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Capítulo 2

Author: Ari
Eu não tinha crescido com eles.

Os cinco se conheciam desde o jardim de infância.

Eu conheci Vinicius na faculdade, e foi ele quem me apresentou ao grupo.

Nos primeiros anos, me esforcei muito para fazer parte da turma.

Eles contavam como, quando crianças, iam escondidos colher goiabas no quintal da casa de um professor.

Eu não conhecia aquelas histórias, mas ria junto.

Quando mencionavam apelidos que só faziam sentido para eles, anotava tudo discretamente no bloco de notas do celular.

Lembrava dos aniversários, dos alimentos que cada um evitava e dos hábitos de todos.

Quando marcávamos de comer juntos, eu sempre chegava primeiro.

Nas viagens, reservava o carro, o hotel e pesquisava os trajetos.

Nada parecia adiantar.

Bastava começarem a falar do passado para eu ouvir a mesma frase:

— Você ainda não conhecia a gente naquela época. Não entende.

Com o tempo, o "você não entende" foi virando "não precisa contar para ela".

Mudavam de restaurante de última hora sem me avisar.

Combinavam de trocar as fotos de perfil, mas ninguém me mandava as imagens.

Até daquela viagem eu só fiquei sabendo pelas mensagens entre Vinicius e Tereza.

Eles já estavam combinando tudo havia seis meses.

Quando perguntei por que ninguém tinha me contado, Vinicius sorriu e fez um carinho na minha cabeça.

— Ué, a gente estava esperando você organizar tudo.

Cuidei sozinha das passagens, dos hotéis e do roteiro.

Também adiantei todo o dinheiro.

Os cinco só precisavam aproveitar a viagem. Eu resolvia o resto.

Agora, até o quarto que deveria ser meu eu teria que ceder.

Não discuti mais. Soltei o cartão.

— Vocês ficam no quarto. Eu vou para a sala.

......

Quando acordei na manhã seguinte, não havia mais ninguém na sala.

No grupo, tinham mandado uma foto dos cinco tomando café da manhã.

Havia cinco pratos servidos à mesa.

Tereza também tinha me enviado uma mensagem: [Olivia, a gente não quis te acordar, então desceu antes. Quando acordar, vem tomar seu café, tá?]

Depois de me arrumar, fui ao restaurante.

O garçom avisou que já não estavam servindo café da manhã.

Foi então que Vinicius ligou.

— Onde você está?

— No restaurante.

Ele respondeu com impaciência:

— Como assim você ainda está no restaurante? Estamos esperando há vinte minutos no píer.

Conferi as mensagens do grupo. Ninguém tinha informado a hora de sair.

— Vocês não me chamaram.

— A Tereza não te mandou mensagem?

— Ela só disse que vocês tinham descido para tomar café.

Vinicius ficou um segundo em silêncio.

— Você viu que todo mundo tinha saído e não pensou em perguntar? Está todo mundo te esperando.

Acabei ficando sem café da manhã.

Quando cheguei ao píer, o motor do iate já estava ligado.

Os cinco estavam no convés, e ninguém tinha guardado lugar para mim.

Tereza usava uma camisa branca de Vinicius, com a barra na altura das coxas.

Ao me ver, puxou depressa a camisa para baixo.

— Olivia, não vai pensar besteira. O zíper do meu vestido quebrou, e Vinicius me emprestou uma camisa.

Eu nunca podia nem tocar nas camisas dele.

Uma vez, coloquei uma para lavar junto com roupas escuras sem querer.

O tecido ficou levemente acinzentado, e Vinicius passou uma semana sem falar comigo.

Disse que não gostava que outras pessoas mexessem nas roupas que usava junto ao corpo.

Agora, vendo Tereza com a camisa, ele só deu uma olhada e falou com carinho:

— Coloca uma calça comprida. O vento do mar é frio.

Tereza mostrou a língua para mim.

— Está vendo? Ele adora ficar mandando na gente.

Segurei no corrimão para subir a bordo.

Rodrigo logo enfiou um monte de coisas nos meus braços.

— Tem protetor solar, câmera e água aqui. Cuida disso para a gente.

Ainda segurando os pertences deles, me sentei no lugar mais próximo do motor.

O vento do mar batia em mim.

Meu estômago vazio doía em pontadas.

Eu tinha começado a aprender a nadar seis meses antes, pensando no mergulho daquele dia.

Vinicius adorava o mar.

Eu tinha medo de água, mas mesmo assim me matriculei num curso de mergulho sem contar para ele.

Queria fazer uma surpresa naquela viagem.

Quando chegamos ao ponto de mergulho, o instrutor avisou que só cinco pessoas podiam descer por vez.

Lucas sorriu para mim.

— Você não tem medo de água? Fica no barco cuidando das bolsas.

Abri a boca para contar que já tinha meu certificado de mergulho, mas Tereza se agarrou ao braço de Vinicius.

— Estou um pouco nervosa. Segura minha mão quando a gente entrar na água.

Ele conferiu o cilindro dela.

— Não precisa ter medo. Vou estar bem do seu lado.

Engoli o que ia dizer.

Os cinco pularam no mar.

Eu fiquei sozinha no convés, cuidando das roupas e dos celulares deles.

Depois de algum tempo, o instrutor perguntou:

— Você não quer mergulhar?

Tirei da bolsa meu certificado, ainda novinho, e passei um bom tempo olhando para o documento.

Por fim, neguei com a cabeça.

— Não quero mais.

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