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12- Você é casado?

Author: luproencio
last update publish date: 2024-02-06 11:43:09

Aqui na aldeia muitos dos homens a desejam, não sei o que veem nela, eu gostaria muito que os agentes a tivesse levado.

- Ela sempre fugia, se eles a tivessem visto certamente a teriam levado.

- Mas ainda acho que ela dorme com o oficial, não sei o que ele vê nela, tão insosa.

Yuri estava farto de ouvir as mulheres jogando conversa fora e ainda destilando veneno contra Rosana que saia cedo e ia para a roça plantar e colher muito mais do ela precisava para viver, ou seja, enquanto ela trabalhava para ajuda-los eles falavam mal dela pelas costas.

Yuri pigarreou, elas se assustaram.

-Marechal. Elas disseram juntas se curvando quando o viram passar.

- Voces não tem trabalho? Ele perguntou, indicando que ele as havia ouvido.

Ele seguiu seu caminho e elas ficaram lá paradas Raoni tentou abusar de Rosana, ele já desconfiava, tanto que relatou abusos por parte dele quando mandou as informações sobre ele e sua tropa para o imperador, mas não citou abuso sexual, pois não tinha provas. Mas ele não ficaria impune.

Yuri passou por Rosana que lavava algumas batatas em uma bacia com água no terreiro.

-Você me questionou sobre eu não me misturar com a tropa, você tambem está sempre aqui sozinha. Ele perguntou a ela, assustando-a.

Assustada, Rosana deixou cair na bacia com agua as batatas que estavam em suas mãos, espirrando agua para os lados, alcançando a calça de Yuri, que o fez olhar para as pernas agora molhadas com desagrado.

-Você me assustou. Ela disse em sua defesa.

- O que anda pensando para estar tão destraida. Ele perguntou.

-Em nada! Ela disse rapidamente.

- Sei, faça este pato com algumas batatas para meu jantar. Ele disse deixando um dos patos morto ao seu lado.

- Eu não tenho onde fazer e também....

Ele a interrompeu – Use minha cozinha.

Ela ia dizer que não era cozinheira dele, mas ele saiu de forma que ela não teve tempo de falar.

Yuri sabia que Rosana diria que não era empregada dele, mas ele estava fazendo-a cozinhar para ela mesma, ele tinha reparado a tempos que ela trazia os alimentos, mas comia muito pouco e sempre a mesmas coisas, ela deixava tudo para a comunidade.

Já estava acostumada abrir mão de suas vontades e necessidades em “nome de um bem maior” este pensamento só trazia miséria para a maioria, enquanto uma minoria vivia no melhor as custas do trabalho dos outros.

Yuri estava irritado com ela. Ele levou os outros patos para as cozinheiras fazer para o restante do pessoal.

Quando ele voltou, ela estava na cozinha de sua cabana, ela estava fazendo o pato com as batatas que ela havia lavado.

-Vou tomar banho, me espere.

Ele tomou banho e entrou cabana a dentro, sem camisa enchugando seus cabelos com uma toalha.

Ela o olhou, sem perceber, estava observando-o se secar e seu rosto estava corado.

Ele notou, colocou uma camiseta satisfeito, ele gostava de saber que sua presença lhe causava alguma sensação.

-Vá tomar seu banho, já deixei agua quente no banheiro, e por favor troque este vestido, te dei vestidos novos e todo dia você está com este vestido velho.

- Eu não quero estraga-los e também as pessoas podem falar. Ela disse, continuando o que estava fazendo, com a cabeça baixa.

- Olhe para mim! Ele se colocou na sua frente.

- Não se incomode com o que os outros falam, simplesmente pense em você, além disso os vestidos são para usar e se algum estragar você me avisa, comprarei outro. Quero vê-la com outro vestido e de sapatos.

-Mas... ela tentou falar, mas foi interrompida.

- Não tem mas, sou eu quem dá as ordens por aqui. Agora vá.

- Mas eu ainda não terminei seu jantar. Ela disse.

- Te mandei ir tomar seu banho e não precisa pressa, agora vá criatura teimosa!

Ela saiu pisando duro e foi tomar o banho, ela ficou pensando “será que estou tão suja e fedida assim”?

Ela não estava, mas Yuri estava com pena dela trabalhar o dia todo as desculpas dela cozinhar para ele era apenas para ela fazer uma refeição melhor, se ele dissesse que era para ela, ela certamente não faria.

Ele tomou sua posição e terminou o jantar,ele abafou o pato e colocou as batatas que ela havia cozinhado junto do pato para que pegasse seu sabor.

Ele aproveitou uns pessegos que ela havia trazido os descascou e colocou em uma panela para cozinhar devagar no canto do fogão, no fim do jantar eles teriam uma geleia de pessego adocicada naturalmente, para acompanhar o chá.

Quando ela voltou havia colocado o vestido rosa, ele realçava seus olhos e a deixava muito delicada, angelical ele diria, não fosse pela sua teimosia.

-Você terminou o jantar?

Ela disse olhando para os pratos sobre uma mesa feita de improviso, com restos de madeira.

Yuri era habilidoso tudo que ele tocava ficava mais bonito e harmonioso. Com o resto de madeira ele havia feito uma mesa pequena e dois banquinhos, a maioria dos aldeões nem tinham onde sentar.

- Venha vamos jantar. Ele disse tirando uma coxa graúda do pato e algumas batatas que ele regou com o caldo do cozimento do pato.

Ele colocou o prato a sua frente sobre a mesa.

-Sente-se! Ele disse voltando para o fogão, com o outro prato para também se servir.

-Não, eu estou bem. Ela disse, não querendo se sentar.

- Sente-se e coma é uma ordem, não gosto de comer sozinho. Ele disse mostrando o lugar para ela com a colher que estava em sua mão.

Meio acanhada ela se sentou, seus olhos se encheram quando viu a coxa do pato em seu prato.

Yuri se sentou e deu uma colherada e levou a boca, ela continuava parada a sua frente.

-Você não vai comer? Ele perguntou curioso.

Ela não disse nada e começou a comer, sem olhar para ele. Ela estava com vergonha, por alguma razão ele não era como os outros, era mais fino e requintado.

- Posso lhe fazer uma pergunta? De repente ela disse sem olhar para ele.

- Hum, pergunte. Ele disse olhando para ela.

- Você é casado? Ela perguntou, ainda de cabeça baixa, levando a colher aos lábios.

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