登入AnnaO silêncio que se instalou no carro logo após a porta se fechar e Emma acenar antes de desaparecer no hall do seu prédio era quase denso. O trajeto até ali tinha sido marcado pela empolgação da minha prima, que passou o caminho inteiro rasgando elogios ao Matteo e fazendo piadas sobre o nosso namoro. No entanto, assim que ficamos a sós, a tensão que eu vinha acumulando na calçada do bar voltou com força total.Matteo manobrou com a habilidade de sempre, olhando pelo retrovisor antes de engatar a marcha e voltar para a avenida. Ele deslizou uma das mãos pelo console central, buscando meus dedos, mas mantive meus braços cruzados sobre o peito, encarando o trânsito lá fora.— Na sua casa ou na minha? — perguntou ele, a voz calma, grave e baixa, carregada daquele tom casual de quem sabia exatamente o poder que exercia sobre mim.— Na minha — respondi, seca, sem esconder a irritação.Matteo deu um sorriso de lado, soltando um suspiro divertido pelo nariz.— Ei... Deu tudo certo, meu a
AnnaO ar fresco da noite nos atingiu assim que pusemos os pés fora do táxi, logo na calçada do bar. As luzes amareladas do letreiro piscavam, projetando uma atmosfera viva e acolhedora sobre as mesas externas, que já começavam a lotar. O som abafado da música ao vivo vazava pelas janelas de vidro, misturando-se ao burburinho alegre dos clientes e ao barulho dos copos brindando.Emma trazia o celular empunhado na mão direita e os polegares voavam pela tela enquanto caminhávamos em direção à recepção do estabelecimento.— A Beth acabou de mandar mensagem — avisou Emma, erguendo os olhos do aparelho e ajeitando a alça da bolsa no ombro. — Ela já está chegando com a Samanta, vamos garantindo uma mesa grande perto do lounge. Ah, e mandou avisar que o irmão dela, o Gabriel, está vindo pra cá também e vai trazer uns amigos dele.Parei por um segundo na entrada, olhando para o movimento do bar e sentindo uma onda inesperada de expectativa no peito. A conversa com a Emma no meu apartamento ti
AnnaA campainha tocou antes mesmo que eu conseguisse colocar as coisas da segunda mala de roupa de volta no cabide. A porta do meu apartamento se abriu com o baque seco da chave girando, e Emma atravessou a entrada como um verdadeiro furacão de curiosidade e energia.Ela nem sequer tirou os sapatos ou largou a bolsa direito no aparador. Parou no meio do corredor, cruzou os braços sobre o peito e me encarou de cima a baixo com um olhar clínico, os olhos semicerrados e as sobrancelhas erguidas em um arco inquisidor.— Pode ir parando tudo e abrindo a boca, dona Anna! — disparou Emma, sem um pingo de cerimônia, enquanto caminhava a passos firmes na minha direção. — Agora você vai me contar cada detalhe. Conheceu algum gringo lindo nesse desfile em Nova York? Porque você está com uma cara completamente diferente... Uma cara inconfundível de quem transou a viagem inteira!Senti minhas bochechas queimarem instantaneamente. Soltei uma gargalhada alta, balançando a cabeça diante da falta de
AnnaO ar abafado e característico da cidade nos recebeu assim que os portões do aeroporto se abriram. O contraste com o clima ameno de Nova York foi imediato, mas nada parecia mais quente do que o olhar que Matteo sustentava sobre mim enquanto colocava as últimas malas no porta-malas do carro.Assim que entramos no veículo e ele deu a partida, bastou uma olhada de relance para o banco do motorista para ver Matteo me encarando com aquela clássica expressão de cachorro que caiu da mudança. Os lábios levemente curvados para baixo e os olhos azuis num tom pidão impecável.— Tem certeza de que você não quer mudar de ideia e ir direto para o meu apartamento? — perguntou ele, fazendo um bico dramático enquanto manobrava o carro para sair do aeroporto. — O meu colchão é infinitamente melhor, o silêncio é perfeito e eu garanto que faço um café da manhã muito mais gostoso do que qualquer coisa que você tenha na sua despensa agora.Soltei uma risada curta, balançando a cabeça diante do showzinh
LúciaDesde aquela noite terrível naquele quarto de hotel, semanas atrás, o meu mundo se reduziu a um campo de minas. Viver sob o mesmo teto que Mário deixou de ser um casamento falido para se tornar uma questão estrita de sobrevivência. Eu sabia, com cada fibra do meu corpo, que não podia simplesmente pedir o divórcio. Um homem doentio e orgulhoso como ele jamais aceitaria ser deixado; ele me destruiria, me deixaria na miséria ou faria algo muito pior antes de assinar qualquer papel.Por isso, precisei agir com uma sabedoria fria, calculada e quase desesperada. E para derrotar um monstro, fui obrigada a procurar ajuda justamente no lugar que Mário mais odiava: o lado inimigo.A salvação para o meu pesadelo começou a se desenhar quando Luca e Matteo Bianchi se uniram contra ele. Usando manobras societárias, os dois conseguiram arrancar Mário da diretoria da empresa, empurrando-o para uma aposentadoria compulsória. A humilhação de ter sido expulso do próprio império alimentou ainda mai
AnnaMatteo me carregou por todo o percurso até o nosso quarto com uma facilidade tão desconcertante que parecia que eu não pesava absolutamente nada em seus braços. À medida que cruzávamos os corredores e passávamos pelos hóspedes e funcionários no saguão, a minha pele queimava em um tom vermelho vivo de pura vergonha. Havia olhares curiosos, sorrisos cúmplices e cochichos por onde quer que passássemos, mas Matteo simplesmente ignorava tudo e todos ao redor, mantendo o olhar fixo em mim e um sorriso convencido nos lábios, como se carregar sua mulher nos braços no meio de um hotel de luxo fosse a coisa mais natural do mundo.Quando ele finalmente destravou a porta da nossa suíte com o cartão magnético, entrou e a fechou com o pé, um suspiro de alívio escapou do fundo do meu peito.Ele me levou até a cama king size e me colocou sobre o colchão macio com um cuidado extremo, como se eu fosse feita de cristal. Antes que eu pudesse protestar ou tentar me ajeitar, ele se ajoelhou no chão, à







