Share

Um costume antigo

Author: Leide
last update Petsa ng paglalathala: 2026-09-03 03:52:32

ponto de Vista de Daniel 

Por séculos, nas noites de lua cheia, acontecia um ritual bárbaro em que todos os machos, durante três noites seguidas, caçavam e acasalavam selvagemente, entregando-se totalmente ao instinto animal. Deixavam a razão para trás e partiam para a caça de humanos, como se ainda vivessem nos tempos antigos. Era um ato arcaico, coisa que a maioria de nós abandonou há muito tempo. No entanto, algumas matilhas ainda mantêm essa tradição cruel — especialmente a Matilha Lua Negra, uma das maiores das Américas, localizada próxima a uma pequena cidade humana esquecida pelo mundo.

​Nem mesmo eu, com todo o meu poder como Rei do mundo sobrenatural, consegui acabar com essa prática absurda. Em muitos lugares ela já foi extinta, mas a Matilha Lua Negra sempre levou os costumes antigos a sério — a sério demais, para o meu gosto. “A Maior Caçada de Todas” era como os da nossa espécie chamavam esse ritual. Nessas noites, eles viviam como lobisomens primitivos: caçavam qualquer ser vivo que cruzasse o seu caminho e acasalavam desenfreadamente sob a luz da lua cheia.

​Eu nunca concordei com isso. Esse estilo de vida bárbaro só expõe a nossa existência. Por isso, tentei usar minha influência para convencê-los a se conterem, a se manterem afastados dos humanos, a caçarem apenas na floresta. Pelo menos, era o que eu pretendia.

​Meu nome é Daniel Ferrari. Sou o Rei dos Sobrenaturais. O Alfa dos Alfas. Um Crinos — a linhagem mais antiga e poderosa entre os lobisomens. Tenho força suficiente para destroçar qualquer criatura em questão de segundos. Diferentemente dos outros lobos, posso viver por muitos séculos mantendo a aparência jovem. Ainda assim, como todos da minha espécie, só posso ter filhotes com a minha verdadeira companheira — a minha alma gêmea.

​Mas, há muito tempo, um massacre mudou tudo. Os sobrenaturais quase foram extintos... por minha espécie. Ou melhor, por minha família. Somos criaturas sedentas por sangue e poder, e muitas vezes matamos só por prazer. Em uma dessas chacinas, meu pai atacou um coven de bruxas poderosas, exterminando todas. Mas, antes de morrerem, elas lançaram uma maldição cruel:

​“Nenhum Crinos encontrará sua verdadeira companheira. O fim da linhagem será selado.”

​Depois disso, minha mãe morreu, meu pai enlouqueceu, meus irmãos se mataram... e, num piscar de olhos, eu era o último da minha linhagem.

​Embora eu aparente ter 30 anos, tenho 450. Meço 1,95 m, tenho cabelos pretos na altura dos ombros, olhos âmbar e pele bronzeada. Sempre sonhei em encontrar minha companheira. Mas, após tantos anos esperando, cheguei à conclusão de que ela simplesmente não existe. Para estar ao meu lado, ela teria que ser uma Crinos — e, como eu sou o último, jamais a encontrarei.

​Apesar disso, divirto-me com as lobas disponíveis. Nunca me faltaram amantes.

​Quando cheguei à Matilha Lua Negra com meus betas, os gêmeos Jenes e Jonas, e minha chefe de segurança Karina — minha Delta e também uma excelente companhia na cama —, fomos recebidos pelo Alfa David, sua lua Anabela, o beta Toni e sua companheira Priscila. A recepção foi calorosa. Todos pareciam eufóricos com a minha presença. Eu não costumava visitar matilhas, então minha chegada virou uma verdadeira celebração.

​David convidou-me para participar do Grande Ritual da Lua Cheia, que começaria naquela noite e duraria três dias. Se um lobo encontrasse sua companheira durante o ritual, eles acasalariam por três noites seguidas, sem descanso.

