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Conhecendo o Arquiduque

作者: G.Soares
last update 公開日: 2026-10-04 12:35:42

Alguns dias haviam se passado desde o banquete e do anúncio oficial do noivado de Noara.

O Ducado de Wil estava em total agitação, preparando-se para o dia em que o Arquiduque viria buscar sua futura Arquiduquesa para levá-la ao Norte.

Na mansão, criados e servos trabalhavam incansavelmente para que tudo estivesse em perfeito estado. Cada corredor era polido, cada tapeçaria ajustada, cada detalhe revisado com extremo cuidado.

Ainda assim, uma parte da mansão encontrava-se estranhamente silenciosa.

Não havia xícaras quebradas, nem gritos, tampouco choros de uma certa jovem dama mimada. Até mesmo os tutores estavam confusos com a mudança repentina: sua aluna, antes indisciplinada, agora estudava com diligência, prestava atenção às aulas de história e dedicava-se com afinco às lições de etiqueta — especialmente aquelas que tratavam do extremo Norte.

Noara sempre foi uma jovem mimada. Costumava fugir das aulas, não gostava de aprender, pois acreditava que, sendo uma dama destinada ao casamento, seu futuro marido cuidaria de tudo. Para ela, bastava ser bela.

Mas sua vida passada havia lhe ensinado demais.

Agora, Noara tornou-se menos agitada. Não gritava sem motivo, não chorava nem fazia birras. Havia nela uma maturidade silenciosa, quase melancólica. Passava a maior parte do tempo no jardim, lendo um livro ou simplesmente observando o céu claro de Solaria.

Seus pais notaram a mudança — e se preocuparam.

Até mesmo seu irmão mais velho, que estudava na Academia Real, retornou ao saber que o "pequeno diamante" da família estava quieto demais.

— Papai… será que Noara está triste por causa do casamento com o Arquiduque? — perguntou Nero ao pai, em tom contido.

O homem suspirou, o olhar carregado de preocupação.

— Eu perguntei a ela… mas Noara disse que está tudo bem. Disse apenas que não quer mais ser tão mimada… nem ignorante.

Nero, um jovem forte e protetor, sentia-se inquieto. Sua irmãzinha sempre fora mimada, sim, mas também profundamente amada por toda a família.

Ele suspirou.

O dia da chegada do Arquiduque se aproximava, e Noara permanecia estranhamente calma — como se estivesse pronta para qualquer destino que a aguardasse.

No dia marcado, o duque Wil preparou uma elegante festa do chá para receber o ilustre convidado.

O jardim estava impecável: mesas bem posicionadas, xícaras alinhadas com perfeição, flores e vasos distribuídos com harmonia. Os nobres conversavam animadamente. O dia estava fresco, o céu azul, e uma brisa suave percorria o ambiente.

Noara acompanhava seu irmão mais velho no cumprimento aos convidados.

Estava bela.

Vestia roupas claras e elegantes, adornadas com joias delicadas. Seus cabelos dourados caíam em ondas suaves, e sua postura lembrava a de uma jovem calma, brilhante e distante — alguém que já não pertencia totalmente àquele lugar.

Os nobres murmuravam.

— Irmãzinha, espere um momento. Vou cumprimentar alguns colegas da Academia — disse Nero.

— Tudo bem, irmão. Estarei esperando perto do lago.

Noara seguiu tranquilamente pelo caminho de pedras até o lago.

À medida que se aproximava, avistou uma figura de costas, parada à beira da água.

Seus passos cessaram.

Era Léo Liz.

Por um instante, Noara pensou em voltar. Seu corpo chegou a se mover, pronto para se retirar em silêncio, mas então ouviu uma voz suave:

— Jovem dama Wil…

Ao virar-se, viu uma jovem agachada próxima ao lago, brincando com flores de lótus.

Ela tinha cabelos ruivos e olhos verde-esmeralda. Seu semblante era doce, quase inocente — mas havia algo perturbador escondido ali.

Elyra.

Delicada.

Doce.

Mas com algo inquietante por trás do sorriso.

Noara apenas inclinou a cabeça e virou-se.

— Jovem dama Wil… — chamou Léo.

Ela parou.

— Jovem mestre Liz.

Silêncio.

— Ouvi dizer que seu noivo virá buscá-la. Desejo-lhe felicidade — disse Elyra suavemente.

— Obrigada.

Mas havia algo errado naquele sorriso.

Léo deu um passo à frente.

— Noara, eu—

Então—

Ele cambaleou.

Seu corpo enrijeceu.

Seus olhos escureceram.

A aura de cavaleiro que ele mantinha sob controle…

Explodiu.

Uma pressão invisível tomou o ambiente.

Pesada.

Dominante.

Como uma lâmina pressionando o ar.

— Não se aproxime… — disse Léo, com dificuldade.

Mas Elyra segurou seu braço.

— Léo, você está bem?

Noara sentiu.

E tudo desmoronou, o poder da aura trazia.

Aquela pressão.

Aquele peso sufocante.

Era o mesmo.

As memórias vieram como um golpe.

A dor.

O medo.

A sensação de estar sendo esmagada… dominada… incapaz de fugir.

Seu corpo reagiu imediatamente.

O nariz começou a sangrar.

Sua respiração falhou.

Ela tentou recuar.

Mas não conseguiu.

Seu corpo entrou em colapso.

Então—

Uma presença diferente surgiu.

Fria.

Calma.

Imponente.

Como neve caindo em silêncio.

A pressão foi cortada.

Dissipada.

Como se nunca tivesse existido.

— Noara! — gritou Nero, segurando-a.

Ela se agarrou a ele, chorando.

— O que está acontecendo aqui?

A voz grave ecoou.

Noara ergueu o olhar.

Um homem alto, vestido de preto.

Imponente, a aura dele era mais forte que a de Léo.

Seus olhos eram profundos como a noite.

E dele vinha aquela presença.

Firme.

Protetora.

Absoluta.

Ele estendeu a mão.

— Venha.

— Este é o Arquiduque Maximiliano Ferom, seu noivo… — disse Nero.

Noara hesitou por um segundo.

Então segurou sua mão.

Maximiliano a puxou para perto, envolvendo-a em seu manto e a erguendo nos braços.

Ela tremeu—

Mas não resistiu.

— Chamem os guardas. Quero explicações — ordenou ele.

Sombras surgiram ao redor.

Nero lançou um olhar mortal para Léo e Elyra.

— Espero que haja uma explicação… pelo senhor Liz estar usando aura em público colocando minha irmã em perigo.

E então partiu.

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