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Capítulo 68

Author: Dona Morena
last update publish date: 2026-09-08 23:06:03

Clarke

Anthony não esperou muito.

Assim que o almoço terminou e as mulheres se reuniram na sala com xícaras de café, ele se levantou, olhou para mim por cima da mesa e falou baixo, mas firme:

— Clarke. Vamos conversar!

Não era um pedido.

Eu acenei, beijei a têmpora de Mary Anne e segui Anthony até o escritório no fundo da casa. Ele fechou a porta com um clique seco. Ficou de pé perto da janela, os braços cruzados, o corpo inquieto. Eu nunca o tinha visto tão tenso desde os tempos em qu
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    Mary Anne O estúdio nunca tinha estado tão cheio. Eu estava no meio do salão, o lenço colorido no cabelo, o vestido leve que Magda tinha insistido que eu usasse, e o coração batendo tão forte que eu quase não escutava as conversas ao redor. As paredes estavam cobertas pelas séries das quatro estações. Os cavaletes ocupavam os cantos. Flores silvestres em todo lugar. O cheiro de café fresco e de tinta ainda nova misturava com o perfume das mulheres da família. Eles tinham vindo todos. A família Carmichael inteira e a família Brown. Anthony de camisa social até no interior da Toscana, já resmungando baixinho sobre o calor. Magda de brincos enormes e sorriso largo, comandando abraços. Logan e Samantha, ela já puxando assunto com todo mundo. Benjamin correndo entre as pernas dos adultos. E do meu lado de sangue: minha mãe Damiana, a tia Daiana (as duas já tinham brigado duas vezes antes mesmo de entrar), minha irmã Stefany e a outra Stefany, as primas, as tias mais distantes. Os fu

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    Mary Anne O lenço no cabelo estava torto de tanto eu passar a mão. A camisa xadrez amarrada acima do umbigo deixava a barriga à mostra e a calça jeans folgada escorregava um pouco nos quadris. Eu estava descalça, como quase sempre no estúdio, sentindo o chão de tábuas sob os pés enquanto emoldurava as últimas imagens. Organizei por estação: primavera com verdes claros e flores, verão com luz dura e sombras curtas, outono com dourados e vermelhos, inverno com neblinas e texturas. Algumas já estavam na parede, outras em cavaletes de madeira clara. Flores silvestres em jarros de vidro espalhados pelo espaço. A decoração era chamativa o suficiente para aquecer o ambiente, mas nunca competia com as fotos. Eu queria que as pessoas entrassem e vissem primeiro o trabalho. O casal chegou perto das onze. Ele alto, ela de mãos dadas, os dois um pouco tímidos. Eu limpei as mãos no jeans e fui até a porta sorrindo. — Bom dia. Podem entrar. Fiquem à vontade. Eles caminharam devagar, olha

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