​Saí dos meus pensamentos com a saudação de David:

​— Bem-vindo à alcateia Lua Negra, Rei Daniel Ferrari — disse ele, fazendo uma reverência. Logo em seguida, ajoelhou-se diante de mim, como era tradição.

​— É um prazer finalmente conhecer a Matilha Lua Negra. Agradeço pela recepção — respondi com formalidade.

​Após os cumprimentos e cerimônias, fui para os meus aposentos. Precisava descansar antes de a noite cair. Mas algo me incomodava. Senti meu lobo, Vulcano, inquieto como nunca.

​“O que está acontecendo?”, perguntei mentalmente.

​“Não sei...”, ele respondeu, em alerta.

​Eu também me sentia estranho. Como se algo prestes a acontecer fosse mudar tudo.

​“Fique alerta”, ordenei.

​Depois de um banho relaxante, chamei Karina para aliviar a tensão. Mas, assim que ela me tocou, Vulcano rosnou de forma ameaçadora. Ela se ajoelhou, tentando abrir minhas calças, mas eu a empurrei com força e a expulsei, usando minha voz de fera. Assustada, ela saiu correndo. Frustrado, perguntei ao meu lobo por que ele fizera aquilo.

​“Não quero nenhuma puta me tocando”, ele respondeu com desdém.

​Vesti meu melhor terno cinza-chumbo e saí para tomar ar. Estava sufocado. Encontrei meus betas e o Alfa David, que sugeriu irmos até a cidade próxima. Um barzinho qualquer onde alguns lobos jogavam cartas, bebiam e esperavam a lua subir. Pareceu-me chato, mas, curiosamente, Vulcano ficou animado.

​O lugar era um muquifo: lobas dançavam no balcão, e vários lobos esperavam o início do ritual. Subimos para o segundo andar, onde bebemos um bom uísque — eu nunca ficava bêbado, mas gostava do sabor forte e marcante.

​A noite caiu. As jovens lobas começavam a se preparar para a caçada. Vulcano se agitava dentro de mim, ansioso.

​“Esqueça isso”, repreendi. “Não vamos participar de um ritual arcaico.”

​Ele rosnou de volta, furioso, e se fechou em silêncio dentro da minha mente. Fiquei aliviado.

​Foi quando ouvi uma confusão no andar de baixo. Um som qualquer… seguido de um cheiro. Um aroma doce, viciante. Chocolate e morangos. Estranhamente, dois sabores de que eu nunca gostei… mas, naquele instante, minha boca se encheu d’água. Vulcano despertou com um rugido que fez o chão estremecer. Todos ao meu redor se encolheram. Quando ele aparece assim… alguém geralmente morre.

​Mas não hoje.

​Hoje era diferente.

​Num salto, desci as escadas, sem me importar com ninguém. E então eu a vi. A fonte do cheiro. A mulher mais linda que já vira.

​Pele clara, bochechas coradas, lábios carnudos, olhos verdes como esmeralda brilhando sob a luz da lua. Cabelos vermelhos e longos, com ondas nas pontas. Mesmo usando um vestido largo com um casaco por cima, eu via o seu corpo: seios fartos, quadris largos, coxas grossas. Meu lobo enlouqueceu.

​Um lobo tocou no braço dela.

​Rosnei. Joguei-o contra a parede com um só movimento.

​Ela estremeceu de medo. Aproximei-me do seu ouvido e sussurrei, rouco:

​— Você vai ser minha mulher esta noite. Eu vou te foder até o amanhecer.

​Ela tentou correr. Segurei-a pela cintura, enterrei o rosto em seu pescoço, inalando o perfume mais viciante que já senti. Lambi o local onde fincarei minhas presas. Seu corpo ficou rígido. Ao soltá-la, ela correu com os olhos arregalados, puxou o capuz sobre a cabeça e sumiu porta afora.

​Dei um rosnado tão poderoso que fez as paredes tremerem. Minha voz, possuída pela fera, ecoou:

​— Minha! Só minha! Quem se aproximar dela... morrerá.

