MasukPoucos dias depois, Vincent apareceu novamente, ainda se recusando a aceitar um não como resposta.— Elena, apenas olhe para mim.Sua voz estava carregada de súplica, quase se desfazendo em soluços.— Eu sei que errei, estes últimos dois anos foram um inferno. Todos os dias penso no café que você preparava. Penso em você sentada diante da lareira, lendo...Ele remexeu no bolso e tirou uma caixa de veludo vermelho. Ao abri-la, revelou a mesma pulseira Cartier que eu havia deixado para trás.— Está vendo? Ainda guardo a pulseira do nosso noivado. Elena, será que podemos recomeçar? Sofia foi embora, eu me livrei dela. Não existe mais ninguém entre nós. Por favor, dê-me apenas uma chance de compensar tudo o que fiz a você.Vincent me encarou com o rosto cheio de esperança.— Vincent.Olhei para ele de cima para baixo.— Você ainda não entendeu. O problema entre nós nunca foi Sofia.Ele ficou paralisado.— Então qual era o problema?— Sua arrogância. Seu egoísmo. E o fato de que, no fundo,
Minha vida na Sicília corria bem. Na verdade, mais do que bem.À medida que minhas pesquisas avançavam, minhas descobertas no campo das neurotoxinas causavam enorme impacto na comunidade acadêmica internacional. Tornei-me a cientista-chefe mais jovem da história do Instituto Salk.Certa tarde, saí do laboratório e atravessei o saguão principal a caminho do meu escritório, onde pretendia organizar alguns dados.Foi então que vi um segurança impedindo a entrada de um homem abatido e malvestido.— Senhor, este é um centro de pesquisas. Ninguém pode entrar sem autorização.— Estou procurando Elena Costa! Sou o noivo dela! Deixe-me entrar!Aquela voz rouca e desgastada me fez parar.Me virei, e quase não acreditei no que via.Como Vincent havia conseguido me encontrar?Quando nossos olhos se cruzaram por cima do ombro do segurança, ele ficou completamente imóvel.— Elena...Vincent pronunciou meu nome com a voz embargada, e seus olhos ficaram vermelhos no mesmo instante.Ele empurrou o segu
Sem a proteção de Vincent, Sofia não conseguiu manter a vida luxuosa que levava na mansão do porto. Pouco tempo depois, ela e o filho, Louis, deixaram aquela área nobre de cabeça baixa.Um mês mais tarde, Vincent voltou ao porto para resolver alguns documentos relacionados às propriedades da família na região.Naquela noite, por acaso, ele atravessava um beco estreito próximo às docas quando ouviu uma voz conhecida.Era Sofia.Porém, aquele tom insinuante e vulgar era completamente diferente de tudo o que já ouvira dela.Vincent franziu a testa e parou.Seguiu o som da voz e encontrou Sofia encostada em uma parede ao lado de um bandido. Os dois estavam próximos demais, numa intimidade impossível de esconder.Sofia acariciou o peito do homem e falou com uma voz melosa:— Ah, para que tanta pressa? Vincent acabou de se meter em problemas. Preciso ficar longe dos holofotes por algum tempo e esperar a situação se acalmar.O sujeito agarrou a cintura dela, beijou-lhe a face e abriu um sorri
Vincent nem sequer sabia como havia conseguido voltar à cidade.Tudo o que conseguia enxergar era a expressão em meus olhos naquela noite — calma, completamente desprovida de emoção — e minhas palavras:"Então você voltou correndo não porque está preocupado comigo, mas porque teme pela sua reputação. É isso?"A verdade o atingiu como um trem desgovernado. Eu não estava fazendo birra, eu realmente tinha desistido dele por completo.Vincent abriu a porta da mansão do porto com um chute.Sofia estava no meio da sala, experimentando um tailleur Chanel combinado com o colar de diamantes que ele havia enviado. Ao vê-lo entrar furioso, com o rosto tomado pela raiva, ela levou um susto.— Vincent, o que aconteceu?— A mala que mandei entregar, o que diabos aconteceu com ela?Com os olhos vermelhos, Vincent a encarou fixamente.— Coloquei duas unidades de cada presente naquela mala! Onde está a metade destinada a Elena? Como tudo foi parar com você?O rosto de Sofia perdeu a cor, e seus olhos s
Vincent passou a noite inteira no hospital particular ao lado de Sofia e do filho dela. Quando finalmente arrastou o corpo exausto de volta para a mansão, já era manhã.Ele abriu a porta esperando me encontrar à sua espera com um café da manhã quente, como eu sempre fazia, tendo cedido mais uma vez.No entanto, a casa estava fria e vazia.Sobre a mesa de jantar, o bife da noite anterior estava coberto por uma camada de gordura escura e endurecida. O vinho nas taças havia azedado.Bem no centro de toda aquela bagunça fria e abandonada estavam a declaração de anulação do noivado e uma pulseira Cartier.— Elena, você anda muito atrevida!Vincent puxou a gola da camisa, irritado, e se jogou no sofá. Depois de acender um charuto, acomodou-se para esperar por mim, pronto para me dar uma bela lição quando eu voltasse.Contudo, ele esperou o dia inteiro, e eu não apareci.No dia seguinte, Vincent deveria levar Sofia e o filho até a mansão do porto para instalá-los ali.Sofia já havia arrumado
Vincent me encarou, incrédulo.— O que você disse?Virei-me e fui até a cozinha integrada. Pouco depois, voltei trazendo um prato com um bife recém-selado.— Coma primeiro.Minha súbita mudança de atitude deixou Vincent desconcertado.— Ótimo... ainda bem que você finalmente caiu em si.Ele soltou um estalo de desdém, puxou um dos bancos altos e se sentou. Era como se ele estivesse me concedendo um enorme favor.— Depois desta refeição, não quero ouvir mais nenhuma palavra sobre romper o noivado. Assim que Sofia se firmar no porto e resolver a situação com os tios, eu me casarei com você. Está bem?Primeiro o tapa, depois o agrado. Ele me tratava exatamente como tratava os próprios subordinados.Não respondi, apenas cortei em silêncio o bife em meu prato.Quando estávamos na metade da refeição...Bam! Bam! Bam!Batidas violentas e repentinas sacudiram a porta, acompanhadas pelo choro desesperado de uma mulher.— Vincent! Você está aí, Vincent? Ajude-me!Era Sofia.A mão de Vincent paro







