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Capítulo 2

Autor: Moore
— Se você ainda quiser que eu seja o seu companheiro de alma... Espera aí. O que você acabou de dizer?

Matthew tinha começado a falar antes de processar a minha resposta. Suas sobrancelhas se uniram em uma expressão de pura irritação.

Ele continuou:

— Que joguinho você está jogando agora?

Todo mundo sabia o quanto eu tinha me agarrado desesperadamente à ideia de ser a companheira dele. Depois que me trouxeram de volta para casa, eu seguia o Matthew como uma sombra leal.

Eu esperava por ele na estrada todos os dias só para lhe entregar um punhado de frutas vermelhas silvestres. Preparava ensopado de raiz de Losna após cada patrulha dele, esperando que aquilo espantasse o cheiro de sangue de seu corpo.

Os companheiros de equipe dele sempre assoviavam e faziam piada toda vez que eu aparecia:

— Sua noiva está aqui de novo. O que é desta vez, lama ou água de pântano? Dá para ver que o passado de loba renegada não sai dela. Ela sempre traz as coisas mais bizarras.

Matthew ficava vermelho de vergonha, me encarava com raiva e esbravejava:

— Para de vir atrás de mim. Fica em casa. Tudo o que você faz é passar vergonha na frente dos outros.

Ele saía andando sem olhar para trás, como se chegar perto de mim pudesse infectá-lo com alguma coisa.

No entanto, ele tinha se esquecido completamente de como éramos próximos dez anos atrás. Íamos juntos para a escola e voltávamos pelo caminho da floresta. Ele costumava me proteger e dividir comigo as suas frutas vermelhas doces favoritas.

Era o tipo de fruta que ele mais gostava. Eram vermelhas brilhantes, doces e cresciam bem na beira da floresta. Também eram pequenas e incrivelmente bonitinhas.

Ele me disse uma vez:

— Shee, eu gosto de você. Seja a minha companheira de alma um dia, tá bom? Vou te dar todas as frutas que eu colher.

Naquela época, Tatiana ainda era uma bebê. Eu era a princesinha querida dos nossos pais, e eles organizaram o noivado entre o Matthew e eu. Eu realmente acreditava que era a loba mais feliz da Alcateia Blue Moon.

Até o dia em que ele me levou escondida para fora do território para colher frutas na beira da floresta. Um bando de lobos renegados nos atacou.

Ele me protegeu enquanto corríamos, mas, pouco antes de estarmos seguros, eu caí. Eu era jovem demais na época. Não havia chance de eu conseguir voltar no ritmo dele.

Então, soltei a mão dele e gritei:

— Matthew, corre! A equipe de patrulha está bem ali na frente!

Mas não havia equipe de patrulha nenhuma. Eu menti para fazer com que ele escapasse. Caí por uma ladeira e perdi a consciência por um dia e uma noite inteiros.

Quando acordei, já estava com um bando de lobos renegados, longe demais de casa para conseguir voltar.

Por dez anos, eu nunca o esqueci. Nunca esqueci meus pais que um dia me amaram, nem a irmãzinha que costumava me adorar.

Mas por que será que, quando finalmente voltei depois de dez anos, já não havia mais lugar para mim na minha própria casa?

Matthew, que cresceu ao meu lado, esqueceu todo o carinho que um dia compartilhamos e voltou suas atenções para a Tatiana. Os pais que antes me adoravam, agora olhavam para mim com nada além de desdém. Só quando olhavam para a Tatiana é que eu reconhecia o afeto que costumavam me dar.

Até a Tatiana, que antes me idolatrava, agora encarava o meu olhar com pura hostilidade e desprezo.

Passei uma vida inteira para aprender uma única verdade: o que foi perdido nunca poderia ser recuperado à força.

Com essa clareza na mente, soltei uma risada amarga e balancei a cabeça.

— Eu te causei muitos problemas ficando no seu pé por tanto tempo. Sinto muito. Não vou mais fazer isso.

Matthew congelou, genuinamente surpreso ao olhar para mim de verdade pela primeira vez.

— Você realmente não vai mais ficar atrás de mim?

Assenti com a mesma seriedade.

— Sério. Não vou. Mais tarde vou falar com o meu pai para cancelarmos o noivado.

Matthew de repente explodiu:

— Sheila, você está me ameaçando com o noivado de novo? Só porque eu adiei a cerimônia de marcação?

Ele respirou fundo, acalmando-se um pouco.

— A Tatiana acabou de ter a sua cerimônia de maioridade. Prometi levá-la para as Planícies do Norte por dois dias. Para de fazer drama, tá legal? Eu já agendei a nossa cerimônia de marcação para daqui a três dias. Vamos fazer isso assim que a gente voltar.

Eu estava pronta para dizer a ele que não haveria cerimônia nenhuma, que eu estava deixando a Alcateia Blue Moon e abrindo mão do papel de sua companheira.

Mas antes que eu pudesse falar, ele me cortou de novo:

— Chega. Fico feliz que você finalmente esteja agindo com bom senso. A cerimônia de marcação está decidida. A Tatiana já passou por momentos difíceis o suficiente. Ela só quer uma viagenzinha para arejar a cabeça. Como irmã dela, você deveria entender.

Engoli cada explicação e apenas disse calmamente:

— Tudo bem.

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