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Morremos no Parto e Ele Só Pensava na Cunhada e no Bebê Dela

Morremos no Parto e Ele Só Pensava na Cunhada e no Bebê Dela

By:  Yogurt MonsterCompleted
Language: Portuguese
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No dia em que a cunhada do meu marido, que morava sozinha, entrou em trabalho de parto, o meu marido me arrastou à força para o hospital para induzirem o meu parto, mesmo eu ainda estando só com sete meses de gestação. Ele me trancou na sala de parto, com a expressão tensa, e falou, desesperado: — Agatha Braga, o bebê que a Daise Diniz carrega tem uma doença raríssima. Se nascer assim, vai morrer logo que vier ao mundo. O médico disse que precisa do sangue do cordão umbilical e de células‑tronco especiais colhidas durante o parto pra salvar a vida dele! Meu irmão já morreu, eu tenho a obrigação de cuidar dela e da criança! Quando a agulha de dez centímetros para induzir o parto entrou no meu corpo, as contrações me rasgaram por dentro de um jeito que eu comecei a suar frio. No meio daquela dor, eu encarei o rosto dele e questionei, quase sem fôlego: — Eliel Paiva, a gravidez da Daise sempre correu bem. Como é que, de uma hora pra outra, o bebê dela tem uma doença tão rara? Eu é que precisei segurar a gravidez o tempo todo, e mesmo assim você quer que o nosso filho nasça antes da hora. Isso não é só acabar com a vida dele, é acabar com a minha também! Eliel franziu a testa, me segurou com força e me prendeu na cama do hospital: — Agatha, o médico já explicou. É só fazer o nosso filho nascer dois meses antes. Não vai acontecer nada com ele! Quando ele ouviu os gritos de dor da Daise na sala ao lado, pareceu se lembrar de alguma coisa. Me lançou um olhar cheio de desconfiança e disse: — Não vai me dizer que, só porque eu vivo cuidando da Daise, você quer aproveitar essa chance pra se livrar dela, né? Eu já te falei que só cuido dela por causa do meu irmão. Como é que você consegue ser tão cruel? Eu senti o sangue escorrendo por baixo de mim e comecei a chorar de desespero. Agarrei o pulso dele com o pouco de força que me restava e supliquei, com a voz quebrada, que, se ele poupasse o meu filho, eu aceitava o divórcio e deixava os dois livres pra ficarem juntos. Eliel me lançou um olhar impaciente, gelado, e respondeu: — Você está delirando. Eu sou o pai do nosso bebê. Como é que eu ia querer fazer mal pra ele? Quando o sangue do cordão umbilical do meu bebê e as minhas células‑tronco foram usados no bebê da Daise e o médico anunciou que mãe e filho estavam fora de perigo, só então o Eliel se lembrou de que também tinha uma esposa e uma criança esperando por ele em outra sala. Mas, quando ele empurrou a porta do meu quarto, não foi o choro do nosso bebê que encontrou. Sobre a cama, esperavam apenas dois pedaços de papel: as duas certidões de óbito: a minha e a do meu filho.

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Chapter 1

Capítulo 1

Os passos de Eliel foram ficando cada vez mais distantes, e eu me forcei a rolar para fora da cama. Algumas seringas de ocitocina que estavam espetadas em mim arranharam os ossos das minhas costas quando eu tentei me erguer e, no segundo seguinte, todas se quebraram ao mesmo tempo.

A dor aguda me engoliu inteira. Aquelas "médicas" que Daise tinha chamado me agarraram pelo braço e me arrastaram de volta para a cama à força.

Olhei para a forma completamente amadora como elas mexiam nos instrumentos médicos e, naquele instante, tudo fez sentido para mim.

— Socorro, me soltem! Vocês não são médicas! — Gritei.

A cólica lá dentro voltou a virar tudo do avesso. Eu comecei a suar frio e a gritar por ajuda. Mas Eliel, que estava do lado de fora da porta, mergulhado na alegria pelo parto de Daise, não ouvia nada.

Uma das mulheres mascaradas levantou uma seringa ainda mais grossa e enfiou a agulha de novo no meu corpo. A dor que estalou pelos ossos me arrancou um grito.

Eu chorava tanto que meu corpo inteiro tremia:

— Eliel enlouqueceu, e vocês enlouqueceram também? O meu bebê só tem sete meses, se ele nascer agora ele vai morrer! Eu imploro, por favor, me deixem em paz...

