MasukAnnaMatteo me carregou por todo o percurso até o nosso quarto com uma facilidade tão desconcertante que parecia que eu não pesava absolutamente nada em seus braços. À medida que cruzávamos os corredores e passávamos pelos hóspedes e funcionários no saguão, a minha pele queimava em um tom vermelho vivo de pura vergonha. Havia olhares curiosos, sorrisos cúmplices e cochichos por onde quer que passássemos, mas Matteo simplesmente ignorava tudo e todos ao redor, mantendo o olhar fixo em mim e um sorriso convencido nos lábios, como se carregar sua mulher nos braços no meio de um hotel de luxo fosse a coisa mais natural do mundo.Quando ele finalmente destravou a porta da nossa suíte com o cartão magnético, entrou e a fechou com o pé, um suspiro de alívio escapou do fundo do meu peito.Ele me levou até a cama king size e me colocou sobre o colchão macio com um cuidado extremo, como se eu fosse feita de cristal. Antes que eu pudesse protestar ou tentar me ajeitar, ele se ajoelhou no chão, à
AnnaDepois de cinco dias intensos, exaustivos e completamente frenéticos, o meu corpo parecia ter chegado ao limite absoluto da resistência humana. No segundo em que o meu último desfile na Semana de Moda de Nova York chegou ao fim, e o burburinho ensurdecedor da plateia começou a se transformar em conversas paralelas, eu sentia que simplesmente não me aguentava mais em pé. Meus pés queimavam dentro dos saltos vertiginosos da alta costura, cada músculo das minhas costas clamava por descanso e a minha mente estava anestesiada por tantos refletores, maquiagens pesadas e flashes ininterruptos.Eu caminhava lentamente pela lateral da área de eventos, tentando recuperar um pouco de ar, quando percebi uma movimentação atípica no acesso principal dos bastidores.Matteo tinha sido encurralado por uma pequena multidão de repórteres e cinegrafistas de grandes revistas de moda. A presença constante dele ao longo de todos os dias de desfile — sempre impecável na primeira fileira, concentrado e e
MatteoO som dos últimos aplausos ainda ressoava pelas paredes do galpão quando a iluminação principal começou a clarear o ambiente, dissipando o clima de mistério da passarela. Aos poucos, a plateia VIP começou a se dispersar, mas eu não tinha a menor pressa de sair dali. Ajustei a gola do meu terno, retirei o credenciamento do bolso e caminhei em direção à área restrita dos bastidores, onde a segurança controlava o acesso do público.Exibi o passe liberado por Jonas e passei sem qualquer questionamento pelos seguranças, caminhando pelo corredor movimentado onde maquiadores e produtores corriam contra o tempo para arrumar as araras de roupas.Não precisei andar muito para encontrar o que procurava. Anna vinha caminhando pelo corredor, abraçada de lado com a amiga, Amber. As duas riam abertamente de alguma piada interna, mas o que realmente roubou o meu fôlego foi ver o buquê monumental de rosas que eu havia mandado entregar na bancada dela. Anna segurava o arranjo gigante contra o pe
MatteoAinda sentia a adrenalina pulsando forte nas minhas veias enquanto assistia àquela van preta dobrar a esquina da calçada do hotel. O peito subia e descia em um ritmo descontrolado. Se eu não tivesse chegado no exato segundo em que cheguei, aquele metal pesado teria acertado a Anna em cheio. Bastavam mais dois milímetros e o impacto teria esmagado a mão dela e destruído todo o trabalho que ela vinha construindo com tanto suor.A fúria subiu pela minha garganta como fel. Como uma agência do porte daquela se permitia trabalhar com transporte executivo tão negligente? Como deixavam uma porta de correr pesada sem a trava de segurança adequada?Não esperei nem a van desaparecer do meu campo de visão. Peguei o celular no bolso e disquei o número de Jonas sem hesitar um único segundo.— Bianchi? Aconteceu alguma coisa? — atendeu Jonas ao segundo toque, o tom calmo de quem organizava grandes eventos internacionais.— Jonas, que porcaria de transporte vocês contrataram para levar as mode
AnnaA manhã gelada de Nova York parecia soprar uma brisa ainda mais áspera na calçada do hotel. A van preta da agência nos aguardava com o motor ligado no meio-fio, mas a presença de Gabriela a poucos passos de mim transformava qualquer ar puro em pura tensão.Enquanto as outras meninas começavam a se acomodar no veículo, Gabriela deu dois passos na minha direção. Ela ajustou os óculos escuros no topo da cabeça, revelando olhos afiados que me examinavam com um misto indecifrável de inveja e indignação.— Me diz uma coisa, Anna... — soltou ela, cruzando os braços e adotando aquele tom de falsa intimidade que me dava cansaço. — O que exatamente você fez para fisgar o Matteo Bianchi? O solteiro mais cobiçado do país? Não é possível que tenha sido só o charme de modelo.Respirei fundo, mantendo a postura ereta. Nossa relação nunca tinha sido segredo para ninguém: eu não gostava dela, ela detestava a minha existência, mas Gabriela parecia ter um vício doentio em gravitar ao meu redor, agi
AnnaA manhã em Nova York chegou preguiçosa, mansamente envelopada por uma luz dourada e suave que atravessava as frestas das cortinas de veludo da suíte. A sensação de acolhimento era absoluta, o tipo de preguiça boa que só existe depois de uma noite inteira de entregas, sussurros e amor.Ainda de olhos fechados, com o corpo relaxado e afundado no colchão ultra macio, estendi o braço tateando o lençol de linho à procura daquele calor velado, do peito largo e firme ao qual eu tinha me acostumado a me agarrar. Mas os meus dedos só encontraram o tecido frio e vazio.Estranhei imediatamente. Desde que começamos a dormir juntos, Matteo sempre foi o último a levantar. Ele adorava aqueles minutos preguiçosos do início do dia, mantendo-me presa contra o seu corpo com o braço pesado na minha cintura, inventando desculpas roucas perto da minha orelha para adiar qualquer compromisso por mais meia hora.Soltei um gemido baixo e arrastado de pura frustração, cobrindo o rosto com o travesseiro ant







