FAZER LOGINAnnaNova York nos recebeu com o seu ritmo frenético e inconfundível. Assim que a aeronave pousou no aeroporto privado e fomos levados até o hotel de luxo no coração de Manhattan, mal tivemos tempo de respirar. O itinerário da viagem era apertado: Matteo aproveitaria para se reunir com executivos e investidores americanos para alinhar a expansão da ArmorRoute, enquanto o meu cronograma exigia uma presença imediata na sede da agência parceira para os ajustes de última hora das peças que eu desfilaria na Semana de Moda.Nos despedimos ainda no lobby com um beijo rápido, mas carregado de promessas. Ele seguiu para o centro financeiro e eu fui direto para o estúdio de alta-costura.A minha tarde foi uma verdadeira maratona. Passei horas em pé, cercada por alfinetes, estilistas agitados, metros de tecidos nobres e maquiadores alinhando o conceito da coleção. Era um ambiente caótico, mas que eu amava profundamente. Pela primeira vez em muito tempo, minha mente estava cem por cento focada na
AnnaOs dias seguintes passaram em um ritmo surpreendentemente leve. Aos poucos, fui me acostumando com a ideia de ter uma rotina de verdade ao lado de Matteo — sem fingimentos e sem a sombra constante do medo. Mário parecia ter finalmente me deixado em paz, sumindo nos bastidores da própria sujeira, o que me deu o respiro que eu tanto precisava para focar exclusivamente na minha carreira.Quando a semana da viagem chegou, o clima deu lugar à empolgação de cruzar o oceano. Matteo fez questão absoluta de que eu fizesse o trajeto para os Estados Unidos no seu jatinho particular. Era a minha primeira vez voando em um jato privado, e não pude evitar o impacto ao cruzar a porta da aeronave.O interior era a definição de luxo discreto e elegante: poltronas de couro bege absurdamente macias, acabamento em madeira nobre, iluminação suave e um espaço que fazia qualquer primeira classe de avião comercial parecer pequena.Assim que nos acomodamos confortavelmente nas poltronas principais, a aero
AnnaAntes que eu pudesse formular qualquer frase sobre a distância, Matteo tomou a minha boca em um beijo lento, quente e profundo. As mãos dele desceram das minhas costas para a minha cintura, apertando-me contra o seu corpo com uma firmeza quase possessiva, como se quisesse apagar com toque qualquer quilômetro que ousasse se colocar entre nós.Quando nossos lábios finalmente se separaram, ele não me libertou. Deslizou a boca pela minha mandíbula, roçando os lábios no meu pescoço e descendo até o meu colo, onde depositou um beijo demorado sobre a minha pele arrepiada.— Tudo bem — murmurou ele contra o meu peito, a voz abafada e num tom surpreendentemente calmo. — Eu vou junto com você.Espantei-me tanto com a resposta dele que dei um leve empurrão em seus ombros para conseguir encará-lo de frente.— Você o quê?! — perguntei, franzindo a testa e soltando uma risada incrédula. — Matteo, você tem sua empresa para gerenciar aqui! Você não pode simplesmente largar tudo e ir para Nova Yo
AnnaAssim que a porta da frente se fechou e o estalo da tranca ressoou pelo corredor, fiquei parada no meio da sala por longos segundos, encarando o vazio com um sorriso abobalhado e completamente ridículo nos lábios.Passei as mãos pelo rosto, soltando um suspiro pesado enquanto a realidade batia à porta.Fodeu, pensei, sentindo o estômago dar um nó. Tudo foi absolutamente para as cucunhas.Aquele homem havia destruído, uma por uma, todas as barreiras emocionais que eu passei anos erguendo com tanto custo. E o pior de tudo era que ele encenava aquele papel de namorado com uma perfeição tão assustadora que eu já não fazia a menor ideia de onde terminava o nosso acordo e onde começava a vida real. Eu estava caminhando em um terreno minado, de olhos vendados, sabendo que a qualquer momento tudo poderia explodir na minha cara.Mas eu precisava retomar o controle. Tratei de balançar a cabeça, espantando aqueles pensamentos.— Chega, Anna — murmurei para a sala vazia, impondo firmeza a mi
AnnaAcordei na manhã seguinte com o som insistente e estridente do meu celular tocando sobre o criado-mudo. A claridade suave da manhã começava a invadir o quarto através das frestas da cortina, desenhando linhas douradas sobre o lençol bagunçado. Antes mesmo de abrir os olhos completamente, senti o peso morno e possessivo da perna de Matteo jogada por cima das minhas coxas. Estávamos completamente pelados, com a pele ainda quente e marcada pelo suor daquela noite insana, onde tínhamos nos devorado até a exaustão.O aparelho continuava a vibrar, quebrando o silêncio do ambiente. Estiquei o braço devagar, evitando fazer movimentos bruscos, e peguei o telefone com um aperto no peito, tomado pelo receio instantâneo de ver o nome de Mário ou de algum número desconhecido na tela. Quando finalmente virei o visor para o meu rosto, o ar voltou aos meus pulmões. Era Emma.Respirei fundo, pigarreei para disfarçar a rouquidão e atendi com a voz ainda embotada pelo sono.— Alô?...— Prima! Meu D
MatteoA tensão dentro daquele apartamento era algo quase físico, uma carga elétrica tão densa que pesava no ar e dificultava até o ato de respirar. Eu estava ali, parado na penumbra do hall de entrada, um homem de trinta e cinco anos habituado a comandar reuniões, a fechar acordos milionários e a manter o controle absoluto sobre cada aspecto da minha vida... praticamente implorando por sexo.Aquela mulher me enlouquecia de uma forma que desafiava a minha própria lógica. Por mais que ela tentasse impor barreiras, por mais que erguesse muros e resistisse com unhas e dentes, eu continuava me colocando naquela posição de vulnerabilidade, quase me humilhando por um punhado de atenção dela. A que ponto eu tinha chegado? Passei a vida inteira estabelecendo regras rígidas de convivência, mantendo distância emocional de qualquer relacionamento, e agora me pegava quebrando cada uma das minhas leis sagradas, implorando para que ela não me mandasse embora.E então, quando ela encarou a minha boc







