LOGINValéria acreditava ter o controle absoluto de sua vida. Uma mulher forte, independente e focada em construir sua própria carreira na biomedicina, ela aprendeu a nunca mais depender de ninguém para proteger seu próprio coração. No entanto, o destino decide testar suas barreiras quando o enigmático Luca Del Toro cruza o seu caminho. Homem vindo do interior que construiu o próprio império do zero, o influente CEO hoje tem o mundo aos seus pés, mas se vê intrigado pela postura inabalável de Valéria — uma mulher que não se deixa intimidar pelo seu poder e que não cede facilmente ao seu charme. Em um jogo de atração, poder e segredos do passado, eles serão forçados a conviver lado a lado. Valéria descobrirá que as feridas do passado não precisam ditar o seu futuro, enquanto Luca aprenderá que as coisas mais valiosas da vida não podem ser compradas. Entre a razão e a paixão avassaladora, uma verdade permanece: ela não pertence a ninguém a não ser a si mesma — mas um presente tão valioso sempre encontra quem realmente sabe dar o seu devido valor.
View MoreCapítulo 1: O Brinde do Encerramento
O som das taças se chocando e o murmúrio alegre dos convidados atravessavam a pesada porta de vidro da varanda. Do lado de fora, a brisa fria da noite de Verona Heights, uma das metrópoles mais vibrantes de Verídia, movia suavemente os fios do cabelo castanho-escuro no elegante corte long bob de Valéria, que mantinha o olhar fixo na bebida avermelhada em sua taça. Aos seus vinte e quatro anos, com 1,70m de altura e uma postura impecável, ela exalava a presença de uma mulher forte e resolvida. Lá dentro, sob as luzes douradas do salão, Mateo, de vinte e seis anos, ria abertamente ao lado de Natália, também de vinte e quatro. O tom castanho-claro do cabelo ondulado dele brilhava sob a iluminação enquanto segurava com delicadeza a mão da namorada, que exibia um sorriso radiante entre seus fios loiros. Era a festa de cinco anos do laboratório de biomedicina que Valéria e Mateo haviam erguido juntos, com muito suor e dedicação: a AuraBio Laboratórios. Valéria suspirou suavemente, sentindo um nó familiar no peito, mas que agora já não doía como antes. As memórias vieram como uma maré rápida: a infância correndo pelo quintal com Mateo e com a caçula Valentina, hoje com vinte e dois anos; os perrengues do ensino fundamental e médio; as noites em claro na faculdade alimentando-se de café frio; e aquele primeiro escritório improvisado onde prometeram vencer no mundo dos negócios. Durante todos aqueles anos, ela guardou o amor por ele em silêncio. A cada namoro que Mateo começava e terminava, uma pequena esperança renascia no coração dela. "Talvez um dia ele me enxergue além da amizade", pensava. Mas essa ilusão se desfez semanas atrás, quando ele a chamou no escritório com o olhar brilhando para confidenciar que pretendia pedir à Natália em casamento. — É o fim do ciclo, Valéria — ela sussurrou para si mesma, encarando o céu estrelado. — Chegou a hora de se libertar. O barulho do fecho da porta cortou o silêncio da noite. Mateo aproximou-se com passos leves, segurando duas taças. O sorriso radiante que ele ostentava no salão deu lugar a uma expressão mais calma e afetuosa ao ver a sócia ali sozinha. — Te achei — disse ele, encostando-se no parapeito ao lado dela e entregando-lhe uma das taças. — A festa lá dentro está incrível, e a aniversariante principal escondida aqui fora olhando para as estrelas? Valéria sorriu com carinho, pegando a taça. — Só estava respirando um pouco, Mateo. Olhando para tudo o que construímos na Aura nestes cinco anos — respondeu ela, com a voz serena. — Nem parece que há alguns anos estávamos dividindo uma pizza fria naquele escritório minúsculo — ele riu baixinho, contemplando o horizonte iluminado. Em seguida, a expressão dele mudou de um jeito diferente. — Sabe, Val... Ver a empresa dar certo assim me faz sentir que a minha vida finalmente está no rumo. Principalmente agora... com a Natália. Valéria segurou a taça com firmeza. Não havia mais dor amarga, apenas a certeza de que o momento era aquele. — Você realmente ama a Natália, não ama? — perguntou ela suavemente. — Como nunca amei ninguém — Mateo confessou, sem hesitar, transbordando sinceridade. — Eu pretendo pedir a mão dela em casamento no mês que vem. Você é a primeira pessoa para quem estou contando isso. Valéria olhou para