LOGINLua foi abandonada no altar pelo homem em quem confiou, sob risadas cruéis, aprendeu que para todos, sempre seria apenas a feia. Durante anos, ela foi manipulada e torturada por esse homem. Renato Brandão, o tenente que a manteve aprisionada em uma relação marcada pelo medo e pela violência. Escapar se tornou sua única chance de continuar viva. Sozinha, sem teto e lutando para sobreviver, Lua foi acolhida por Lucas Bitencourt, e passa a trabalhar como faxineira para reconstruir a própria vida. Até Renato encontrá-la. Ele querlevá-la de volta para o inferno. Desesperada, Lua pede a Lucas, seu chefe, melhor amigo e único porto seguro. Ela pede ele finja ser seu noivo. Mas ele recusa a proposta. Ferida, humilhada e embriagada, Lua o procura para confrontá-lo e entra no quarto errado. Na escuridão, porém, encontra um desconhecido. Entre lágrimas, desejo e uma atração incontrolável, ela se entrega a uma única noite apaixonante. Ao amanhecer, descobre que não esteve nos braços de Lucas. Ela dormiu com Eros Bitencourt, o tio dele. Um bilionário frio e temido, que controla pessoas, negócios com a mesma precisão impiedosa. Mas a faxineira que entrou por engano em seu quarto desperta nele desejo, curiosidade e uma perigosa perda de controle. Quando descobre que Lua precisa de um noivo, Eros elabora um plano perfeito para conter uma ameaça ao seu império, e decide tomar o lugar do sobrinho, oferecendo-lhe um contrato de noivado. Para Lua, aceitar significa proteção contra Renato. Para Eros, significa transformar uma mulher desacreditada por todos na peça principal de seu jogo. Mas, quando a mentira começa a arder como verdade, Eros descobre que proteger Lua deixou de ser parte do acordo. E Lua percebe que o homem mais perigoso para seu coração pode ser o único capaz de enfrentar aquele que jurou destruí-la.
View MoreSeus passos trôpegos a levaram pelo corredor iluminado com luz suave, estava tudo meio embaçado, em algum momento na cozinha, perdeu os óculos grossos. Lua levantou o rosto haviam duas portas?
Quando foi que colocaram outra porta ali?
A dele era da direita... se lembrava bem...
Tinha que ser.
- Você vai ver uma coisa, Lucas.... Biten..court...– Ela resmungou arrastado. – Achei que você era diferente...- um soluço entrecortado. – Mas...você também me acha uma feia repulsiva...
Ela cambaleou, caiu, e se levantou se segurando na parede. A porta de madeira lustrosa e escura estava bem ali na frente, só tinha que entrar e dizer umas verdades para aquele idiota mulherengo cafajeste e sem vergonha.
A mão molhada girou a maçaneta, e ela praticamente caiu no carpete do quarto frio, muito mais fria que o restante da casa.
- Que porcaria...está gelado demais aqui... – Praguejou, engatinhando no chão, tentando encontrá-lo através dos sapatos caros lustrosos. – Onde você tá? Eu preciso ... ver você...me dizer isso...– ela disse, mal enxergando sob a meia luz do ambiente. – na...minha cara...
O perfume que a atingiu não era o habitual de Lucas.
Era mais intenso, extremamente masculino, perigoso. Madeira, couro, com uma nota picante que fez seu corpo inteiro arrepiar de um jeito estranho.
Mas Lua estava bêbada demais para entender aquilo.
Por que estava tão escuro?
Lucas tinha virado um vampiro por acaso?!
Um vulto se moveu perto da janela.
- Deve estar se escondendo de mim depois da.... da... resposta covarde que me ...deu...hic... hic…
Passos lentos, silenciosos, se aproximaram. Ela riu debilmente, batendo o punho no chão.
- Você acha que eu não sei que sou feia, que não sente atração por ...mim .... Não te pedi.... – As lágrimas transbordaram como um rio, pingando em seu uniforme de faxineira da companhia Atikos. Ela nem mesmo o tirou depois de chegar do trabalho. – ...não te pedi...para casar comigo de verdade... Só pedi que fingisse...
