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É ELA

Author: Nati Almeida
last update Petsa ng paglalathala: 2025-06-27 08:43:27

Matteo

Um ano depois...

Um belo par de scarpins pretos com solado vermelho surge de um carro luxuoso, igualmente preto. Uma mão delicada, com unhas pintadas em um vermelho vibrante, se ergue para o motorista, que mantém a porta aberta com um gesto cordial.

E então ela aparece por completo.

Uma silhueta impecável em formato de ampulheta desliza para fora do carro, envolta em um vestido preto de corte perfeito, que abraça o corpo com elegância e precisão quase cirúrgica.

A bolsa de grife, carregada com naturalidade, não deixa dúvidas: aquela mulher sabe exatamente o poder que tem.

Os óculos escuros de edição limitada escondem parte do seu rosto, mas não o suficiente para disfarçar a presença dominante.

Ela não entra.

Ela invade.

E, sem perceber, eu já estou indo atrás.

Meio que à francesa.

Eu a conheço de algum lugar.

Mas de onde?

Ninguém ousa impedi-la. Ninguém sequer tenta.

Há algo na postura dela — na forma como anda, na forma como ocupa o espaço — que faz com que todos simplesmente... saiam do caminho.

Como se fosse natural.

Como se fosse inevitável.

Ao entrar no elevador, todos os olhares se voltam para ela.

Mas não há constrangimento.

Muito pelo contrário.

Ela parece se alimentar daquilo.

Admiração.

Inveja.

Curiosidade.

O pequeno nariz levemente empinado entrega: ela sabe exatamente o efeito que causa.

E gosta disso.

Quando as portas do elevador se abrem, ela segue pelo enorme corredor da Fascino com passos firmes e elegantes.

O som dos saltos ecoa pelo espaço silencioso.

Eu a sigo alguns metros atrás.

Discreto.

Curioso.

Intrigado.

Algo dentro de mim já está em alerta.

Ao se aproximar da sala principal de reuniões, Alessia Rossi — secretária, amante e tudo mais que o Lorenzo arranjou — simplesmente congela.

A loira impecável, com seu conjunto de procedimentos estéticos bem evidentes, parece perder o chão por um segundo.

A mulher à minha frente abaixa lentamente os óculos escuros.

Olha.

Analisa.

E ignora.

Como se a existência da Alessia não fosse digna de resposta.

Gira a maçaneta.

— Você não pode... — Alessia tenta impedir.

Fracassa.

Completamente.

Faço um gesto com a mão para que ela pare.

Isso está ficando interessante demais para ser interrompido.

— Bom dia, querido! — a mulher diz ao abrir a porta.

Querido?

Ela chamou o Lorenzo de querido?

A sala inteira se volta para ela.

E o Lorenzo...

O Lorenzo trava.

— Elena? — ele diz, como se estivesse tentando lembrar como se fala.

Ele a observa dos pés à cabeça.

Procurando.

Comparando.

Tentando encontrar vestígios da mulher que ele conhecia.

Aquela versão não existe mais.

Eu não resisto.

Passo por ela, vou até ele e pressiono levemente seu queixo para que feche a boca.

— Respira, irmãozinho.

Elena.

Elena Giordano.

Miss Itália.

Claro.

Agora faz sentido.

Nesse exato momento, como se lesse os meus pensamentos, ela retira os óculos.

E não deixa margem para dúvidas.

É ela.

E está ainda mais...

Impactante.

— Como vai, Lorenzo? Vejo que nada mudou por aqui — ela diz, com um tom leve, quase divertido. — Perdão, quase nada... O rosto da sua amante mudou bastante desde a última vez que a vi.

Eu tenho que segurar o riso.

O Lorenzo não fala.

Ele está tentando se recompor.

Ou tentando não explodir.

Difícil saber.

Elena caminha lentamente ao redor da mesa de reuniões, cada passo calculado.

Seguro.

Dominante.

E então... se senta.

Na cadeira dele.

A cadeira do CEO.

Silêncio.

Pesado.

Denso.

Quase palpável.

— Elena, o que faz aqui? — ele pergunta, finalmente.

— Querido, não vai me apresentar para os outros acionistas? — ela cruza as pernas com elegância. — Apesar de que dois eu já sei bem quem são.

Ela encara Pasquale e Dante como quem já estudou cada peça daquele tabuleiro.

— Claro — ele limpa a garganta. — Essa é Elena Marino, minha ex-esposa—

— Giordano — ela corrige, sem nem olhar diretamente para ele.

— O quê?

— Elena Giordano. Eu não quero absolutamente nada vindo de você. Muito menos o sobrenome que está tão manchado por polêmicas e repercussões negativas na imprensa.

Eu preciso de um esforço hercúleo para não rir.

— Se não quer nada de mim, o que faz na minha empresa? — ele retruca, mandíbula travada. — Já não basta ter me roubado dez...

Ele se cala.

Mas todos entendem.

— Pode procurar uma cadeira e se sentar, Lorenzo — ela diz com um sorriso quase imperceptível. — Eu não pretendo me levantar daqui tão cedo.

Eu conheço aquele olhar.

Ele está a segundos de explodir.

— Elena, você não respondeu: o que faz na minha empresa?

— Sua empresa? — ela apoia os cotovelos na mesa, juntando as mãos sob o queixo. — Você não está sendo muito prepotente para um acionista que possui apenas vinte e nove por cento das ações da Fascino?

A sala inteira fica em silêncio.

— Ainda assim, eu sou o sócio majoritário — ele rebate.

— Lamento ser eu a te tirar do seu pedestal, Lorenzo... Na verdade, não lamento nenhum pouco — ela sorri. — Eu estou amando ser eu a te dar essa notícia.

— Do que está falando?

— Agora eu sou a sócia majoritária da Fascino. Trinta e quatro por cento das ações.

Explosão.

Silenciosa.

Mas devastadora.

— Como isso é possível? — Pasquale pergunta.

— As notícias negativas sobre a família Marino assustaram os irmãos Mancini. Eles decidiram vender. Eu comprei dezessete por cento de cada um.

Ela fala como quem comenta o clima.

Simples.

Fria.

Calculada.

E absolutamente no controle.

[...]

Perdoem a falta de educação.

Mas é difícil competir com uma entrada dessas.

Eu sou Matteo Médici.

Irmão do Lorenzo.

Ou melhor... meio-irmão.

Compartilhamos o mesmo pai.

Mas não o sobrenome.

Nem os valores.

Nosso pai tem um caráter... questionável.

E eu aprendi cedo a não carregar aquilo comigo.

Sou acionista da Fascino.

Dez por cento.

E fotógrafo oficial da marca.

E, sim...

Algumas dessas ações eu comprei do próprio Lorenzo.

Secretamente.

Só para vê-lo se irritar.

Ele nunca soube.

Nunca desconfiou.

E nunca vai admitir o quanto isso o afeta.

Há um ano, ele colocou parte das ações à venda.

Precisava pagar dez milhões de euros.

Para ela.

E, agora...

Ela está aqui.

Sentada na cadeira dele.

Tomando tudo o que ele achava que era intocável.

E, pela primeira vez em muito tempo...

Eu não estou apenas assistindo.

Eu estou... interessado.

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