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CAPÍTULO 28 — REGRAS DO JOGO

Author: Isa S
last update publish date: 2026-09-24 00:41:36

Anna

Assim que Gabriela virou as costas e se perdeu entre os convidados da cobertura, o ar ao nosso redor pareceu finalmente desobstruir. A presença sufocante daquela mulher deixava um rastro de perfume doce demais e uma provocação barata flutuando no espaço. No entanto, o alívio durou exatamente dois segundos — o tempo necessário para que Matteo se virasse completamente para mim, erguendo uma das sobrancelhas com uma expressão terrivelmente divertida.

Ele me encarou por um momento longo, avali
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    Matteo— Então o solteirão convicto finalmente resolveu sossegar? — debochou Luca, apoiando o cotovelo no balcão enquanto o barman finalizava o preparo dos drinks.Olhei para o meu irmão e apenas soltei uma risada baixa, balançando a cabeça sem me dar ao trabalho de responder. Luca sempre adorava criar teorias sobre a minha vida amorosa, mas dessa vez o brilho de curiosidade nos olhos dele era genuíno.— Você não tem medo de deixar a Anna conversando demais com a Gabriela? — emendou ele, acenando discretamente com o copo de uísque na direção da coluna decorativa. — Aquele terreno ali é minado, irmão.— Não se preocupe, Luca. Eu sei exatamente como andar em campo minado — respondi de forma despreocupada.Peguei as duas taças recém-preparadas sobre a bancada e virei-me, focando a minha atenção no ponto onde Anna estava. Como as duas eram modelos e pertenciam ao mesmo circuito de moda, imaginei que estivessem apenas trocando fofocas superficiais sobre desfiles, marcas ou bastidores. Mas

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    AnnaAssim que Gabriela virou as costas e se perdeu entre os convidados da cobertura, o ar ao nosso redor pareceu finalmente desobstruir. A presença sufocante daquela mulher deixava um rastro de perfume doce demais e uma provocação barata flutuando no espaço. No entanto, o alívio durou exatamente dois segundos — o tempo necessário para que Matteo se virasse completamente para mim, erguendo uma das sobrancelhas com uma expressão terrivelmente divertida.Ele me encarou por um momento longo, avaliando a minha postura defensiva, antes de quebrar o silêncio com a voz carregada de ironia:— Então você é modelo? — perguntou ele, o tom grave e pausado. — Por que mentiu para mim naquele táxi?Cruzei os braços sobre o peito, sustentando aquele olhar castanho e magnético que parecia querer ler até o meu último pensamento.— Eu não menti — respondi de imediato, mantendo o queixo erguido e a voz firme. — Apenas não tenho o hábito de sair distribuindo a minha biografia para um estranho que decide i

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    Anna— Como você pode ser tão cara de pau?! — murmurei em um tom ríspido, entredentes, para que apenas ele ouvisse. — Mentir assim, na cara dura, para o seu próprio irmão?!Eu estava possessa. A raiva borbulhava no meu peito com tanta força que senti minhas bochechas esquentarem. Minhas mãos tremiam levemente, não de medo, mas da mais pura indignação diante da petulância do homem à minha frente.— "Seja bem-vinda à família"?! Que família, Matteo?! — continuei, dando mais um passo em sua direção e espetando o dedo indicador contra o peito firme da camisa dele. — Eu mal conheço você! Nos cruzamos há poucos dias em uma corrida de táxi desastrosa e agora você me envolve nessa loucura? Você ficou completamente doido?Matteo não se abalou. Nem por um segundo. Ele apenas sustentou o meu olhar furioso com aquele sorriso de canto irritantemente sereno, como se a minha explosão fosse apenas uma brisa passageira. Sem pedir permissão, ele deu um passo à frente, encurtando a distância entre nós at

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    MatteoNo segundo exato em que o Lorenzo atravessou a porta social da minha cobertura, o mundo ao meu redor pareceu perder um pouco do volume. Eu estava encostado na bancada de mármore do bar, balançando suavemente o gelo no meu copo de uísque e ouvindo sem grande interesse alguma conversa sobre o mercado de ações, quando o meu olhar cruzou com o de quem entrava.E então, o tempo simplesmente parou.Minha mente deu um nó. A garota de pernas infinitas, olhos verdes faiscantes e um gênio insuportável — a mesma que tinha transformado uma simples corrida de táxi em um duelo de egos no meio do trânsito da cidade — estava ali. Parada na entrada da minha sala. Na minha casa.Não podia ser. A probabilidade daquilo acontecer era ridícula, beirando o absurdo, mas a realidade estava bem diante de mim, usando um vestido escuro que parecia ter sido moldado no corpo dela por um pintor obstinado.Descolei-me da bancada do bar sem pensar duas vezes. Abandonei a conversa e caminhei na direção deles co

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    Anna Acabei deixando o meu carro no estacionamento privativo do pavilhão. A ideia de dirigir tarde da noite enquanto minha cabeça fervilhava de paranoia não parecia das melhores, então aceitei a carona. Entramos no SUV preto do Lorenzo, e foi impossível não notar os olhares das outras modelos que saíam do evento enquanto o veículo arrancava suavemente. As garotas nos encaravam com uma mistura indisfarçável de inveja e curiosidade, tentando entender como havíamos saído dali acompanhadas por um homem que parecia ter saído direto da capa de uma revista de negócios. Acomodei-me no banco de trás, ajeitando a alça da minha bolsa sobre o colo. De onde eu estava, passei a observar atentamente a dinâmica entre Lorenzo e Samanta. O jeito como ele a olhava pelo espelho retrovisor, o tom de voz suave com que puxava assunto e o sorriso tímido que ela tentava disfarçar a cada elogio discreto... Ficou claro em questão de minutos: eu passaria a noite inteira segurando vela. Ainda assim, não me arre

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