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51 - LAYSLA

Autor: Crisfer
last update Data de publicação: 2026-04-03 05:59:01

Sinceramente... eu nem sei por onde começar.

Tava sentada na cama deles — nossa, até falar "deles" me dá um aperto no peito — com os três me olhando como se eu fosse um milagre. E, pra ser sincera? Eu me sentia meio isso mesmo. Um milagre. Uma doida pelada que sumiu e voltou vestida de astronauta sexy.

O Bento tava com os olhos tão doces que parecia que ia chorar a qualquer momento. O Teófilo roía a unha, ansioso que só, e o Isidóro... bom, o Doro tava tenso, braços cruzados, cara fechada —
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Último capítulo

  • MÁQUINA DO DESEJO   91 - LAYSLA

    Os anos passaram como o vento que varre os campos de café. A fazenda, que começou como um pedaço de terra simples, virou um império verde, com grãos de café e algodão que vão até o estrangeiro. Minhas ideias de 2025 — irrigação por gotejamento, adubo orgânico, silos vedados — transformaram tudo, mas foram Isidóro, Téo e Bento que botaram a mão na enxada e o coração na roça. Isidóro, meu homem sério, virou um líder respeitado, negociando com compradores de São Paulo e até de fora do Brasil. Ele carrega uma calma que ancora a gente, mas agora tem rugas de sabedoria que o deixam ainda mais bonito. — Laysla, tu nos fez ricos, mas o maior tesouro é tu — disse ele uma noite, segurando minha mão com aquele calor que me acalma. — E tu é minha bússola, Doro. Sempre foi — respondi, com um sorriso que vem do fundo da alma. Téo, meu palhaço, ainda faz piada com tudo, mas cresceu tanto. Ele organiza os peões com um carisma que ninguém resiste, e às vezes me puxa pra dançar na varanda, como

  • MÁQUINA DO DESEJO   90 - BENTO

    Era uma tarde quente, com o sol se pondo devagar, pintando o céu de laranja e roxo. O Valério tinha ido pro litoral na semana passada, levado por uma carroça até a estação de trem do povoado. Ele tava animado, com o cabelo dourado brilhando e os olhos cheios de curiosidade, falando de como queria ver o mar e ajudar a tia Juliana com os netos. A Laysla, com aquele jeito de mãe que mistura orgulho e saudade, abraçou ele forte antes de ele partir. — Valério, tu cuida da tia Juliana, tá? E não esquece de nós — disse ela, com um sorriso que escondia as lágrimas. — Mainha, eu volto logo. Amo vocês — respondeu ele, com a voz firme, mas cheia de carinho. — Vai com Deus, meu filho — falei, apertando a mão dele, sentindo o peso de ver nosso menino crescer. — Traz um conchinha do mar, geniozinho! — brincou o Téo, bagunçando o cabelo dele. — Ele vai trazer é o mar inteiro — completou o Isidóro, com um meio sorriso. Quando a carroça sumiu na estrada, a casa pareceu grande demais. O Valério,

  • MÁQUINA DO DESEJO   89 - LAYSLA

    Esses dias, enquanto estudo matemática e ciência com ele, usando o que sei de 2025, vejo ele inventando pequenas ferramentas, e uma certeza cresce em mim: com essa cabecinha, ele logo vai construir algo grande, talvez até uma maneira de viajar no tempo, e vai partir pra outra época. Vou contar tudo, com cada detalhe, porque ser uma mãe do futuro é viver entre o amor de agora e a saudade do que está por vir. Os anos passaram rápido, e em 1917 nossa fazenda é um exemplo de prosperidade. O café e o algodão, plantados com as técnicas que trouxe do futuro — irrigação por gotejamento com canais de bambu, adubo orgânico, silos vedados — renderam tanto que somos conhecidos até na capital. Isidóro virou um líder, negociando com compradores de outros estados com uma confiança que me faz sorrir. Téo, meu palhaço, organiza os peões com piadas e pulso firme, mas tá mais maduro, com um carinho que aquece o coração. Bento, meu pilar, construiu uma biblioteca na fazenda e entalha madeira com uma d

  • MÁQUINA DO DESEJO   88 - TEÓFILO

    Agora, em 1917, com cinco anos passados desde a grande colheita que botou nossa fazenda no mapa, tô vendo o mundo com outros olhos. O Valério, nosso menino, tá com 17 anos, quase um homem feito, e começou a se interessar por meninas, com aquele jeito meio sem jeito que me faz lembrar de mim mesmo na idade dele. Tive uma prosa com ele, cheia de risadas, mas com conselhos sérios sobre amor e respeito, porque esse menino é nosso orgulho, e a gente quer que ele cresça direito. Vou contar tudo direitinho, com cada pedaço desse causo, porque um momento assim, com namoricos e conversa de pai, é pra guardar no coração. Esses últimos cinco anos foram como uma enxada cavando fundo na terra da nossa vida. A fazenda tá mais próspera que nunca, com os pés de café dando frutos vermelhos que parecem joias e o algodão branquinho rendendo sacos e mais sacos. A Laysla, nossa mulhé, trouxe do futuro um jeito de cuidar da terra que fez a gente virar referência até na capital. Ela ensinou a usar irrig

  • MÁQUINA DO DESEJO   87 - BENTO

    Hoje, meu peito tá inchado de orgulho, porque a nossa primeira grande colheita de café foi um sucesso danado, e a fazenda tá sendo falada como uma das mais prósperas da região. A Laysla, nossa mulhé, trouxe do futuro um saber que transformou nossa terra, e eu, junto com o Isidóro e o Téo, trabalhei duro pra ver esse dia chegar. Pra comemorar, preparei um banquete com a Laysla, e mesmo a tia Juliana não podendo vir, porque ficou com os netos no litoral, o primo João e a Clara, esposa dele, vieram pra partilhar a alegria. Vou contar tudo direitinho, com cada pedaço desse causo, porque um dia assim, com cheiro de café e futuro, merece ser guardado na alma. A manhã começou cedo, com o sol ainda tímido, espiando por trás das montanhas. O campo de café tava lindo, com os grãos vermelhos brilhando que nem rubi. Essa foi a primeira colheita grande desde que a Laysla nos convenceu, anos atrás, a plantar café e algodão. Ela trouxe ideias de 2025, como canais de irrigação com bambu, adubo or

  • MÁQUINA DO DESEJO   86 - ISIDÓRO

    Hoje, na formatura do Valério no ensino básico, meu peito tá tão inchado de orgulho que parece que vai estourar. Ele tá com 12 anos, mas já fala e age como se fosse homem feito, com uma inteligência que deixa até os doutores da cidade de queixo caído. A Laysla, nossa mulhé, tá com os olhos brilhando, e o Téo e o Bento, meus irmãos, tão tão orgulhosos quanto eu. Esse dia é especial, e vou contar tudo direitinho, com cada pedaço desse causo, porque ver meu filho subir no palco é como ver um pedaço do futuro que a Laysla trouxe pra nós. Era uma manhã de sol forte, em 1912, com o céu azulzão e um ventinho que balançava os pés de café da fazenda. A formatura do Valério seria no povoado, na escola que a gente ajudou a melhorar com o dinheiro do café e do algodão. Esses últimos anos foram de muito suor, mas também de muita alegria. A fazenda cresceu, virou referência na região, e a Laysla, com suas ideias do futuro, nos ensinou a plantar melhor, a guardar os grãos direito e a fazer a terr

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