MasukCapítulo 152A atmosfera na descida da grande escadaria não era apenas de festa; era densa, impregnada pelo odor característico de pinho, terra molhada, almíscar e pela eletricidade crua dos lobos em expectativa. O Grande Salão da Alcateia estava transformado para o Ritual da Lua Cheia — o rito ancestral de união e reconhecimento de companheiros. Guirlandas de ervas sagradas e flores da noite pendiam dos arcos de pedra, e grandes tochas de resina iluminavam o ambiente, fazendo as sombras dançarem nas paredes como se os próprios espíritos dos ancestrais estivessem presentes.Para a maioria das jovens lobas, aquela data era o marco mais esperado da vida. O ar vibrava com o murmúrio ansioso de risos reprimidos, a conversa afiada entre os mais velhos e o bater pesado das botas dos guerreiros. Era o momento em que a força do destino se manifestava através do cheiro e do toque, o instante em que o vínculo da alma se selava perante a matilha e a Lua Suprema.— Estão presentes muitos Alfas
Capítulo 151 Aria percebeu a mudança drástica na expressão da amiga:— A menos que o quê, Lisi?Lisi não respondeu de imediato. Aria puxou o ar com força:— O que vocês sabem sobre uma loba que desperta depois das dezoito luas de Solstício?O rosto de Lisi perdeu completamente a cor. Kili parou de mexer nas tranças da amiga, as mãos congeladas no ar.— Por que você está perguntando isso? — questionou Kili, desconfiada.— Porque a minha loba despertou exatamente dessa maneira.O silêncio que se seguiu foi absoluto. Lisi levantou-se da cadeira devagar:— Aria...— Eu preciso saber a verdade.Lisi trocou um olhar visivelmente apreensivo com Kili antes de começar a falar:— Meus pais costumavam contar uma história antiga... Uma lenda. Falavam de uma loba que nasceu sob a lua de Solstício e que despertou muito tempo depois do esperado.Aria permaneceu imóvel na cama:— O que aconteceu com essa loba?— Diziam que ela carregava uma força primitiva que não pertencia a um lobo comum.Kili com
Capítulo 150A primeira coisa que Aria percebeu ao abrir os olhos foi o vazio ao seu lado.Estendeu a mão por instinto, ainda tomada pela preguiça do sono, esperando encontrar o calor do corpo de Hulio. Seus dedos, no entanto, tocaram apenas o lençol frio.Aria abriu os olhos completamente. Por alguns segundos, ficou imóvel, encarando o espaço vazio. Então se sentou devagar na cama, sentindo o corpo pesado e sensível depois de tudo o que havia acontecido.A lembrança da noite anterior voltou em flashes avassaladores. A discussão com Selene. A raiva descontrolada. As garras. O momento em que perdera a razão e empurrara o Alfa contra a parede... e a entrega visceral que se seguira nos braços dele.Aria passou as mãos pelo rosto, soltando um suspiro pesado:— Ótimo...Levantou-se da cama. Precisava conversar com ele. Dessa vez, não poderia fugir.Caminhou até o banheiro e abriu a torneira. A água fria escorreu por seus dedos antes de ser levada ao rosto. Repetiu o movimento várias vezes,
Capítulo 149 A quietude que se instalou no quarto era um contraste quase doloroso com a tempestade que rugia dentro do peito de Aria. Encostada ao corpo quente de Hulio, ela deveria sentir apenas a plenitude absoluta de ter se entregado ao seu Alfa, a felicidade pura e radiante de ver o laço de companheiros. Mas, sob a superfície de sua pele ainda arrepiada pelo prazer, uma sombra fria começou a se esgueirar.A lembrança veio sem aviso, cortante como uma lâmina: o rosto de Kalen. A certeza de que ele estaria presente na Cerimônia de acasalamento observando-a do meio da multidão, fez um calafrio percorrer a espinha de Aria. O peito dela se contraiu e seus ombros estremeceram num tremor involuntário de pavor. A mera ideia da proximidade dele parecia sufocar o ar morno do quarto.Antes que o pavor a dominasse, uma presença quente e ancestral se ergueu do fundo de sua alma. A loba dentro de seu sangue não recuou. Ela rosnou baixinho, um murmúrio vibrante que ecoou na mente de Aria como u
Capítulo 148 O riso curto de Aria ainda flutuava no ar quando a atmosfera do quarto mudou drasticamente.A tensão política da alcateia, o cheiro de queimado que ainda vinha do salão distante e até o eco dos gritos de Selene pareciam se dissolver no vapor morno que saía da porta aberta do banheiro. Tudo o que restou no cômodo foi a presença esmagadora dos dois.Hulio segurou o pulso de Aria com delicadeza, mas sem soltar. Seus olhos heterocrômicos baixaram lentamente para os lábios dela, e Aria sentiu o próprio pulso acelerar — não de medo, mas por uma onda súbita de calor que subiu direto do centro do seu peito.— Você me jogou contra a parede... — murmurou Hulio, a voz caindo para uma frequência grave, quase um rosnado baixo que fez a pele de Aria se arrepiarem por inteiro. Ele deu um passo à frente, encurtando a distância até que seus corpos quase se tocassem. — E meu lobo está exigindo uma revanche.Aria sentiu o ar escapar de seus pulmões. Agora, com os sentidos da loba despertos
Capítulo 147Selene recuou meio passo ao notar a mutação física, apontando o dedo:— Está vendo?! É disso que estou falando!Aria virou o rosto para ela, o olhar gélido:— Não fale de mim como se eu não estivesse aqui. — As pontas das unhas começaram a se transformar em garras afiadas.Hulio se aproximou imediatamente:— Aria, olhe para mim.Ela não respondeu. Selene deu mais um passo para trás:— Você não sabe nem o que essa coisa dentro de você é!A respiração de Aria ficou mais pesada:— Essa coisa... — Ela olhou para as próprias mãos, vendo a força que brotava de suas veias. — Tem nome. É minha...As garras se alongaram ainda mais, e o azul vibrante de seus olhos começou a dar lugar a uma escuridão profunda.Hulio percebeu o perigo iminente e se virou para a mãe:— Mãe, saia daqui.Selene pareceu chocada:— Hulio...— Agora! — A autoridade suprema em sua voz não deixava espaço para discussão.Selene ainda tentou argumentar:— Você está escolhendo uma garota que nem sequer sabe o q







