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Capítulo 3

作者: Beringela
Quando eu aguardava que o Dr. Dante aprofundasse o tratamento, ele retirou a mão de repente.

— Já chega. — A voz saiu rouca.

A interrupção brusca me deixou oca por dentro.

O calor que ele tinha provocado não diminuiu; pelo contrário, se espalhou como fogo solto pelo corpo inteiro. Eu ansiava por um alívio mais profundo, por ser preenchida, dominada até o limite.

— Pelos exames, se trata de um quadro típico de desregulação hormonal.

Ele ajeitou os óculos que tinham escorregado. A manga do jaleco apresentava leves marcas de umidade.

— Um aumento anormal do estrogênio pode intensificar... certas necessidades fisiológicas.

Fiquei imóvel.

Então aqueles desejos inconfessáveis, aquelas noites em claro, não eram apenas devaneios?

Talvez por isso as outras meninas do dormitório falassem de namoro com tanta reserva, enquanto minha mente se afogava em imagens cruas de corpos e entrega.

— E... Dr. Dante... como se trata isso? — Perguntei, incapaz de sustentar o olhar dele.

— Massagens associadas à medicação. — A voz se aproximou de repente. O hálito quente roçou atrás da minha orelha. — O tratamento começa agora.

— Ah?

Levantei a cabeça às pressas, e meus lábios acabaram roçando na coxa dele.

Mesmo através do tecido da calça social, senti o desenho firme do músculo.

O cheiro denso de masculinidade me deixou tonta. Entre as pernas, surgiu uma coceira impossível de ignorar.

A respiração dele se tornou pesada.

De repente, mãos grandes prenderam minha cintura e me empurraram de volta à maca. O lençol rangiu sob o peso.

— Não se mexa. — A voz desceu a um tom perigoso. — O tratamento exige cooperação.

Ouvi o zíper da saia deslizar.

O ar frio tocou minhas costas por um instante, logo substituído por um calor intenso.

A palma dele estava em brasa, subindo devagar da curva da cintura, se demorando nas escápulas.

— A pele é tão branca... — Murmurou. Os dedos apertaram de súbito. — Parece creme fresco, recém-batido.

A comparação fez minhas orelhas queimarem.

Quando aquelas mãos alcançaram um ponto específico, uma descarga violenta atravessou minha coluna, e estremeci sem qualquer controle.

Uma umidade quente colou de repente na minha nuca.

A língua dele — ágil como uma serpente — deslizou devagar ao longo das vértebras, descendo centímetro por centímetro, até dar uma volta preguiçosa na curva da cintura.

Quando os dentes prenderam de leve meu lóbulo, um gemido escapou, estranho, quebrado, irreconhecível até para mim.

Era intenso demais...

— Relaxe. — A voz veio baixa, envolvente. — Entregue o corpo a mim. — Ordenou.

Aquilo não tinha nada de tratamento.

Era um adestramento calculado, cruel na precisão.

Meus membros perderam toda a firmeza, moles como massa passada do ponto. A mente se esvaziou.

Quando ele se posicionou por cima, a maca reclamou num rangido sofrido.

E, como ele dissera, aquelas "técnicas" traziam um conforto que eu nunca tinha sentido antes.

Mas, à medida que o prazer se acumulava, algo mais vergonhoso começou a gritar por atenção.

Coçava.

Uma coceira enlouquecedora, como centenas de formigas rastejando por dentro.

Apertei as coxas, em vão. O calor continuava a se espalhar.

— Doutor... — A voz saiu trêmula, quase desfeita. — Eu... eu estou muito mal...

Dr. Dante não respondeu.

A pressão dos dedos, no entanto, aumentou de repente.

Arqueei o pescoço, arfando, e vi através das lentes um olhar injetado, febril, como se outro homem tivesse tomado o lugar do médico contido.

Ele curvou a boca num meio sorriso.

— Já não aguenta mais?

Sem aviso, prendeu meu queixo. Três dedos invadiram minha boca de uma vez.

— Assim não serve. — A voz carregava um prazer sombrio. — Vamos precisar aumentar a intensidade.

A saliva escorreu sem controle pelo canto dos lábios. Ele se inclinou e a recolheu com a língua, num gesto obsceno que fez meus dedos dos pés se encolherem.

— O que... o que eu faço...? — Supliquei.

— Então obedeça. — Sussurrou rente à minha orelha, os dedos se movendo dentro da boca, lentos, dominadores. — Eu vou te salvar.

O cheiro de desinfetante se misturava a um odor denso de desejo.

Em algum momento começou a chover. As gotas batiam nas persianas como um contador regressivo.

A barra do jaleco roçava a parte interna das minhas coxas, já encharcada, sem qualquer disfarce.

Quando a palma dele finalmente cobriu o ponto mais ardente, um som rouco, quase terminal, escapou da minha garganta.

Aquilo não era, de forma alguma, algo que deveria existir entre médico e paciente.

Ainda assim, nenhum de nós mandou parar.

— ...Vou começar.
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