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CAPÍTULO 58 — A MANHÃ SEGUINTE

Author: Isa S
last update publish date: 2026-10-02 00:47:50

Anna

A manhã em Nova York chegou preguiçosa, mansamente envelopada por uma luz dourada e suave que atravessava as frestas das cortinas de veludo da suíte. A sensação de acolhimento era absoluta, o tipo de preguiça boa que só existe depois de uma noite inteira de entregas, sussurros e amor.

Ainda de olhos fechados, com o corpo relaxado e afundado no colchão ultra macio, estendi o braço tateando o lençol de linho à procura daquele calor velado, do peito largo e firme ao qual eu tinha me acostumad
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    MatteoAinda sentia a adrenalina pulsando forte nas minhas veias enquanto assistia àquela van preta dobrar a esquina da calçada do hotel. O peito subia e descia em um ritmo descontrolado. Se eu não tivesse chegado no exato segundo em que cheguei, aquele metal pesado teria acertado a Anna em cheio. Bastavam mais dois milímetros e o impacto teria esmagado a mão dela e destruído todo o trabalho que ela vinha construindo com tanto suor.A fúria subiu pela minha garganta como fel. Como uma agência do porte daquela se permitia trabalhar com transporte executivo tão negligente? Como deixavam uma porta de correr pesada sem a trava de segurança adequada?Não esperei nem a van desaparecer do meu campo de visão. Peguei o celular no bolso e disquei o número de Jonas sem hesitar um único segundo.— Bianchi? Aconteceu alguma coisa? — atendeu Jonas ao segundo toque, o tom calmo de quem organizava grandes eventos internacionais.— Jonas, que porcaria de transporte vocês contrataram para levar as mode

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    AnnaA manhã gelada de Nova York parecia soprar uma brisa ainda mais áspera na calçada do hotel. A van preta da agência nos aguardava com o motor ligado no meio-fio, mas a presença de Gabriela a poucos passos de mim transformava qualquer ar puro em pura tensão.Enquanto as outras meninas começavam a se acomodar no veículo, Gabriela deu dois passos na minha direção. Ela ajustou os óculos escuros no topo da cabeça, revelando olhos afiados que me examinavam com um misto indecifrável de inveja e indignação.— Me diz uma coisa, Anna... — soltou ela, cruzando os braços e adotando aquele tom de falsa intimidade que me dava cansaço. — O que exatamente você fez para fisgar o Matteo Bianchi? O solteiro mais cobiçado do país? Não é possível que tenha sido só o charme de modelo.Respirei fundo, mantendo a postura ereta. Nossa relação nunca tinha sido segredo para ninguém: eu não gostava dela, ela detestava a minha existência, mas Gabriela parecia ter um vício doentio em gravitar ao meu redor, agi

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    AnnaA manhã em Nova York chegou preguiçosa, mansamente envelopada por uma luz dourada e suave que atravessava as frestas das cortinas de veludo da suíte. A sensação de acolhimento era absoluta, o tipo de preguiça boa que só existe depois de uma noite inteira de entregas, sussurros e amor.Ainda de olhos fechados, com o corpo relaxado e afundado no colchão ultra macio, estendi o braço tateando o lençol de linho à procura daquele calor velado, do peito largo e firme ao qual eu tinha me acostumado a me agarrar. Mas os meus dedos só encontraram o tecido frio e vazio.Estranhei imediatamente. Desde que começamos a dormir juntos, Matteo sempre foi o último a levantar. Ele adorava aqueles minutos preguiçosos do início do dia, mantendo-me presa contra o seu corpo com o braço pesado na minha cintura, inventando desculpas roucas perto da minha orelha para adiar qualquer compromisso por mais meia hora.Soltei um gemido baixo e arrastado de pura frustração, cobrindo o rosto com o travesseiro ant

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    AnnaO calor do abraço do Matteo ainda parecia queimar na minha pele quando entramos no elevador do rooftop. A sensação de ter o seu anel de compromisso reluzindo no meu dedo anelar era tão física, tão concreta, que eu me pegava olhando para a minha mão a cada três segundos, com o coração pulando no peito como o de uma adolescente apaixonada. Ele mantinha o braço pesado e protetor ao redor dos meus ombros, puxando-me para o seu corpo enquanto a cabine envidraçada começava a sua descida lenta em direção aos andares dos quartos.— Você ainda está flutuando? — murmurou ele contra o meu cabelo, a voz grave vibrou diretamente na minha nuca.— Acho que vou continuar flutuando por uma semana inteira, Bianchi — respondi, apoiando a cabeça no peito dele e ouvindo a batida pausada e forte do seu coração. — Você não existe. Tudo aquilo lá em cima... foi surreal.Matteo soltou uma risada baixa, aquele som gostoso e rouco que desmontava qualquer resquício da minha postura. Ele se inclinou e deposi

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    AnnaNova York nos recebeu com o seu ritmo frenético e inconfundível. Assim que a aeronave pousou no aeroporto privado e fomos levados até o hotel de luxo no coração de Manhattan, mal tivemos tempo de respirar. O itinerário da viagem era apertado: Matteo aproveitaria para se reunir com executivos e investidores americanos para alinhar a expansão da ArmorRoute, enquanto o meu cronograma exigia uma presença imediata na sede da agência parceira para os ajustes de última hora das peças que eu desfilaria na Semana de Moda.Nos despedimos ainda no lobby com um beijo rápido, mas carregado de promessas. Ele seguiu para o centro financeiro e eu fui direto para o estúdio de alta-costura.A minha tarde foi uma verdadeira maratona. Passei horas em pé, cercada por alfinetes, estilistas agitados, metros de tecidos nobres e maquiadores alinhando o conceito da coleção. Era um ambiente caótico, mas que eu amava profundamente. Pela primeira vez em muito tempo, minha mente estava cem por cento focada na

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    AnnaOs dias seguintes passaram em um ritmo surpreendentemente leve. Aos poucos, fui me acostumando com a ideia de ter uma rotina de verdade ao lado de Matteo — sem fingimentos e sem a sombra constante do medo. Mário parecia ter finalmente me deixado em paz, sumindo nos bastidores da própria sujeira, o que me deu o respiro que eu tanto precisava para focar exclusivamente na minha carreira.Quando a semana da viagem chegou, o clima deu lugar à empolgação de cruzar o oceano. Matteo fez questão absoluta de que eu fizesse o trajeto para os Estados Unidos no seu jatinho particular. Era a minha primeira vez voando em um jato privado, e não pude evitar o impacto ao cruzar a porta da aeronave.O interior era a definição de luxo discreto e elegante: poltronas de couro bege absurdamente macias, acabamento em madeira nobre, iluminação suave e um espaço que fazia qualquer primeira classe de avião comercial parecer pequena.Assim que nos acomodamos confortavelmente nas poltronas principais, a aero

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