o céu noturno uma última vez, tomou um gole da bebida e voltou-se para ele com uma expressão de pura serenidade. — Estou muito feliz por você, Mateo. De verdade — disse ela, com a voz firme. — E é exatamente por ver você pronto para dar esse passo que eu preciso te dizer uma coisa. Não para pedir nada, mas para me libertar e fechar esse ciclo em paz. Mateo franziu a testa de leve, curioso: — O que foi, Val? — Eu fui apaixonada por você durante anos — disse ela, direta e sem rodeios, mantendo o olhar fixo no dele. — Enquanto a gente crescia, enquanto erguíamos a AuraBio Laboratórios... eu te amei de um jeito que ia muito além da amizade. O sorriso de Mateo congelou. Ele piscou algumas vezes, tentando assimilar o que acabara de ouvir. — Val... o quê? — Não fala nada, só me escuta — interrompeu ela, com um sorriso acolhedor e calmo. — Você não tem culpa de absolutamente nada. A gente não manda no coração, e você sempre me viu como uma irmã, o que é um direito seu. Eu nunca te contei antes porque não queria estragar a nossa parceria, nossa amizade ou a relação com a Valentina. Mas hoje, vendo você pronto para construir uma família com a Natália, eu decidi que era hora de enterrar esse sentimento de vez. Mateo deu um passo à frente, com a voz embargada e um nó na garganta: — Val... eu não fazia ideia. Me desculpa se em algum momento eu te fiz sofrer sem saber, eu jamais quis... — Ei — ela colocou a mão suavemente no braço dele. — Você não tem pelo que pedir desculpas. Ninguém escolhe por quem se apaixona e você nunca me prometeu nada. Eu não estou te contando isso para ir embora da empresa, para mudar nossa amizade ou sumir da sua vida. Nós construímos tudo isso juntos e continuaremos firmes como os melhores sócios. Eu só precisava colocar isso para fora para que o meu coração ficasse limpo e pronto para o meu próprio futuro. Valéria abriu os braços de forma acolhedora. Mateo, ainda chocado, mas profundamente emocionado e grato pela nobreza dela, a envolveu em um abraço sincero e apertado. Era o abraço de dois irmãos de alma encerrando um capítulo silencioso para iniciar um novo tempo. Ao se afastarem, Valéria deu um leve tapinha no ombro dele, ajustou a postura e sorriu: — Pronto. Página virada. Agora vamos voltar para lá, porque a festa também é nossa. Mateo abriu a porta de vidro primeiro para que ela passasse. Ao retornar ao salão movimentado, Valéria distraiu-se por um segundo ao ajeitar a bolsa e acabou esbarrando sem querer no ombro de um homem que recém-chegava ao evento. A taça de champanhe oscilou em sua mão, mas antes que o líquido derramasse em seu vestido, uma mão firme e ágil segurou seu braço com precisão. — Cuidado — disse uma voz grave e aveludada, que fez a espinha de Valéria arrepiar no mesmo instante. Valéria ergueu o olhar para se desculpar: — Perdão, eu estava distraída... As palavras travaram em sua garganta. Tratava-se de Luca Del Toro. Aos vinte e quatro anos, com seus 1,85m de altura, ombros largos e um terno escuro feito sob medida, o CEO da Vortex Tecnologias exalava o magnetismo de um homem poderoso e extremamente seguro de si. Quando os marcantes olhos azul-esverdeados dele se cruzaram com os olhos tom de âmbar de Valéria, Luca não a encarou com a formalidade de um evento corporativo, nem como uma jovem a ser protegida — ele a olhou de homem para mulher, com uma admiração direta e avassaladora. — Não há pelo que se desculpar, Dra. Valéria — disse Luca, sustentando o olhar por um segundo a mais do que o estritamente social antes de soltar o braço dela com extrema elegância. — O erro foi meu por cruzar o seu caminho de forma tão repentina. É um prazer finalmente conhecê-la pessoalmente. Valéria recuperou o fôlego, sentindo um calor diferente subir por seu rosto: — O prazer é meu, Sr. Del Toro. Não sabia que contaria com a sua presença hoje. — Eu não perderia a oportunidade de conhecer de perto a mente brilhante por trás das pesquisas da AuraBio Laboratórios — respondeu Luca, exibindo um sorriso discreto e charmoso no canto dos lábios. Mateo, que vinha logo atrás, deu um passo à frente. Ao ver a proximidade entre os dois e a intensidade na expressão de Luca sobre a sua sócia, o maxilar de Mateo travou imperceptivelmente. Um ciúme protetor e instintivo — o sentimento de posse de um irmão mais velho que de repente vê a "irmã" ser notada por outro homem — acendeu em