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Capítulo 5. A Proposta.

Penulis: Jeda Clavo
last update Tanggal publikasi: 2026-10-22 10:10:06

Capítulo 5. A Proposta.

Às oito da manhã, o calor dentro da casa já era sufocante.

Olivia espremia a última gota de uma garrafa de água quente sobre um pano para limpar o pescoço quando uma buzina soou lá fora.

Não era o rugido de uma escavadeira. Era o ronronar suave de um motor de luxo.

Olivia saiu para a varanda. Um Lincoln preto, comprido e reluzente, esperava junto à calçada. O motorista, um homem uniformizado, desceu e abriu a porta traseira para ela.

— O Sr. Cross está esperando pela senhorita — disse o homem. Não foi um convite. Foi uma convocação.

Olivia olhou para seu jeans sujo, suas botas gastas e sentiu o suor escorrer pelas costas. Olhou para a casa: um forno sem luz nem água.

— Diga a ele que estou ocupada tentando sobreviver ao cerco que ele mesmo criou.

— O Sr. Cross disse que, se a senhorita entrar no carro, ele restabelecerá o fornecimento de água dentro de uma hora.

Olivia parou imediatamente. Olhou para a janela do segundo andar, onde sua mãe se abanava desesperadamente.

Maldito manipulador.

Olivia desceu os degraus com raiva, atravessou o jardim e entrou no carro.

O ar-condicionado a atingiu como um tapa de gelo. O interior cheirava a couro novo e dinheiro. O contraste com sua realidade foi tão brutal que ela teve vontade de chorar, mas apertou os punhos sobre os joelhos.

A viagem foi curta e silenciosa.

O edifício Cross Tower era uma agulha de vidro que perfurava o céu do centro financeiro.

Olivia entrou no saguão, ignorando os olhares dos executivos e recepcionistas. Ela era uma mancha de poeira e guerra naquele mundo imaculado de mármore branco.

— Trigésimo andar — indicou o segurança, sem pedir sua identificação. Estavam esperando por ela.

O elevador subiu tão rápido que seus ouvidos ficaram entupidos. As portas se abriram diretamente para um escritório maior do que sua casa inteira.

Paredes de vidro. Móveis minimalistas. E frio. Muito frio.

Liam Cross estava de pé diante da janela panorâmica, de costas para ela.

— Você demorou — disse ele, sem se virar.

— O trânsito estava complicado — respondeu Olivia, caminhando até o centro da sala. Não se sentou. Ninguém lhe ofereceu uma cadeira. — Restabeleça a água e a eletricidade, Cross. Cumpri minha parte. Estou aqui.

Liam se virou lentamente.

Usava uma camisa branca, sem gravata, com os primeiros botões abertos. Parecia cansado, tenso. Seus olhos percorreram Olivia da cabeça aos pés, detendo-se no ombro machucado, escondido sob o tecido da camiseta.

— Está doendo? — perguntou.

— Não finja que se importa.

— Não estou fingindo. Me incomoda ver algo que é meu danificado.

— Eu não sou sua. E minha casa também não.

Liam caminhou até a escrivaninha. Pegou um controle remoto e apertou um botão.

Uma tela gigantesca na parede se acendeu.

Era uma gravação de segurança. Granulada, em preto e branco, mas nítida o suficiente.

A noite anterior. A varanda de Olivia. Ela conversando com Andrés Alcázar.

Liam congelou a imagem exatamente no momento em que Andrés lhe entregava o cartão e sorria com aquele sorriso de lobo.

Olivia sentiu o estômago se contrair.

— Então... — Liam jogou o controle remoto sobre a mesa. O barulho pareceu um disparo. — Você j**a pedras nos meus carros, mas aceita cartões dos meus inimigos.

— Ele veio falar comigo — defendeu-se Olivia, mantendo a voz firme. — E foi muito mais educado do que o senhor. Não apareceu com escavadeiras.

Liam contornou a mesa. Moveu-se rapidamente, como um animal prestes a atacar. Em duas passadas, estava diante dela, invadindo seu espaço pessoal.

— Você sabe quem ele é? — sibilou Liam, aproximando o rosto do dela. — É uma cobra, Olivia. Vai usar você para chegar até mim.

— O senhor está me usando para limpar um terreno — rebateu ela, erguendo o queixo. — Pelo menos ele me ofereceu ajuda.

— Ajuda? — Liam soltou uma risada sombria, sem humor. — Você acha que Andrés Alcázar ajuda alguém de graça? O que ele pediu em troca? Que você fosse para a cama com ele?

PLAF!

A mão de Olivia voou, mas, desta vez, Liam foi mais rápido. Agarrou seu pulso no ar, a poucos centímetros do próprio rosto.

— Uma vez — advertiu Liam, apertando o pulso dela com força, os olhos brilhando com uma fúria possessiva. — Eu deixei você me bater uma vez. Não haverá uma segunda.

Puxou-a até colá-la ao próprio corpo. Olivia se chocou contra seu peito rígido. Podia sentir seu cheiro: café, menta e uma raiva contida que a fazia tremer.

— Me solte — exigiu ela, tentando se desvencilhar.

— Você gosta de brincar com fogo, Olivia? — murmurou ele junto ao ouvido dela. Sua voz ficou mais grave, rouca e vibrante. — Quer guerra? Perfeito. Vou lhe oferecer uma saída.

— Que saída? — perguntou ela, ofegante. Seu coração batia descontroladamente.

Liam a soltou bruscamente e recuou, apoiando-se na borda da escrivaninha. Cruzou os braços, observando-a com uma intensidade que parecia despi-la.

— Vou cancelar a demolição — declarou Liam.

Olivia piscou. O mundo parou.

— O quê?

— Você ouviu. Retiro as máquinas. Quito a dívida com o banco. Restabeleço a luz e a água ainda hoje. Sua família continua na casa. Ninguém encosta em vocês.

Era bom demais. Era um milagre.

— Em troca de quê? — perguntou Olivia, desconfiada. Seus olhos se estreitaram. — O que o senhor quer? As terras do sul? A assinatura do meu pai?

Liam balançou a cabeça lentamente. Seus olhos percorreram a boca de Olivia, seu pescoço e seus seios, que subiam e desciam com a respiração agitada.

— Quero você.

O silêncio no escritório foi absoluto.

— Como é que é? — sussurrou Olivia.

— Quero exclusividade — disse Liam, com o mesmo tom de quem negociava uma fusão empresarial, embora seus olhos ardessem. — Quero você na minha cama. Quero você nos meus eventos. Quero você longe de Andrés Alcázar.

Olivia abriu a boca, indignada, mas nenhuma palavra saiu.

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