LOGINLua gargalhou, envolvendo o pescoço dele com os braços.— Coitadinho do meu marido gostoso, abandonado e negligenciado por causa de um doce.Eros a ergueu da cadeira com uma facilidade que ainda a surpreendia, acomodando-a sobre suas pernas quando voltou a se sentar.— Finalmente alguma compreensão.Ela sorriu e ofereceu um pedaço da barra, mas percebeu que o olhar dele havia adquirido uma expressão diferente.Não exatamente preocupada, mas pensativa.— O que foi agora? — perguntou, aproximando o chocolate da boca.Eros observou o movimento e arqueou uma sobrancelha.— Estava me lembrando de uma coisa interessante.— Do quê?— Da última vez em que você demonstrou uma obsessão tão intensa por doces, principalmente chocolate.Lua mastigou lentamente, tentando compreender a direção daquela conversa.— Eu sempre gostei de chocolate, você sabe. Sempre me compra com eles, quando apronta alguma coisa com o Máximos.— Eu sei, moranguinho. Mas existe uma diferença considerável entre gostar de
O arquipélago de Palau parecia ter sido criado para convencer as pessoas de que o paraíso realmente existia em algum lugar do mundo, escondido entre águas de um azul quase inacreditável, pequenas ilhas cobertas por uma vegetação exuberante e formações rochosas que emergiam do oceano como esculturas cuidadosamente moldadas pela natureza.Lua estava começando a acreditar nisso.Da varanda privativa da luxuosa villa construída sobre a água, conseguia observar os cardumes atravessando a transparência do mar, enquanto o sol da tarde espalhava reflexos dourados sobre a superfície tranquila da lagoa.A brisa tropical movimentava suavemente as cortinas de linho branco, trazendo consigo o perfume salgado do oceano e o aroma das flores que ornamentavam o caminho até o pequeno deque particular.Era o quinto dia da lua de mel que Eros prometeu proporcionar a ela desde o casamento, mas que acabou sendo sucessivamente adiada por compromissos profissionais, viagens internacionais, pela conclusão de
Uma batida discreta na porta trouxe Lua de volta ao presente.Eros entrou sem esperar resposta, vestindo um terno cinza-chumbo perfeitamente ajustado ao corpo poderoso, a gravata escura contrastando com a camisa branca e os cabelos grisalhos nas têmporas conferindo-lhe uma aparência ainda mais distinta e charmosa.Lua ergueu os olhos dos documentos.— Senhor presidente, sua reunião começa em quinze minutos.Ele fechou a porta atras de si.— Estou perfeitamente informado, senhora assessora.O tom grave e a expressão severa não a enganaram.— Então deveria estar conferindo os relatórios que enviei ontem, e não aqui na minha sala me distraindo desse jeito.Eros aproximou-se lentamente da mesa.— Já conferi. E essa ultima parte é um bônus extra.Lua estreitou os olhos quando ele parou diante dela.— Oh não, não mesmo.... – ela o olhou desafiadoramente. – Contenha essas suas intenções pervertidas, porque o que aconteceu ontem, não vai rolar hoje. Estou cheia de trabalho e você também!— En
Ela ainda se lembrava do primeiro dia em que viu seu nome naquela identificaçãoNa ocasião, sentiu um orgulho tão intenso quanto o medo de não corresponder às expectativas, porque sabia que muitas pessoas considerariam sua posição uma consequência natural de ser esposa do poderoso Eros Bitencourt.Algumas chegaram a insinuar isso, mas Lua não ignorou os comentários e não pediu que Eros interferisse.Preferira trabalhar.Aprendeu a administrar agendas complexas, organizar reuniões estratégicas, acompanhar negociações confidenciais e coordenar a comunicação entre a presidência e diferentes departamentos, assumindo gradualmente responsabilidades que exigiam discrição, conhecimento técnico e uma capacidade de organização que surpreendeu até mesmo a si mesma.Não havia sido um processo fácil.Durante os primeiros meses, cometeu erros, confundiu terminologias, passou noites estudando documentos e enfrentou a insegurança persistente de quem passou anos ouvindo que não possuía inteligência su
Cinco anos depois...Às oito e dezessete daquela manhã, Lua atravessou as portas de vidro da Atikos segurando uma pasta de couro sob o braço esquerdo, enquanto a mão direita permanecia firmemente entrelaçada aos dedos pequenos de Máximos, que caminhava ao seu lado com a determinação de quem havia recebido uma missão extraordinariamente importante.O menino estava prestes a completar cinco anos e herdou do pai muito mais do que os cabelos escuros, os olhos azuis profundos e a expressão excessivamente séria para uma criança de sua idade.Ele possuía também uma convicção impressionante de que suas opiniões deveriam ser consideradas em qualquer circunstância, especialmente quando envolviam a escolha das próprias roupas, o horário de dormir ou a quantidade de morangos que poderia comer depois do jantar.Naquela manhã, por exemplo, decidiu que precisava levar um dinossauro de borracha para a creche porque, segundo explicou durante o café, o animal estava enfrentando dificuldades de adaptaçã
Todos os olhares próximos se voltaram para Máximos, que começou a se agitar nos braços de Iara, movimentando as perninhas e franzindo o pequeno rosto como se estivesse profundamente insatisfeito por ter sido excluído de uma ocasião tão importante.Lucas se inclinou imediatamente.— Ele está sentindo alguma coisa? Por que está querendo chorar? – perguntou alarmado.— Ele provavelmente está com fome, gênio. — Iara sussurrou ironicamente.— Mas agora?— Ele é um bebê, não está nem aí para o que está acontecendo a sua volta, o apetite de um recém-nascido é seu maior instinto.— Fala como se fosse uma expert em bebês.Iara engoliu as próximas palavras e desviou o olhar, percebendo que estava dando bandeira.Lua começou a rir, cobrindo a boca com a mão. Eros observou o filho com uma expressão tão profundamente enternecida que, por um instante, toda a imponência do presidente da Atikos pareceu ceder lugar ao homem que passava noites inteiras contemplando um pequeno berço.O celebrante sorriu







