LOGINAnnaA campainha tocou antes mesmo que eu conseguisse colocar as coisas da segunda mala de roupa de volta no cabide. A porta do meu apartamento se abriu com o baque seco da chave girando, e Emma atravessou a entrada como um verdadeiro furacão de curiosidade e energia.Ela nem sequer tirou os sapatos ou largou a bolsa direito no aparador. Parou no meio do corredor, cruzou os braços sobre o peito e me encarou de cima a baixo com um olhar clínico, os olhos semicerrados e as sobrancelhas erguidas em um arco inquisidor.— Pode ir parando tudo e abrindo a boca, dona Anna! — disparou Emma, sem um pingo de cerimônia, enquanto caminhava a passos firmes na minha direção. — Agora você vai me contar cada detalhe. Conheceu algum gringo lindo nesse desfile em Nova York? Porque você está com uma cara completamente diferente... Uma cara inconfundível de quem transou a viagem inteira!Senti minhas bochechas queimarem instantaneamente. Soltei uma gargalhada alta, balançando a cabeça diante da falta de
AnnaO ar abafado e característico da cidade nos recebeu assim que os portões do aeroporto se abriram. O contraste com o clima ameno de Nova York foi imediato, mas nada parecia mais quente do que o olhar que Matteo sustentava sobre mim enquanto colocava as últimas malas no porta-malas do carro.Assim que entramos no veículo e ele deu a partida, bastou uma olhada de relance para o banco do motorista para ver Matteo me encarando com aquela clássica expressão de cachorro que caiu da mudança. Os lábios levemente curvados para baixo e os olhos azuis num tom pidão impecável.— Tem certeza de que você não quer mudar de ideia e ir direto para o meu apartamento? — perguntou ele, fazendo um bico dramático enquanto manobrava o carro para sair do aeroporto. — O meu colchão é infinitamente melhor, o silêncio é perfeito e eu garanto que faço um café da manhã muito mais gostoso do que qualquer coisa que você tenha na sua despensa agora.Soltei uma risada curta, balançando a cabeça diante do showzinh
LúciaDesde aquela noite terrível naquele quarto de hotel, semanas atrás, o meu mundo se reduziu a um campo de minas. Viver sob o mesmo teto que Mário deixou de ser um casamento falido para se tornar uma questão estrita de sobrevivência. Eu sabia, com cada fibra do meu corpo, que não podia simplesmente pedir o divórcio. Um homem doentio e orgulhoso como ele jamais aceitaria ser deixado; ele me destruiria, me deixaria na miséria ou faria algo muito pior antes de assinar qualquer papel.Por isso, precisei agir com uma sabedoria fria, calculada e quase desesperada. E para derrotar um monstro, fui obrigada a procurar ajuda justamente no lugar que Mário mais odiava: o lado inimigo.A salvação para o meu pesadelo começou a se desenhar quando Luca e Matteo Bianchi se uniram contra ele. Usando manobras societárias, os dois conseguiram arrancar Mário da diretoria da empresa, empurrando-o para uma aposentadoria compulsória. A humilhação de ter sido expulso do próprio império alimentou ainda mai
AnnaMatteo me carregou por todo o percurso até o nosso quarto com uma facilidade tão desconcertante que parecia que eu não pesava absolutamente nada em seus braços. À medida que cruzávamos os corredores e passávamos pelos hóspedes e funcionários no saguão, a minha pele queimava em um tom vermelho vivo de pura vergonha. Havia olhares curiosos, sorrisos cúmplices e cochichos por onde quer que passássemos, mas Matteo simplesmente ignorava tudo e todos ao redor, mantendo o olhar fixo em mim e um sorriso convencido nos lábios, como se carregar sua mulher nos braços no meio de um hotel de luxo fosse a coisa mais natural do mundo.Quando ele finalmente destravou a porta da nossa suíte com o cartão magnético, entrou e a fechou com o pé, um suspiro de alívio escapou do fundo do meu peito.Ele me levou até a cama king size e me colocou sobre o colchão macio com um cuidado extremo, como se eu fosse feita de cristal. Antes que eu pudesse protestar ou tentar me ajeitar, ele se ajoelhou no chão, à
AnnaDepois de cinco dias intensos, exaustivos e completamente frenéticos, o meu corpo parecia ter chegado ao limite absoluto da resistência humana. No segundo em que o meu último desfile na Semana de Moda de Nova York chegou ao fim, e o burburinho ensurdecedor da plateia começou a se transformar em conversas paralelas, eu sentia que simplesmente não me aguentava mais em pé. Meus pés queimavam dentro dos saltos vertiginosos da alta costura, cada músculo das minhas costas clamava por descanso e a minha mente estava anestesiada por tantos refletores, maquiagens pesadas e flashes ininterruptos.Eu caminhava lentamente pela lateral da área de eventos, tentando recuperar um pouco de ar, quando percebi uma movimentação atípica no acesso principal dos bastidores.Matteo tinha sido encurralado por uma pequena multidão de repórteres e cinegrafistas de grandes revistas de moda. A presença constante dele ao longo de todos os dias de desfile — sempre impecável na primeira fileira, concentrado e e
MatteoO som dos últimos aplausos ainda ressoava pelas paredes do galpão quando a iluminação principal começou a clarear o ambiente, dissipando o clima de mistério da passarela. Aos poucos, a plateia VIP começou a se dispersar, mas eu não tinha a menor pressa de sair dali. Ajustei a gola do meu terno, retirei o credenciamento do bolso e caminhei em direção à área restrita dos bastidores, onde a segurança controlava o acesso do público.Exibi o passe liberado por Jonas e passei sem qualquer questionamento pelos seguranças, caminhando pelo corredor movimentado onde maquiadores e produtores corriam contra o tempo para arrumar as araras de roupas.Não precisei andar muito para encontrar o que procurava. Anna vinha caminhando pelo corredor, abraçada de lado com a amiga, Amber. As duas riam abertamente de alguma piada interna, mas o que realmente roubou o meu fôlego foi ver o buquê monumental de rosas que eu havia mandado entregar na bancada dela. Anna segurava o arranjo gigante contra o pe







