MasukMatteoEu não aguentava mais aquela situação com a Anna. A sensação de impotência era um veneno que queimava lentamente as minhas entranhas, consumindo cada segundo dos meus dias desde que aquela espiral de caos tinha se instalado em nossas vidas.O tempo que precisei passar na Itália demorou pelo menos três vezes mais do que o esperado. O planejado era uma viagem rápida, de poucos dias, apenas para resolver pendências urgentes e retornar ao Brasil para me colocar como um escudo ao lado da mulher que eu amava. No entanto, a burocracia do mundo corporativo e jurídico e o fuso horário pareciam jogar contra mim. Os advogados eram categóricos em cada reunião de emergência em Roma: por se tratar também de investigações e processos de fraudes financeiras internacionais, a minha presença física era indispensável para assinar documentos, prestar depoimentos formais perante as autoridades europeias e garantir que nenhuma brecha ficasse aberta.Para completar a pressão sobre o meu peito, ainda
AnnaOs dias que se seguiram passaram como uma névoa densa de caos. Parecia que o tempo tinha se desacelerado e, ao mesmo tempo, acelerado em um ritmo ensurdecedor, transformando a minha rotina em uma tempestade contínua de incertezas. Tudo à minha volta parecia fora do lugar, despedaçado ou à beira do colapso.A dor de ver a Samanta passar por tudo aquilo me rasgava por dentro. Minha amiga estava fugindo, grávida e desamparada, escondendo-se do julgamento cego e impiedoso do Lorenzo. A sensação de impotência me sufocava a cada hora do dia; eu sabia que, de alguma forma, a poeira do meu passado tinha ajudado a alimentar aquele incêndio, e ver a mulher que eu amava como uma irmã ter que se isolar do mundo com um bebê no ventre era um fardo pesado demais para carregar.Para completar a espiral de loucura, eu simplesmente não conseguia ter uma conversa serena com o Matteo. Ele tinha retornado ao Brasil exatamente no mesmo dia em que a Samanta partiu, como se o destino estivesse jogando o
AnnaA noite na casa da Beth foi um divisor de águas que eu jamais esquecerei. Depois de todas as confissões dolorosas, das lágrimas convulsivas que lavaram a sala e de expor o lado mais sombrio da minha alma, uma sensação inédita de paz finalmente começou a se alojar no meu peito. Eu abri o meu coração sem reservas. Contei às meninas sobre o trabalho de acompanhante que aceitei fazer no passado — uma decisão inconsequente, movida pelo desejo cego de vingança e pela necessidade tóxica de alimentar uma ferida que eu achava que precisava fechar a qualquer custo.Confessei o meu arrependimento amargo. Doía demais perceber que as escolhas impensadas do meu passado estavam cruzando o presente e afetando diretamente o futuro de pessoas que eu amava com todas as minhas forças. Eu esperava qualquer coisa: julgamento, afastamento, choque ou até mesmo o silêncio punitivo. No entanto, o que recebi daquelas mulheres foi um abraço coletivo tão apertado que parecia colar os meus cacos.Choramos jun
AnnaDepois de ouvir a voz de Matteo do outro lado da linha, o meu sangue simplesmente transformou-se em labaredas. A explicação dele sobre como o Lorenzo o colocou contra a parede, exigindo respostas e descobrindo trechos distorcidos do meu passado, só serviu para acender em mim uma fúria descontrolada. Matteo tentou me acalmar, tentou dizer que não teve escolha, mas a verdade era uma só: a bomba tinha estourado da pior maneira possível.Desliguei na cara dele sem pensar duas vezes. Minhas mãos tremiam tanto que mal consegui discar o número da Samanta. Tentei avisá-la, tentei correr contra o tempo para dar a ela o contexto antes que o julgamento cruel do Lorenzo a atingisse como um trator, mas já era tarde demais. O estrago entre eles já estava feito, e a sensação de impotência que me invadiu foi como um soco no estômago.O meu mundo estava desabando. E o pior de tudo, o que destruía os meus pulmões e me tirava o ar, era perceber que o meu passado sombrio não estava mais queimando ap
Anna — Pelo visto, ele decidiu que quer ir para casa com você — o atendente comentou, dando uma risadinha nervosa enquanto continuava tentando, sem sucesso, tirar os dentes do filhote da barra da minha blusa. Aquelas palavras me pegaram de surpresa. Olhei para o rapaz com uma mistura de choque e indignação, cruzando os braços do jeito que dava. — Vocês vendem animais aqui? — perguntei, o tom de voz subindo um tom sem que eu conseguisse conter. Sempre fui terminantemente contra o comércio de animais. A ideia de transformar vidas em mercadoria na vitrine de um shopping ou de um pet shop de luxo me causava um nó no estômago, e ver um filhote tão pequeno sendo tratado como um produto em exposição me deixou profundamente incomodada. O atendente arregalou os olhos, percebendo o meu tom, e tratou de balançar as mãos rapidamente em sinal de negação. — Não! Não, de jeito nenhum, senhorita! Nós não vendemos animais aqui — explicou ele apressadamente, visivelmente constrangido. — Esse peque
AnnaJá fazia quase três semanas que o Matteo estava na Itália. Três semanas inteiras em que a minha vida parecia ter entrado em uma espécie de órbita paralela, suspensa no tempo. Eu não atendia às ligações dele. A verdade é que era uma verdadeira tortura ouvir a voz dele do outro lado da linha. Cada vez que o nome dele brilhava na tela do meu celular, meu peito se apertava de uma forma tão dolorosa que parecia sufocar todo o ar dos meus pulmões. Ouvir aquela voz, a respiração dele, a forma como ele dizia o meu nome... tudo isso reabria as feridas que eu tentava desesperadamente estancar.No entanto, a minha recusa em atender não o impedia de insistir. Como se estivesse obstinado a se manter presente a qualquer custo, Matteo fazia questão de deixar todos os dias mensagens de voz ou de texto no meu celular. Se eu acordava, lá estava uma notificação dele. Se eu ia dormir, outra mensagem aguardava na caixa de entrada. Aquilo estava se tornando profundamente irritante. Ele simplesmente nã