Os sapatos caros surgiram diante dela, Lua segurou nas pernas de uma poltrona de couro, tentando se levantar, mas seu corpo estava mais pesado que o normal, e aquela dor atravessava em seu peito de um jeito devastador.
As lágrimas transbordaram como um rio, pingando em seu uniforme largo e folgado de faxineira da companhia Atikos. Ela nem mesmo o tirou depois de chegar do trabalho.
Que ironia...
Até para implorar por ajuda, ela parecia apenas o que sempre foi, a funcionária apagada, a amiga sem graça, a mulher que ninguém escolheria primeiro.
Os sapatos masculinos surgiram diante dela.
Ela tentou se levantar, segurando na perna de uma poltrona, mas o corpo pesava como chumbo.
- Você deve ...ter..... rido de mim à beça quando....te pedi.... – Ela viu a figura masculina se abaixar diante dela, escura demais para que fosse capaz de reconhecer os traços atraentes de Lucas. – Sou tão .... repugnante.... que...você nem mesmo .... foi capaz de.... hic,hic... de dizer NÃO na minha ....cara.
A figura se inclinou, sua sobra cobrindo Lua em escuridão completa. O perfume diferente, intenso demais a atingiu, a surpreendendo.
Ele ia sair com alguma garota nova, certamente. Por isso estava com esse cheiro delirante.
Ela riu alto de sua própria estupidez.
Estava tudo confuso. Embaçado, distorcido.
Suas mãos buscaram o rosto bonito, mas encontrou um peito largo, frio e duro, ela pegou a gravata e a agarrou de uma vez para se equilibrar, ou quase.
- Eu devo estar atrapalhando.... o todo poderoso.... Deve ter alguma garota linda esperando por você, não é? – ela disse, amargamente. – Por que não diz .... hic, hic...nada?! – ela grita revoltada.
Mãos enormes, rígidas, a segurou pelos ombros firmemente, a levantando do chão com uma facilidade absurda. Lua aperta os olhos, tentando ver a expressão de Lucas Bitencourt. Mas ele está muito alto, está muito escuro, e para piorar, ela não consegue ver um palmo à sua frente.
A presença dele parecia ocupar todo o quarto, todo o ar, todo o espaço à sua volta.
Aquele cheiro.... aquela presença.... ela não consegue mais reprimir seus impulsos, e agarra a camisa dele, o abraçando.
Seus soluços entrecortados abafados pelo peito duro feito de concreto.
- O que faz aqui? – perguntou uma voz grave, baixa, gélida.
As mesmas mãos firmes seguraram o rosto dela. Lua se sentiu observada, e se esquivou do toque, chorando copiosamente.
Que cruel da parte dele.
Ele, melhor que ninguém, sabia o que esse tipo de olhar avaliativo causava nela, uma mulher ferida pelo julgamento constante de sua aparência.
- Pare...de fingir... – ela se inclinou, o abraçando pela cintura. – Se... ao menos....eu não fosse .... assim... – Subiu suas mãos pelas costas moldadas em músculos de aço, que esquentavam sob suas palmas pequenas. - ...talvez...você não... me rejeitasse desse jeito...E eu que pensei que significava alguma coisa para você...pelo menos...
Lua se agarrou a ele, completamente entregue as suas emoções e a tristeza.
- Eu preciso de você... – suplicou, tateando o corpo masculino até encontrar uma mandíbula rígida, e angulosa feito mármore. Seu corpo implorava para ser tocado por essas mãos, por ser pressionado pelos músculos fortes. – Não me negue isso... pelo menos uma vez... não me faça me sentir...pior ainda...
Ela se esticou nas pontas dos pés e, cegamente, encostou os lábios nos dele.
Por um segundo, tudo ficou estático...
Mas então…
Os lábios daquele homem se moveram contra os dela.