​Todos abaixaram a cabeça em sinal de submissão. Arranquei minha camisa e chutei os sapatos. Fiquei só de calça, pronto para caçar.

​Meus betas se aproximaram:

​— Senhor... ela parece só uma garota. Acha mesmo que resistirá ao acasalamento?

​— Eu espero que sim… Porque eu não posso mais conter minha fera — respondi, deixando Vulcano tomar o controle.

​Rosnando, minha voz monstruosa anunciou a sentença:

​— Eu vou te pegar, pequena Chapeuzinho Vermelho. Estou indo... minha pequena vermelha.

Patuloy na basahin ang aklat na ito nang libre
I-scan ang code upang i-download ang App

Pinakabagong kabanata

  • Nas noites de lua cheia    A última banshee

    Ponto de Vista de Alexandre RomanoA floresta começou a se partir.Árvores foram arrancadas.O chão rachou.A propriedade ao longe começou a tremer.Metamorfos saíram correndo das construções.Alguns tentaram fugir.Não tiveram tempo.A energia que saía daquela garota atravessava tudo.Um dos lobos simplesmente desapareceu em meio à explosão.Outro virou cinzas.Depois outro.O som era ensurdecedor.BOOM!A propriedade explodiu.Partes das paredes foram lançadas ao ar.As janelas se estilhaçaram.As árvores queimaram.Os metamorfos foram atingidos pela onda de energia.Tudo começou a virar pó.Eu nunca havia testemunhado tamanho poder.Aquilo não era magia comum.Era algo antigo.Algo que eu nem sabia que existia.A garota estava no centro de tudo.Brilhando.Seu cabelo ruivo flutuava ao redor do rosto.Seus olhos pareciam emitir luz.E sua voz...Sua voz era como uma tempestade.Cada grito provocava uma nova explosão.Cada palavra destruía tudo ao redor.A alcateia estava desaparecen

  • Nas noites de lua cheia    Uma garota indefesa

    Ponto de Vista de Alexandre RomanoA noite havia engolido a floresta.Caminhava entre as árvores com a arma presa à cintura e os sentidos completamente alertas.O vento frio passava pelo meu rosto, trazendo consigo o cheiro úmido da terra, das folhas e...De lobos.Parei.Respirei profundamente.Havia vários.Alguns estavam próximos.Outros mais distantes.Mas havia algo diferente naquele lugar.Algo que não conseguia identificar.Desde que cheguei àquela vila, meus instintos não paravam de me alertar.Havia metamorfos por toda parte.E não eram apenas alguns.Aquela região pertencia a uma alcateia poderosa.Uma alcateia que parecia esconder segredos demais.E eu precisava descobrir quais.Duas jovens haviam desaparecido.As famílias procuravam respostas.Ninguém sabia onde elas estavam.Mas eu sabia que os desaparecimentos não eram coincidência.Alguma coisa estava acontecendo naquela cidade.E quanto mais eu investigava, mais encontrava a mesma palavra.Aquela alcateia.O problema e

  • Nas noites de lua cheia    O encontro

    Ponto de Vista de Lucy— Onde você pensa que vai?Não respondi.Corri.— Pare!Aumentei o passo.O homem começou a me perseguir.Entrei na mata.Os galhos batiam contra meus braços.Pedras machucavam meus pés.Eu não parei.Não podia.— Peguem ela!Ouvi alguém gritar atrás de mim.As vozes dentro da minha cabeça ficaram mais fortes.Continue!Mais rápido!Não olhe para trás!Corri ainda mais.Meu pulmão queimava.Meu coração parecia querer explodir.Mas continuei.Não sabia para onde estava indo.Só sabia que precisava ficar longe daquela casa.Longe de Daniel.Longe de tudo aquilo.Até que alguma coisa mudou.As vozes ficaram completamente silenciosas.Parei por um instante.— O que aconteceu?Silêncio.Nenhuma voz.Nenhum som.Apenas minha respiração.Meu peito subia e descia rapidamente.Olhei ao redor.A floresta parecia diferente sem aquelas vozes.Estranhamente vazia.Então ouvi um galho quebrando à minha frente.Levantei os olhos.Não havia tempo para reagir.Meu corpo bateu co