seu peito. — Luca — cumprimentou Mateo, colocando-se ao lado de Valéria com o corpo sutilmente fechado. — Não sabia que já tinha chegado. — Acabei de passar pela entrada, Castillo — respondeu Luca com serenidade, medindo a postura defensiva de Mateo, mas mantendo o foco do seu olhar em Valéria. — E vejo que a noite promete ótimas conversas.Capítulo 9: O Retorno dos Pais e o Olhar de FamíliaO saguão do aeroporto internacional de Verona Heights estava movimentado na noite de terça-feira. Entre o fluxo constante de passageiros e o som das malas rolando pelo piso polido, Valéria aguardava perto da saída do desembarque. Ela vestia um jeans ajustado, uma blusa de gola alta e um casaco leve, mantendo a postura serena e elegante que lhe era natural.Quando as portas automáticas se abriram mais uma vez, ela avistou os pais caminhando juntos.Roberto e Cecília vinham de mãos dadas, trocando risadas e cumplicidade. Tinham acabado de passar dez dias nas praias paradisíacas do Caribe, celebrando mais um aniversário de casamento na chamada "quinta lua de mel" do casal.— Minha filha! — Cecília abriu os braços com um sorriso iluminado assim que os olhos encontraram Valéria.As duas se abraçaram com calor e saudade. Em seguida, Roberto envolveu as duas em um abraço protetor e acolhedor, beijando o topo da cabeça da filha com cari
Capítulo 8: O Aroma das Flores e o Convite Pessoal Na manhã de sábado, o sol brilhava suavemente através da varanda do apartamento. Valéria ainda estava de roupão de seda e xícara de café na mão quando a campainha tocou. Era Valentina, de vinte e dois anos, que havia saído cedo da mansão de seus pais e trazia uma sacola com croissants frescos de uma padaria artesanal. — Eu nem esperei dar dez horas da manhã! — disse Valentina, entrando radiante e deixando os pães na bancada da cozinha. — A sua carona ontem com o Luca... Como foi? Me conta tudo! Valéria riu, servindo mais uma xícara de café para a amiga. — Foi tranquila, Tina. Ele me deixou na portaria do prédio, conversamos um pouco... — "Conversamos um pouco"? Valéria, eu vi o jeito que ele te olhava durante todo o jantar no restaurante! — provocou Valentina, sentando-se na banqueta da bancada. — O Luca é lindo, comanda uma empresa gigante e não tirou os olhos de você por um segundo sequer. Valéria olhou para a própri
Capítulo 7: O Percurso, a Intimidade e o Despertar do Corpo O jantar comemorativo havia se encerrado sob risos e um clima de dever cumprido. Pouco antes de solicitarem a conta, enquanto Mateo e Luca ajustavam alguns detalhes do transporte com o garçom, Natália levantou-se discretamente da mesa para ir ao toucador. Valéria olhou para Valentina, que lhe deu um leve aceno de aprovação com a cabeça. Sentindo que aquele era o momento perfeito para ter a conversa que havia planejado, Valéria levantou-se com passos tranquilos e seguiu até o lounge reservado que antecedia a entrada dos banheiros do restaurante. Natália estava retocando o batom diante do espelho quando percebeu a presença de Valéria através do reflexo. Ela virou-se com um sorriso gentil: — A noite foi maravilhosa, não foi, Valéria? A integração das equipes foi um sucesso. — Foi impecável, Natália — respondeu Valéria com suavidade, aproximando-se um passo. Ela manteve a postura elegante, mas seu olhar expressava tota
Capítulo 6 O café da manhã na cozinha do apartamento de Valéria começou sob o olhar curioso e o interrogatório animado de Valentina. — Sem relatórios na mesa? Um bistrô reservado? Carta de vinhos? — Valentina apoiava os queixos nas mãos, com os olhos castanho-esverdeados brilhando de empolgação. Aos seus vinte e dois anos, ela vibrava com cada novidade na vida da amiga. — Valéria, isso não foi um jantar comum de trabalho. Foi um encontro impecável! Valéria sorriu, ajeitando a xícara de chá sobre a mesa. Suas bochechas coraram levemente, mas seu olhar expressava a serenidade de quem estava aproveitando aquela nova fase. — Foi apenas uma conversa agradável entre dois profissionais que se admiram, Val — explicou Valéria com serenidade. — O Luca é extremamente inteligente e tem uma visão de mundo incrível. Ele não me tratou como "a sócia do Mateo". Ele conversou comigo de igual para igual. — E é exatamente assim que você merece ser tratada! — Valentina levantou-se da cadeira e de


















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