Ninguém deu atenção ao meu desespero. A nova dose de ocitocina era ainda mais forte do que antes, e a dor no meu baixo‑ventre explodiu de repente.

Eu senti o meu corpo se abrindo aos poucos, mas o pequeno lá dentro não dava nenhum sinal de que estava descendo.

Um pânico gelado subiu pelo meu peito. Eu me encolhi na cama:

— O meu bebê... o meu bebê parece que ficou preso, ele não tem força para descer... Eu estou implorando, chamem uma equipe de verdade, por favor. Quando ele nascer, ele precisa ir direto pra incubadora, ele é fraco demais, ele só tem sete meses...

A mulher que parecia ser a chefe falou com frieza, sem um pingo de compaixão no olhar:

— A gente só veio garantir que você vai parir a criança. O Sr. Eliel não pediu mais nada.

Eu tentei levantar mais a voz, mas uma contração ainda mais violenta cortou meu ar e engoliu o resto da frase:

— Mas a criança também é dele, se acontecer alguma coisa ele vai se arrepender pro resto da vida!

Aquelas "médicas" me lançaram um olhar de desprezo e, em seguida, começaram a mexer no celular, distraídas.

Eu não sabia quanto tempo eu aguentei. Em meio a uma dor tão intensa que parecia me rasgar em dois, o bebê finalmente nasceu. Mas ele não chorou. Era pequeno, molinho, com a pele num tom arroxeado totalmente anormal:

— O bebê! O meu bebê!

Eu soltei um grito desesperado, tentando me arrastar para pegar o meu bebê, mas a mulher me barrou.

Eu vi de relance o celular na mão dela e usei o resto de força que eu ainda tinha para arrancar o aparelho, os dedos tremendo enquanto eu discava o número de Eliel.

Quando a ligação foi atendida, eu não consegui mais segurar. Eu desabei em prantos:

— Eliel! O bebê nasceu e ele está quase morrendo, a respiração dele está muito fraca, a pele dele está arroxeada! Manda um médico agora, por favor, salva ele! Ele é seu bebê, se você demorar mais um pouco não vai dar tempo!

A minha voz saía toda quebrada, carregando uma desesperança de quem já sentia a morte se aproximar.

— Ele está mesmo... tão mal assim? — Eliel hesitou por um instante e, em seguida, falou depressa. — Para de chorar, eu vou ver o que está acontecendo... Se a situação estiver realmente grave, eu vou providenciar a transferência de vocês na hora...

Mal Eliel terminou de falar, eu ouvi a voz chorosa de Daise, cheia de mágoa:

— Eliel, a Agatha com certeza está nervosa por ser o primeiro parto dela. Eu contratei ótimas médicas para cuidar da Agatha, elas jamais deixariam qualquer coisa acontecer! Acho que a Agatha ainda está me culpando por eu ter adiantado o parto, ela não quer que eu e o bebê sejamos salvos...

As palavras de Daise entraram como facas, acertando em cheio no ponto que mais importava para Eliel.

Eu ouvi, do outro lado da linha, a voz dele tentando acalmar Daise, tão doce que me deixou gelada por dentro.

Daise era, para Eliel, a mulher mais bonita e mais desejada da vida dele. Mesmo depois de ela ter escolhido se casar com o irmão dele por dinheiro, isso não tinha mexido em nada no lugar que ela ocupava no coração dele. Nem mesmo eu, que era a esposa dele, tinha mudado isso.

Nesse momento, a voz de Daise veio embargada de choro:

— Eliel, a minha barriga está doendo tanto... Será que eu vou ter o bebê agora...?

A voz de Eliel mudou na hora, tomada pela aflição. Ele mandou que levassem Daise imediatamente para a melhor sala de parto do hospital. E, para o meu lado, para os meus gritos cortando o ar, só sobrou a frieza dele:

— Agatha, para de drama agora. O médico falou que, depois que a criança nasce, fica tudo bem. Quando eu resolver tudo aqui com a Daise, eu vejo o que eu faço com você.

— Eliel, você não pode desligar! O bebê está realmente à beira da morte!

Eu me larguei na cama, sem forças, enquanto o sangue continuava a escorrer do meu corpo. Os pedaços da agulha quebrada ainda estavam enfiados na base da minha coluna, cravados no osso, mas toda aquela dor física não chegava nem a um milésimo do que eu sentia no peito.

Não importava o quanto eu chorasse e gritasse, Eliel não respondia mais. Só quando Daise parou de chorar é que ele finalmente se lembrou de mim.
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