  • Nas noites de lua cheia    As vozes

    Ponto de vista de LucyComecei a ouvir vozes.Muitas vozes.No começo, pensei que fosse apenas minha imaginação. Talvez consequência do estresse, do medo, de tudo o que havia acontecido nos últimos dias.Mas elas continuaram.Algumas eram baixas, quase sussurradas.Outras pareciam gritar dentro da minha cabeça.Vá embora.Saia daqui.Você precisa fugir.Levei as mãos aos ouvidos.— Parem...As vozes não pararam.Pelo contrário.Ficaram mais fortes.Uma delas parecia muito com a voz de Kátia.Meu coração apertou.— Kátia?Fiquei olhando para o quarto vazio.Não havia ninguém.Apenas eu.E aquelas vozes.— Isso não é real.Minha respiração começou a ficar pesada.— Não é real.Repeti para mim mesma, tentando acreditar.Mas havia algo estranho.As vozes pareciam familiares.Não apenas a de Kátia.Havia outras.Vozes masculinas.Femininas.Algumas jovens.Outras mais velhas.Todas falando comigo.Todas tentando me dizer alguma coisa.Vá embora.Não confie nele.Saia enquanto pode.Eles est

  • Nas noites de lua cheia    A humilhação

    Ponto de Vista de LucyDepois de terminar a refeição, permaneci sentada na cama por alguns minutos, olhando para a bandeja vazia.Eu não queria admitir, mas estava nervosa.Daniel havia prometido que me levaria até Kátia.Depois de tantos dias sem notícias, finalmente teria a oportunidade de vê-la.Talvez ela estivesse machucada.Talvez estivesse doente.Talvez tivesse passado por alguma coisa terrível.Mas estava viva.Era nisso que eu precisava acreditar.Levantei-me assim que ouvi a chave girando na fechadura.Daniel entrou.Seu rosto estava tão sério quanto sempre.— Está pronta?Assenti.— Quero ver Kátia.— Eu sei.Ele fez um sinal para que eu o acompanhasse.Saí do quarto pela primeira vez em dias.O corredor era comprido, construído em pedra escura. Havia tochas presas às paredes, embora algumas lâmpadas modernas também iluminassem o caminho.Tudo naquele lugar parecia pertencer a outra época.Caminhei ao lado de Daniel em silêncio.Quanto mais avançávamos, mais pessoas aparec

  • Nas noites de lua cheia    A criatura das sombras

    Ponto de Vista de Alexandre Romano Jr.Aquela cidade escondia muito mais monstros do que eu havia imaginado.Desde que cheguei, meus instintos não paravam de me alertar. Havia metamorfos por toda parte. Alguns caminhavam livremente pelas ruas, outros tentavam se misturar entre os humanos, fingindo uma normalidade que não existia.A maioria das pessoas daquela pequena vila provavelmente não fazia ideia de quem eram seus vizinhos.Mas eu sabia.Fui treinado para reconhecer um monstro apenas pelo olhar, pela forma de andar, pelo cheiro e até pelos batimentos do coração.Nenhum deles me enganava.Ainda assim, os metamorfos não eram o que mais me preocupava.Havia outra coisa.Desde o momento em que coloquei os pés naquela cidade, sentia uma presença constante me observando.Era como uma sombra.Sempre distante.Sempre escondida.Sempre desaparecendo antes que eu pudesse alcançá-la.Primeiro achei que fosse apenas algum metamorfo curioso.Depois percebi que não.A criatura me seguia com in

Higit pang Kabanata
Galugarin at basahin ang magagandang nobela
Libreng basahin ang magagandang nobela sa GoodNovel app. I-download ang mga librong gusto mo at basahin kahit saan at anumang oras.
Libreng basahin ang mga aklat sa app
I-scan ang code para mabasa sa App
DMCA.com Protection Status