LOGINCapítulo 155O clima no salão mudou radicalmente. O riso dos visitantes sumiu num piscar de olhos. O homem fechou as mãos e garras afiadas começaram a sobressair discretamente. Os músculos de seus antebraços se contraíram e um brilho hostil e amarelado surgiu em seus olhos.O lobo de Rayzel respondeu imediatamente: A respiração do Beta ficou pesada e as presas pressionaram o lábio inferior.— Rayzel! — chamou Aria, num tom sério de alerta.O Alfa visitante deu um passo à frente, o sorriso arrogante ainda preso aos lábios.— É melhor você ficar quieto e se desculpar, Beta — provocou. — Antes que essa sua coragem acabe colocando você em uma situação da qual não consiga sair.Rayzel ergueu lentamente o queixo. Seus olhos permaneceram presos nos do Alfa, enquanto o peito subia e descia em respirações cada vez mais pesadas.— Não tenho nada pelo que me desculpar.O homem avançou um passo, desafiador:— Então talvez essa cerimônia termine em um banho de sangue!Rayzel fez menção de se arre
Capítulo 154 Rayzel permaneceu imóvel por alguns segundos. Apenas o movimento lento de seu peito denunciava o esforço colossal que fazia para controlar a própria respiração.Sua mandíbula estava travada, e os músculos do rosto haviam endurecido. A mão que permanecia ao lado do corpo se fechou lentamente, dedo por dedo, até que os nós dos dedos ficassem completamente esbranquiçados.Aquelas palavras não tinham sido apenas uma provocação infantil. Seu lobo as havia entendido como uma afronta à sua honra. E não apenas contra ele — contra Lisi e contra o vínculo que acabara de reivindicar diante de todos.Um rosnado baixo e ríspido vibrou no fundo da garganta de Rayzel. Lisi sentiu o som no próprio peito antes mesmo de ouvi-lo. Ela ainda estava próxima demais dele e percebeu o corpo do Beta endurecer.— Rayzel... — murmurou ela, apreensiva.Ele não respondeu. Seus olhos escuros permaneciam cravados no visitante.— Você está abusando da condição de convidado — disse o Beta, finalmente. Su
Capítulo 153Lisi permaneceu em silêncio por alguns segundos, analisando a figura imponente de Rayzel diante de si.A mandíbula do Beta estava fortemente contraída, os músculos do rosto rígidos como rocha. As mãos, fechadas em punhos firmes ao lado do corpo, denunciavam uma irritação profunda que ele tentava em vão esconder atrás daquela postura profissional de braço direito do Alfa.Um pequeno sorriso de canto surgiu nos lábios de Lisi:— Não sabia que você se importava tanto com quem olha para mim...Rayzel soltou o ar lentamente pelo nariz, lutando pelo próprio controle:— Você sabe que me importo muito com você, Lisi — a voz dele saiu firme, mas havia uma preocupação genuína e densa por trás das palavras. — E é justamente por isso que estou tentando fazer você entender o quanto essa decisão é perigosa.O sorriso dela desapareceu aos poucos.Rayzel apontou discretamente com a cabeça para um grupo de guerreiros visitantes mais afastado. Alguns conversavam entre si em tom baixo, enqu
Capítulo 152A atmosfera na descida da grande escadaria não era apenas de festa; era densa, impregnada pelo odor característico de pinho, terra molhada, almíscar e pela eletricidade crua dos lobos em expectativa. O Grande Salão da Alcateia estava transformado para o Ritual da Lua Cheia — o rito ancestral de união e reconhecimento de companheiros. Guirlandas de ervas sagradas e flores da noite pendiam dos arcos de pedra, e grandes tochas de resina iluminavam o ambiente, fazendo as sombras dançarem nas paredes como se os próprios espíritos dos ancestrais estivessem presentes.Para a maioria das jovens lobas, aquela data era o marco mais esperado da vida. O ar vibrava com o murmúrio ansioso de risos reprimidos, a conversa afiada entre os mais velhos e o bater pesado das botas dos guerreiros. Era o momento em que a força do destino se manifestava através do cheiro e do toque, o instante em que o vínculo da alma se selava perante a matilha e a Lua Suprema.— Estão presentes muitos Alfas
Capítulo 151 Aria percebeu a mudança drástica na expressão da amiga:— A menos que o quê, Lisi?Lisi não respondeu de imediato. Aria puxou o ar com força:— O que vocês sabem sobre uma loba que desperta depois das dezoito luas de Solstício?O rosto de Lisi perdeu completamente a cor. Kili parou de mexer nas tranças da amiga, as mãos congeladas no ar.— Por que você está perguntando isso? — questionou Kili, desconfiada.— Porque a minha loba despertou exatamente dessa maneira.O silêncio que se seguiu foi absoluto. Lisi levantou-se da cadeira devagar:— Aria...— Eu preciso saber a verdade.Lisi trocou um olhar visivelmente apreensivo com Kili antes de começar a falar:— Meus pais costumavam contar uma história antiga... Uma lenda. Falavam de uma loba que nasceu sob a lua de Solstício e que despertou muito tempo depois do esperado.Aria permaneceu imóvel na cama:— O que aconteceu com essa loba?— Diziam que ela carregava uma força primitiva que não pertencia a um lobo comum.Kili com
Capítulo 150A primeira coisa que Aria percebeu ao abrir os olhos foi o vazio ao seu lado.Estendeu a mão por instinto, ainda tomada pela preguiça do sono, esperando encontrar o calor do corpo de Hulio. Seus dedos, no entanto, tocaram apenas o lençol frio.Aria abriu os olhos completamente. Por alguns segundos, ficou imóvel, encarando o espaço vazio. Então se sentou devagar na cama, sentindo o corpo pesado e sensível depois de tudo o que havia acontecido.A lembrança da noite anterior voltou em flashes avassaladores. A discussão com Selene. A raiva descontrolada. As garras. O momento em que perdera a razão e empurrara o Alfa contra a parede... e a entrega visceral que se seguira nos braços dele.Aria passou as mãos pelo rosto, soltando um suspiro pesado:— Ótimo...Levantou-se da cama. Precisava conversar com ele. Dessa vez, não poderia fugir.Caminhou até o banheiro e abriu a torneira. A água fria escorreu por seus dedos antes de ser levada ao rosto. Repetiu o movimento várias vezes,







