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Capítulo 3

Author: Yogurt Monster
À beira da morte, eu tive a impressão de ver um feixe de luz rasgar a escuridão. Eu achei que Eliel finalmente tinha tido um rompante de consciência e tinha voltado para salvar a mim e o nosso filho.

Mas quem apareceu foi a enfermeira novinha, aquela única que não tinha participado das agressões. Ela veio apressada até mim e, quando me viu toda ensanguentada, abraçada ao bebê, as lágrimas dela caíram na mesma hora:

— Me desculpa... Eu sou enfermeira deste hospital, só aceitei ajudar no seu parto porque a minha família está precisando muito de dinheiro. Eu não fazia ideia de que aquelas pessoas não eram médicas de verdade. Eu não tive coragem de ver você sendo machucada e, por isso, eu saí de fininho. Eu jamais imaginei que elas iam ser tão cruéis com você...

A enfermeira, tremendo, pegou o celular e começou a filmar o estado em que eu e o meu filho estávamos:

— Eu vou mandar o vídeo para o Sr. Eliel. Quando ele vir como você foi torturada, com certeza ele vai vir correndo!

Assim que ela enviou o vídeo, ela ligou para Eliel sem perder tempo:

— Sr. Eliel! A sua esposa e o seu filho estão realmente à beira da morte! Por favor, venha ver os dois agora...

Quando Eliel viu o meu estado no vídeo, a voz dele pareceu muito aflita:

— Eu contratei as melhores médicas para cuidar de você, como é que você está perdendo tanto sangue assim? Quando eu terminar tudo aqui, eu vou acertar as contas com elas! Agatha, aguenta firme, eu já estou indo!

Antes que ele desligasse, eu ouvi o choro de Daise ao fundo:

— Eliel, sangue... tem muito sangue... eu estou com muito medo... será que eu vou morrer...?

A médica que estava fazendo o parto de Daise falou com um tom sério, cheio de urgência:

— Sr. Eliel, o estado da Sra. Daise é realmente crítico. Se o senhor não conseguir acalmar ela, o nervosismo da paciente pode causar uma hemorragia muito grave...

Eliel ficou completamente dividido:

— Mas a minha esposa...

A médica pareceu olhar de novo para o vídeo e, depois de ficar alguns segundos em silêncio, disse:

— A sua esposa realmente parece estar perdendo bastante sangue, mas ela está consciente e aparenta estar lúcida. Ela aparenta estar muito lúcida.

Eliel ouviu aquilo e soltou um suspiro pesado:

— Agatha, já viu a hora que é e você ainda está aí fazendo escândalo! A situação da Daise é muito mais grave, e você ainda manda a enfermeira falsificar prova por você! Escuta bem: fica quieta aí. Assim que a Daise sair de perigo, eu vou ver você.

Eu tremi inteira de ódio. Antes que ele desligasse, eu arranquei o celular da mão da enfermeira:

— Eliel, você é desumano! As pessoas que você trouxe não são médicas coisa nenhuma, elas receberam dinheiro da Daise para me torturar de propósito! Eu e o seu filho estamos cobertos de sangue aqui, caídos no chão, e mesmo assim você acha que eu estou fingindo...

O meu peito subia e descia sem controle e, a cada movimento, mais sangue jorrava.

Eliel pareceu se irritar ainda mais com as minhas palavras e soltou um resmungo frio:

— Com essa voz toda, eu estou vendo que você está ótima de saúde. Se você quer descontar em alguém, descarrega em mim, mas não calunia a Daise. Ela está na sala de emergência, como é que ela ia ter tempo de tramar algo contra você? Em consideração ao fato de hoje você ter me dado um filho, eu não vou bater de frente com você. Até a Daise sair de perigo, você vai ficar bem quietinha aí dentro.

Ele terminou a frase e desligou na minha cara.

A raiva e o rancor se espalharam pelo meu peito como veneno, e tudo o que eu consegui fazer foi abraçar o meu bebê e chorar, gritando para um telefone mudo.

O meu sangue continuava a escorrer, cada vez mais. A minha visão foi escurecendo. No meio daquele desespero, eu apertei o celular com a mão trêmula e, usando a última força que eu ainda tinha, eu mandei uma mensagem para o meu pai...

Quando eu voltei a ter consciência, eu já estava deitada em uma maca de hospital. A enfermeira de antes me contou que um médico tinha acabado de voltar de uma viagem de trabalho e, depois de ouvir o pedido de ajuda dela, ele tinha aceitado me socorrer.

As lágrimas vieram quentes, na hora. Eu senti que, enfim, eu e o meu filho íamos ser salvos.

Mas, quando a maca estava quase cruzando a porta da sala de emergência, uma silhueta familiar surgiu na frente e bloqueou a passagem.

Era Eliel.

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