LOGINFui eu quem partiu o coração de Kane Blackwood. Ele era o herdeiro Alfa, meu namorado desde a infância, e eu o afastei com tanta força que ele acabou indo para a Fortaleza do Norte. Ele permaneceu lá por sete anos. Agora ele estava de volta. Trouxe outra mulher consigo, e os dois realizariam a cerimônia de união aqui, na nossa alcateia. Na mesma semana, a bruxa da alcateia me disse que eu tinha apenas mais três meses de vida. Quando minha mãe me empurrou na cadeira de rodas para que eu o visse, os lábios de Kane se curvaram naquele sorriso cruel e debochado de que eu me lembrava tão bem. Seus olhos escuros me percorreram da cabeça aos pés, observando a cadeira de rodas, meus braços magros e meu rosto pálido. — Ora, ora. — Sua voz era baixa e cortante. — Sete anos se passaram e você está um desastre. Nem consegue mais andar? Puxei a manga para baixo, escondendo as cicatrizes — as marcas prateadas deixadas por anos de tratamentos fracassados. Mantive a voz firme. — Eu caí. Quebrei alguma coisa. Não foi nada. Ele soltou uma risada breve e fria. — Claro. Enfim, minha cerimônia de união está chegando. Você deveria ser a dama de honra da Vivra. Sorri de volta. Ao longo dos anos, eu havia aprendido a sorrir mesmo sentindo dor. — Desculpe, mas vou partir em breve. Para um lugar bem distante. Então dei um leve tapinha na mão da minha mãe. Ela não disse uma palavra. Apenas apertou as manoplas da cadeira e começou a me empurrar de volta para casa. Eu não olhei para trás.
View MoreTrês meses depois, Mary estava de pé sob o velho carvalho.As folhas haviam adquirido tons dourados e avermelhados. Caíam ao seu redor como chuva, desprendendo-se lentamente dos galhos e pousando sobre seus ombros.Kane estava a poucos metros dali, com as mãos nos bolsos, olhando para o céu.— Você deveria voltar para o Norte — disse Mary.Ele balançou a cabeça.— Este é o meu lar.— Não há mais nada para você aqui.— Ela está aqui.Ele olhou para o velho carvalho, para a grama sob seus galhos, para a trilha que levava à Fonte da Lua.— As lembranças dela estão aqui. Isso basta.Mary permaneceu em silêncio por um longo tempo. Então, enfiou a mão no bolso e retirou a pedra da lua.— Ela queria que você ficasse com isto.Kane olhou para a pedra.Ela emitia um brilho suave sob a luz do outono — quente e delicado, como um pequeno coração pulsando.— Guarde-a para mim — disse ele. — Até o dia em que eu a encontrar novamente.Os olhos de Mary se encheram de lágrimas. Ela apena
Três dias se passaram.Kane não saiu do meu lado nem por um instante.Dormia na cadeira ao lado da minha cama, com a cabeça inclinada para trás e a boca levemente aberta. Comia a comida do hospital — carne acinzentada e purê de batatas empelotado — sem reclamar. Segurava minha mão quando a dor ficava insuportável. Lia para mim um livro que encontrou na biblioteca da casa de cura, um velho romance de lombada rachada e páginas amareladas.Minha mãe entrava e saía do quarto. Trazia roupas limpas, meu chá favorito e uma fotografia do meu pai, que ficou sobre a mesa de cabeceira. Ela e Kane quase não conversavam, mas eu a via observando-o. Via a raiva em seus olhos amolecer... só um pouco.No terceiro dia, Vivra apareceu.Ela não estava sozinha.O Rei Alfa caminhava ao seu lado, com o rosto duro como pedra.Os dois pararam na porta do meu quarto.Os olhos do Rei percorreram meu corpo — o soro preso ao meu braço, o curativo na testa, a pele acinzentada —, mas sua expressão não mudou.
(Ponto de Vista de Kane)O quarto de Selene ficava no fim do corredor do terceiro andar. A porta estava fechada. Uma pequena placa ao lado da moldura dizia: "Quarto 317"Mary parou diante da porta e se virou para encarar Kane.— Ela não tem muito tempo — disse ela. — A bruxa falou que talvez um mês, mas... — Ela balançou a cabeça. — Ela está ficando mais fraca a cada dia.— Eu sei — respondeu Kane. — Eu sei.— E ela não sabe que você veio. Ela não queria que você a encontrasse. Queria que você seguisse em frente. Que vivesse a sua vida.Kane engoliu em seco.— Eu sei.Mary abriu a porta.O quarto era pequeno. Uma cama, um armário e uma cadeira. As cortinas estavam fechadas, mas um pequeno abajur sobre a mesa de cabeceira espalhava uma luz amarela e suave.Selene estava deitada na cama.Ela estava tão magra... Mais magra do que ele jamais a tinha visto. As maçãs do rosto se destacavam de forma dolorosa. As clavículas eram visíveis acima da borda do cobertor. Sua pele estava p
(Ponto de vista de Kane)O pacote chegou naquela tarde.Kane estava de volta à ala de cura da alcateia, sentado em uma cadeira de plástico ao lado da cama de Vivra. Ela dormia, respirando tranquila, com uma das mãos repousando sobre a barriga. O curandeiro havia dito que ela poderia voltar para casa no dia seguinte. Tinha sido apenas um susto. O filhote estava bem.Uma enfermeira entrou carregando uma pequena caixa.— Isso chegou para você — disse ela. — Não tem remetente.Kane pegou a caixa.Era leve. Não era maior do que a palma da sua mão.Ele a abriu. Seu coração parou.Lá dentro estava a pedra da lua.A mesma que ele havia dado a Selene quando ela fez dezessete anos. A mesma que ela usava no pescoço todos os dias.Ele a via refletindo a luz quando ela caminhava pela floresta. Sentia a pedra prensada entre os dois quando a abraçava durante a noite.Ela havia prometido que a usaria para sempre. Dentro da caixa havia um bilhete.Uma única linha, escrita com a caligrafia t
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