LOGINPonto de Vista de Lucy Na manhã seguinte, acordei antes de todos.Passei pelo quarto das meninas e encontrei as duas dormindo tranquilamente. Luana estava abraçada a uma almofada, enquanto Lis havia atravessado a cama e ocupado quase todo o espaço.Sorri.Depois de tudo o que haviam enfrentado, mereciam algumas horas de tranquilidade.Segui para meu quarto, tomei banho e escolhi uma roupa adequada para o que precisava fazer. Vesti uma calça de alfaiataria preta, uma camisa clara e prendi parte dos cabelos ruivos.Olhei meu reflexo no espelho.A mulher que me encarava parecia diferente.Não era apenas pela aparência ou pelo cansaço. Havia alguma coisa nos meus olhos que não existia antes.Talvez fosse a consciência de que eu nunca mais poderia viver como uma pessoa comum.Eu era Lucy Martins Romano.Herdeira de uma família humana ligada aos caçadores.Descendente de uma linhagem sobrenatural que muitos acreditavam estar extinta.Esposa de Alexandre Romano.Mãe de duas me
Ponto de Vista de LucyVoltar para casa deveria ser um alívio.Depois de tudo o que havia acontecido na Islândia, eu deveria estar feliz por finalmente estar longe daquela fortaleza, longe dos vampiros, lobisomens, feiticeiros e de todas aquelas criaturas que desejavam minha morte.Mas não era tão simples.Quando nosso comboio atravessou os portões da mansão dos meus pais, senti um aperto no peito.Aquela casa havia sido meu lar. Era onde eu tinha crescido, onde estavam minhas lembranças e onde, durante muito tempo, acreditei que poderia viver tranquilamente.Agora, porém, tudo era diferente.Meu pai havia deixado a propriedade para mim. As empresas, os bens e tudo o que construíra também estavam sob minha responsabilidade.Eu era a herdeira dos Martins.E, depois do que aconteceu na Islândia, também era conhecida por todas as espécies sobrenaturais.Não existia mais a possibilidade de me esconder.O mundo inteiro sabia que eu estava viva.E, pior, sabia do que eu era capa
Ponto de Vista de Alexandre Romano Quando atravessamos as portas da fortaleza, o ar gelado atingiu meu rosto.Foi então que reconheci os homens que nos aguardavam.Meus homens.Minha equipe de segurança, os caçadores que haviam recebido minhas ordens e aqueles em quem eu confiava para proteger minha família caso alguma coisa acontecesse comigo.Eles estavam posicionados estrategicamente ao redor da propriedade, com veículos preparados e rotas de fuga definidas. Assim que Lucy apareceu, alguns avançaram para nos ajudar, enquanto outros permaneceram atentos às portas da fortaleza.Tudo havia sido coordenado.Tudo.Minha mulher não apenas conseguira entrar naquele lugar sem ser detectada, como também havia organizado a retirada das nossas filhas e garantido que meus homens estivessem preparados para agir no momento certo.Eu deveria ter esperado por isso.Lucy sempre pensava em tudo quando se tratava de nossa família.Ela entregou as meninas a Josi, que as aguardava perto dos veículos,
Ponto de Vista de Alexandre Romano Aquele queria me mulher. Não só queria como. O olhar que lançou a ela carregava algo que me deixou profundamente incomodado.Desejo.Reconhecimento.Uma espécie de reivindicação que eu não estava disposto a tolerar.Então ele disse que Lucy era sua companheira.Meu corpo inteiro se enrijeceu.Companheira?Aquele filho da mãe acreditava que tinha algum direito sobre minha esposa?Se eu estivesse livre, teria arrancado as correntes com as próprias mãos e tentado acabar com ele, mesmo que isso me custasse a vida.Mas não podia fazer nada.Estava preso, ferido e fraco demais para proteger a mulher que amava.E essa impotência foi pior do que qualquer tortura.Lucy, entretanto, não demonstrou interesse algum nas palavras dele. Nem sequer lhe deu a satisfação de uma resposta.Ela estava preocupada comigo.Com nossas meninas.Com a família que construímos juntos.Foi então que compreendi algo que me trouxe uma mistura de alívio e tristeza.Daniel podia ch
**Ponto de Vista de Alexandre Romano**Eu nunca esqueceria aquela noite.Nem se vivesse mil anos.Ainda sentia o peso das correntes nos pulsos, a dor que atravessava meu corpo e o gosto metálico do sangue na boca. Minha visão estava embaçada, minha respiração era difícil e cada movimento parecia exigir uma força que eu já não possuía.Mas nada daquilo importava.Porque, quando ergui a cabeça e a vi entrando naquele salão, tive a sensação de que o mundo inteiro havia parado.Lucy.Minha mulher.Minha ruiva teimosa, que jamais aceitava uma ordem sem questionar, que discutia comigo até quando eu tentava protegê-la e que tinha a capacidade de me deixar completamente louco com apenas um olhar.Ela estava ali.No meio de centenas de criaturas sobrenaturais, diante dos representantes mais poderosos de várias espécies, enfrentando homens que haviam decidido acabar com a nossa família.E não demonstrou medo.Nenhum.Minha mulher entrou naquele lugar de cabeça erguida, como se não estivesse dia
Ponto de Vista de Daniel.— Como ela pode estar do lado deles? — perguntei.O feiticeiro me encarou.— Talvez porque eles estavam usando ela, ou ela nos odeia.A resposta me irritou.— Explique-se.— Se a mulher foi treinada por caçadores e ensinada a nos odiar. — Ela é casada com o líder dos caçadores. Olhei para a entrada da fortaleza.Lembrei-me da maneira como Lucy lutara. Ela não atacara indiscriminadamente no início. Usara técnicas de combate, armas e estratégia. Só recorrera aos poderes quando as criaturas tentaram matá-la.E, mesmo quando tudo começou a desmoronar, sua prioridade continuou sendo a família.Ela não havia entrado ali para conquistar territórios.Não havia tentado tomar o poder do conselho.Tinha vindo buscar o marido e as filhas.E matar que entrasse no seu caminho. A verdade era desagradável.Mas eu não permitiria que aquele feiticeiro percebesse o quanto suas palavras haviam me atingido.— Ela é minha companheira — declarei.O rei dos vampiros, que sobreviv