Ele se sentou ao seu lado, Lua respirou profundamente antes de entregar-lhe o celular.— Noah, o filho da Iara, não é do Ariel.Eros franziu a testa, ela sentiu uma lágrima escorrer.— O filho da Iara é... — Precisou interromper a frase para recuperar a voz. — É do Lucas.O silêncio que se seguiu pareceu preencher toda a biblioteca.Eros permaneceu observando-a durante alguns segundos, depois voltou os olhos para a mensagem aberta na tela. Lua acompanhou as pequenas alterações de sua expressão enquanto ele lia.A mandíbula se contraiu, os músculos do pescoço ficaram tensos.Entretanto, quando finalmente pousou o celular sobre a mesa, sua primeira pergunta não foi sobre a mentira que Iara contou sobre a paternidade do menino.— Há quanto tempo você sabe?Lua abaixou os olhos.— Há anos. Eu conheci o Noah quando fiquei na casa dela.Eros inspirou profundamente.A resposta o atingiu, e Lua percebeu que ele precisava de alguns instantes para assimilar tudo o que acabou de descobrir.— Meu
Ela sentiu o estômago contrair e engoliu em seco, temia que aquele momento chegasse.— Eros...— Não estou exigindo explicações, meu amor.A tranquilidade da resposta a surpreendeu, embora não devesse.— Eu sei que você guarda alguma coisa sobre Iara há muito tempo. Também sei que esse segredo não pertence apenas a você, e foi justamente por isso que nunca tentei descobri-lo por conta própria, embora tivesse meios suficientes para fazer isso.Lua abaixou os olhos para os dedos entrelaçados aos dele.— Você nunca me perguntou diretamente e eu sou muito grata por isso...— Porque confio em você. — Eros acariciou sua mão com o polegar. — Mas existe uma diferença entre respeitar o silêncio de alguém e ignorar que esse silêncio pode estar se transformando num problema perigoso.Ela respirou profundamente.— Eu prometi a ela que não contaria a ninguém.— E não vou obrigá-la a quebrar essa promessa. Só quero saber se você deseja conversar comigo sobre o que está carregando sozinha, porque es
A mansão Bitencourt estava mergulhada no silêncio quando Lua voltou a verificar o celular pela quarta vez naquela noite, incapaz de afastar a inquietação que a acompanhava havia semanas e que, nos últimos dias, se transformou numa preocupação tão persistente que até mesmo os momentos mais tranquilos ao lado da família haviam começado a perder parte de sua habitual serenidade.Do lado de fora, uma chuva fina escorria pelos vidros da biblioteca, distorcendo as luzes dos jardins cuidadosamente iluminados. Sobre a mesa de madeira escura, alguns documentos relacionados à próxima reunião da Atikos permaneciam esquecidos ao lado de uma xícara de chá que esfriou sem que Lua conseguisse beber mais do que dois goles.Havia quase vinte minutos, relia uma mensagem antiga de Iara.Não continha informações particularmente reveladoras, apenas algumas palavras tranquilizadoras, a garantia de que estava bem e um pedido para que Lua não se preocupasse tanto. Entretanto, conhecia a amiga suficientemente
Quando finalmente chegou o momento indicado, Lua levantou-se e aproximou-se da bancada.Duas linhas.Nítidas.Inconfundíveis.Por alguns segundos, ficou olhando para o pequeno objeto sem conseguir organizar os próprios pensamentos.Então levou uma das mãos ao ventre lentamente.— Meu Deus... eu estou...grávida... de novo...A voz saiu tão baixa que quase não conseguiu ouvi-la. Havia um bebê, talvez ainda tão pequeno que mal pudesse ser distinguido num exame, mas já suficientemente presente para modificar completamente o futuro que ela e Eros imaginavam.Lua sentiu as lágrimas começarem a descer, a porta recebeu duas batidas discretas.— Moranguinho?- Ela tentou responder, mas a emoção apertou sua garganta. — Lua, está tudo bem?A preocupação na voz dele a fez caminhar até a porta, quando a abriu, encontrou Eros parado diante dela, com a expressão severa e os olhos azuis examinando imediatamente seu rosto molhado de lágrimas.— Meu amor, o que aconteceu? Está se sentindo mal?Lua ergue
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