MasukNão pensei nas armas, nem em quantos eram e muito menos no que poderia acontecer comigo. Só vi aquele desgraçado segurando Gabriela e avancei para cima dele.Consegui alcançá-lo, mas, antes que pudesse fazer qualquer coisa, outros homens vieram para cima de mim. Tentei me soltar, tomado por uma raiva que me fazia ignorar completamente o perigo, mas fui imobilizado. Ainda assim, continuei tentando avançar.— Solte-a, seu filho da puta!— Pai! — ouvi Gabriela gritar.Um golpe me atingiu e senti meu corpo perder o equilíbrio. Mesmo assim, tentei me levantar. Não conseguia aceitar que aquele homem levasse minha filha para dentro do quarto enquanto eu simplesmente obedecia e assistia.— Doutor, para! — Júlia gritou em desespero.Outro golpe veio, depois mais um. Minha visão começou a ficar turva, mas ainda procurei Gabriela. Ela continuava no corredor, completamente paralisada, olhando para mim como se não acreditasse no que estava vendo. Talvez, depois de tudo o que havia acontecido entre
— Queremos tudo de valor que tiver nessa casa — respondeu um deles. — Se colaborar, ninguém precisa se machucar mais.Assenti devagar. Naquele momento, pouco me importava com o que levariam. Dinheiro eu recuperaria, objetos poderiam ser comprados novamente. Só queria que saíssem dali sem machucar mais ninguém.Dois deles me agarraram pelos braços e me colocaram de pé.— Onde ficam as coisas de valor?— Dentro da casa.— Onde?— Tenho dinheiro no escritório. As joias e outras coisas ficam no meu quarto.O homem me encarou por alguns segundos.— Vai levar a gente até lá.— Tudo bem.— E não tenta nenhuma gracinha.— Não vou tentar nada. Podem levar o que quiserem.Antes de começar a andar, procurei Fabi com os olhos. Continuava caída, e aquilo fez meu peito doer. Fui empurrado em direção à casa. A cada passo, tentava controlar a raiva e pensar com clareza. Precisava descobrir onde Gabriela e Júlia estavam e ter certeza de que continuavam bem.Ao atravessarmos a porta, meus olhos percorr
Dante AlencarQuando minha filha me pediu para terminar com Fabi e mandá-la embora de casa, hesitei. Minha mente e meu coração não queriam aquilo de maneira alguma. Ainda não entendia e nem sabia explicar o que significava aquele sentimento, mas compreendia que Fabiane havia se tornado alguém importante para mim, alguém que eu não queria simplesmente descartar da minha vida.No entanto, aquela havia sido a primeira vez que Gabriela me pedia algo e explicava seus motivos sem gritar ou brigar. Talvez por isso, por impulso, eu tenha dito que faria o que ela queria, mas impus minhas condições.— Não posso terminar um noivado da noite para o dia. Sabe que tenho um nome a zelar e que prezo por isso tanto quanto pela minha própria vida. Além do mais, ainda tem o fato de Fabiane estar me ajudando com os escândalos envolvendo o meu nome.— Sempre você em primeiro lugar, não é? — zombou.— E quem mais me colocaria em primeiro lugar se não eu mesmo? — questionei.Ela ficou séria.— Posso fazer
Assim que ouvi minha própria voz, senti meu rosto esquentar. Eu tinha falado e não havia mais como voltar atrás. — O que disse? — perguntou, surpreso.— Por favor, não me faça repetir — pedi, nervosa.Sem coragem de continuar encarando-o, fiz menção de me levantar, mas Dante segurou minha mão antes que eu conseguisse fazer qualquer movimento.— Onde pensa que vai?— Para qualquer lugar onde eu não precise olhar para o seu rosto, depois do que acabei de falar.Ele riu.— Senta aqui.— Não.— Fabiane…— Sinto-me envergonhada.— Não precisa sentir-se assim.— Então solta a minha mão.— Também não.Tentei puxá-la, mas seus dedos continuaram envolvendo os meus.— Dante…— Olha para mim.— Não quero.— Fabi.Respirei fundo antes de finalmente criar coragem para encará-lo.— Você não faz ideia de quanto eu queria ouvir isso — confessou.Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ele me puxou para mais perto. Meu corpo foi de encontro ao seu e, no instante seguinte, seus lábios estavam sobre
Eu sabia muito bem o que poderia acontecer ali, mas não podia deixar.— Está louco? Meu sobrinho está deitado no cômodo ao lado.Só de imaginar que Vini poderia acordar a qualquer momento, já era suficiente para me fazer afastar aquela ideia da cabeça.— Mas eu só estou te chamando para tomar banho — comentou, com um sorriso que não tinha nada de inocente.— Eu conheço esse seu sorriso. Não se faça de bobo.— Que sorriso?— Esse aí.Tentei empurrá-lo para fora do banheiro, mas ele não se mexeu.— Está vendo coisas onde não existem, Fabiane.— Quer mesmo colocar a culpa em mim?Riu baixinho, mas depois ponderou. — Tudo bem — deu um passo para trás e segurou a porta. — Vou esperar você lá fora.— Ótimo.Fechei a porta e logo tomei meu banho. Quando saí do banheiro, dei mais uma olhada no meu sobrinho, que dormia tranquilamente, e só então fui procurar por Dante.Encontrei-o do lado de fora, próximo à piscina, sentado em uma das espreguiçadeiras. Aproximei-me devagar e, assim que me viu
Fiquei o restante da tarde com a minha mãe e estava planejando passar a noite no hospital também. No entanto, no início da noite, Viviane me ligou dizendo que iria para lá ficar com ela.— E o Vini? — perguntei, preocupada com meu sobrinho.— Você pode ficar com ele, não pode?— Sim, claro. — Pronto. Eu já estou acostumada a passar a noite acordada, então pode ir descansar. Amanhã eu pego ele e o Flávio vem ficar com a mãe. Assim você não perde seu dia de trabalho.Enquanto falava, percebi que minha irmã parecia mais calma. Não pediu desculpas pelo que havia dito mais cedo, muito menos tocou no assunto, mas pelo menos não estava me tratando como se eu fosse responsável por tudo o que aconteceu.— Tudo bem.Desliguei e permaneci com minha mãe até receber uma mensagem de Viviane avisando que havia chegado. Depois de me despedir dela, saí do quarto e segui pelo corredor. Ao chegar à sala de espera, encontrei Dante ainda ali.Por algum motivo, aquilo me surpreendeu. Depois de tantas hora







