Mag-log inPonto de Vista de Alexandre RomanoLucy se afastou dos meus braços tão depressa que quase pareceu que havia se lembrado de alguma coisa proibida.Ela ficou vermelha.Muito vermelha.Desviou o olhar e tentou disfarçar.— Nada. Só estou pensando no que a bruxa disse.Observei seu rosto por alguns segundos.Ela estava mentindo.Não sabia exatamente sobre o quê, mas conhecia aquele olhar.Lucy era péssima em esconder o que sentia.Talvez porque tivesse passado tanto tempo sozinha que nunca aprendera a fingir.Eu deveria perguntar.Mas não perguntei.Havia coisas mais importantes naquele momento.A bruxa.Josi.A verdadeira mãe de Lucy.E aquela revelação absurda de que a mulher que Lucy acreditava ser sua mãe talvez não fosse sua mãe biológica.Passei a mão pelo rosto.Aquilo não fazia sentido.Conhecia os registros da família dela.Ou, pelo menos, achava que conhecia.Minha família tinha investigado aquela linhagem durante décadas.Nunca encontramos uma banshee viva.Nunca encontramos um
Ponto de Vista de Lucy— Quando minha mãe morreu, eu precisava dele.Minha garganta fechou.— Eu precisava que ele dissesse que tudo ficaria bem.Olhei para uma das janelas.— Mas ele estava ocupado tentando reconstruir a própria vida.— Lucy...— Eu não queria atrapalhar.Passei a mão pelo rosto.— Então aprendi a ficar sozinha.Alexandre ficou parado atrás de mim.— E foi por isso que você aceitou ir embora?— Eu não tive muita escolha. Eles estavam me mandando para uma clínica psiquiátrica no fim do mundo.Fiquei alguns segundos em silêncio.— Mas talvez tenha sido melhor assim.— Você acredita nisso?Demorei para responder.— Não sei.Alexandre puxou uma pasta que estava sobre a mesa.— Eu tenho algumas informações sobre seu pai.Olhei imediatamente para ele.— O quê?Ele abriu a pasta.Havia documentos.Fotografias.Relatórios.Meu coração acelerou.— Você realmente investigou tudo.— Eu avisei.Ele virou uma folha.— Seu pai não contou toda a história para você.Franzi a testa.
Ponto de Vista de LucyOlhei para o monte de livros velhos abertos e todos falavam sobre banshee.Seus poderes e do que eles eram capazes de fazer.Olhei para ele.— Então por que você está me investigando?Ele ficou em silêncio por alguns segundos.Minha voz saiu mais baixa.— Você acha que eu sou algum tipo de criminosa?Alexandre arqueou uma sobrancelha.Depois deu um pequeno sorriso.— Não, pequena.— Então por quê?Ele puxou uma cadeira e se sentou diante de mim.— Porque eu sou um caçador.Fiquei olhando para ele.— Caçador?— Sim.— De quê?— Criaturas sobrenaturais.Meu coração bateu mais forte.— Você mata criaturas?— Algumas.— Por quê?Ele apoiou os braços sobre a mesa.— Porque algumas delas representam perigo para a humanidade. Vampiros, lobisomens, criaturas corrompidas, feiticeiros que usam seus poderes para matar inocentes... Minha família caça essas criaturas há gerações.Engoli em seco.— Então você deveria me matar.Alexandre imediatamente ficou sério.— Não.— Por
Ponto de Vista de LucyEu tinha apagado no avião.Não me lembrava exatamente quando havia fechado os olhos.A última coisa de que conseguia me recordar era do rosto de Alexandre diante de mim, daqueles olhos pretos e intensos que pareciam enxergar coisas que eu mesma não conseguia compreender.Depois, tudo ficou escuro.Quando abri os olhos novamente, não estava mais no avião.Olhei para o teto.Era branco.Por alguns segundos, fiquei completamente imóvel, tentando entender onde estava.O cheiro também era diferente.Não havia o cheiro de combustível, couro e metal do jatinho.Havia cheiro de madeira, café e alguma coisa que lembrava plantas.Tentei me mexer.Meu corpo inteiro doeu.Não uma dor insuportável.Era mais como se eu tivesse dormido por tempo demais.Virei o rosto devagar.Foi então que percebi que estava deitada em uma cama enorme.Havia uma janela ao meu lado.Do lado de fora, eu conseguia ver um campo.Árvores.Uma estrada de terra.Alguns animais ao longe.Parecia uma f
Ponto de vista de DanielPó.Era tudo o que eu conseguia enxergar.Pó, cinzas e destroços.A casa principal havia desaparecido quase completamente. As paredes que antes cercavam o grande salão estavam espalhadas pelo chão, misturadas a pedaços de madeira, pedras e objetos destruídos. As árvores ao redor tinham sido arrancadas ou queimadas. O jardim onde os filhotes costumavam correr agora era apenas uma área escura, coberta por uma camada espessa de cinzas.A alcateia inteira havia sido dizimada.Ainda havia alguns sobreviventes, mas eram poucos.Pouquíssimos.Os gritos já tinham cessado. Os gemidos também. O que restava era um silêncio pesado, interrompido apenas pelo estalar de alguma madeira em chamas e pelo vento passando entre os escombros.Eu permaneci imóvel, olhando para aquela destruição.Não conseguia acreditar.Aquela região havia sido o lar de lobos fortes e guerreiros e agora tinha sumido tudo. Minha mandíbula se contraiu.Era difícil aceitar que uma bruxa tivesse tamanh
Ponto de vista de Daniel Abri a porta e encontrei dois dos meus homens correndo pelo corredor.— O que está acontecendo? — perguntei.Um deles parou diante de mim, ofegante.— Senhor, a garota ruiva fugiu.Meu sangue ferveu.— Como ela conseguiu sair do quarto?— Não sabemos. Quando fomos verificar, a porta estava aberta.— E vocês ficaram parados?O homem baixou a cabeça.— Nós seguimos os rastros dela, mas…— Mas o quê?— Ela foi para a floresta.Meu lobo soltou um uivo dentro da minha mente.Encontre-a.Não precisei de outra ordem.Saí correndo pelo corredor.— Daniel! — Carina chamou atrás de mim.Não parei.Atravessei a entrada da casa e corri em direção à floresta.Os membros da alcateia começaram a se movimentar. Alguns assumiram a forma de lobo, enquanto outros seguiram com armas e lanternas.— Espalhem-se! — ordenei. — Encontrem Lucy!Eu podia sentir o cheiro dela no ar.Era fraco, misturado ao cheiro de terra úmida, folhas esmagadas e medo.Ela estava próxima.Muito próxima







