Mag-log inDepois que Eliel foi embora, eu me sentei sozinha na sala de reuniõesdo último andar do grupo. Tudo o que, um dia, o meu pai tinha usado para apoiar o Eliel, eu retirei de volta, sem deixar nada para trás.O pesadelo de Eliel só tinha começado.Em menos de quinze dias, a empresa dele entrou em colapso total. A cadeia de dinheiro secou, e todos os parceiros retiraram os investimentos.O homem que todo mundo tinha chamado de "novo prodígio do mercado“, o jovem empresário invejado por todos, virou, em uma única noite, um devedor atolado até o pescoço, oficialmente falido.E justamente quando ele estava mais quebrado, mais desesperado, sem saber para onde correr, uma verdade devastadora caiu sobre a cabeça dele como um golpe impossível de desviar.Eliel descobriu, por acaso, que Daise nunca tinha tido doença rara nenhuma. Ela tinha calculado cada passo, apostando no fato de que Eliel vivia preso à lembrança do irmão morto e, por isso, seria infinitamente tolerante com cada exigência dela.
Eliel não tinha desistido só porque eu tinha dito não. Pelo contrário, ele tinha ficado cada vez mais desesperado. Ele parecia um homem obcecado, completamente fora de si, inventando jeitos diferentes de pedir desculpas, jurando arrependimento o tempo todo. Ele chegou ao ponto de colocar todos os bens dele no meu nome, desde que eu aceitasse perdoar ele.Mas eu não tinha nem paciência de olhar para a cara dele. No momento, a única coisa que eu menos precisava na vida era dinheiro. Todo aquele espetáculo de culpa e humildade, para mim, não passava de uma encenação ridícula em que ele era o único emocionado.O que eu tinha passado não era algo que ele pudesse apagar com algumas lágrimas e meia dúzia de "me desculpa".O golpe final para ele tinha vindo quando apareceu outra pessoa ao meu lado. Ele era filho de uma família amiga da minha há gerações, Gilberto Novaes. Ele era elegante, educado, discreto ao ponto certo.Ele me respeitava, ele cuidava de mim, e ele permanecia ao meu lado em s
Depois que Eliel acordou, jurou que ia me trazer de volta. Ele começou a me esperar na porta do prédio da empresa, e passou a ficar de plantão na frente da minha casa, parado no portão da mansão. Ele mandava flores, pedia desculpas, se rebaixava, fazia confissão atrás de confissão, abaixava a cabeça o máximo que ele conseguia.Mas toda aquela humildade desesperada não conseguia arrancar de mim nem um único olhar de volta.Logo chegou o dia do meu aniversário. Naquele dia, ele me esperou na saída da garagem, bloqueando a frente do meu carro. As duas mãos dele estavam enroladas em camadas e mais camadas de faixa grossa. Ele parecia ao mesmo tempo miserável e digno de pena.Ele levantou as mãos trêmulas e me mostrou um bracelete de prata bruto, mal-acabado, com duas palavrinhas tortas gravadas por dentro:Agatha Braga.— Agatha… você já tinha dito, lá atrás, que queria que eu fizesse uma joia com as minhas próprias mãos pra você. Naquela época eu vivia ocupado, dizia que não tinha tempo…
Eliel ficou paralisado no lugar, e os dedos que apertavam o meu pulso afrouxaram na mesma hora. Ele me olhou, incrédulo, e depois encarou o meu pai, que tinha acabado de entrar no escritório com uma presença esmagadora. A voz dele saiu trêmula:— Agatha… afinal, quem é você? Você me disse, com todas as letras, que você não tinha família! Como é que você tem um pai rico desse jeito?O meu pai soltou uma risada fria e deu alguns passos para dentro, trazendo com ele uma pressão que parecia encher todo o ambiente:— Ela só falou isso por sua causa! Foi tudo culpa sua! Na época, eu bati o olho em você e vi na hora o seu jeito frio e egoísta. Eu fui contra esse relacionamento desde o começo. Mas a Agatha, por sua causa, rompeu comigo aos prantos e cortou a relação de pai e filha. E você acha mesmo que, nesses anos todos, a sua empresa deslanchou porque você é um gênio dos negócios?O tom do meu pai ficou carregado de desprezo, cada palavra saindo como uma sentença:— Você só cresceu porque e
Eu não me deixei afundar por muito tempo na dor. Eu me obriguei a respirar fundo e a me recompor. Em poucos meses, eu já tinha me tornado o braço direito do meu pai.Naquele dia, o meu pai precisou sair às pressas, e o escritório enorme ficou só comigo. Do nada, alguém escancarou a porta. Eliel entrou às pressas, com o corpo inteiro pesado de cansaço, que deformava o rosto dele.Depois de alguns meses sem vê‑lo, eu percebi que ele estava tão abatido que parecia outra pessoa. Os olhos dele estavam vermelhos, cheios de veias estouradas. Ele cravou o olhar em mim e agarrou o meu pulso com força.— Agatha! — A voz dele saiu rouca, carregada de um alívio desesperado, como se ele tivesse acabado de me reencontrar num deserto. — Eu finalmente encontrei você! Anda, me leva para ver o nosso filho! Mesmo que eu tenha pisado feio na bola, você sumir sem dar uma palavra foi irresponsabilidade demais!Eu levantei os olhos com calma e encarei aquele rosto que eu já tinha amado e odiado com a mesma i
(Ponto de vista de Agatha)Quando eu abri os olhos na escuridão, eu já estava deitada em um quarto de hospital. O meu pai estava sentado ao lado da cama, com os olhos vermelhos e o rosto cheio de uma dor que apertava o peito. Ele segurava a minha mão gelada e parecia ter envelhecido uns dez anos de uma vez:— Agatha, você finalmente acordou… Eu quase perdi você.Os médicos disseram que eu tinha sofrido uma hemorragia muito forte, que eu tinha tido infecção e queimaduras na garganta. Eles disseram que conseguir me trazer de volta já tinha sido um milagre.O meu corpo inteiro começou a tremer sem controle e eu perguntei depressa:— Pai, e o meu bebê… onde é que ele está?Quando eu falei do bebê, o meu pai não conseguiu mais segurar. As lágrimas dele caíram sem parar pelo rosto enrugado:— Filha… o seu neném ficou tempo demais sem oxigênio na hora do parto… e ainda perderam o melhor momento de tentar salvar ele… Eu falhei com você. Eu não consegui proteger o meu netinho.— Não! — Eu tente







