuga.Uma xícara no escorredor, um prato limpo, um pano dobrado, uma garrafa térmica. Havia sinais de presença, mas não de vida verdadeira. Jhenifer não percebeu esse detalhe de imediato; estava ocupada demais ouvindo o próprio sangue.Subiu a escada devagar.Cada degrau rangeu menos do que deveria.Lá em cima, a porta do quarto estava entreaberta.E a mulher estava de costas para ela.Cabelos platinados caindo sobre o cardigan, ombros levemente curvados, corpo baixo e cheio o bastante para confirmar a ilusão. Jhenifer viu uma mala aberta sobre a cama, uma blusa clara dobrada, um par de óculos sobre o criado-mudo. A cena inteira parecia uma provocação.A fugitiva instalada com conforto. A acusada protegida. A amante escondida por um dos homens mais poderosos do mundo.— Você sempre cai d







