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Seis meses depois, Vinícius e eu começamos a namorar. Não houve nenhuma grande declaração de amor nem amigos por perto para testemunhar o momento.Naquele dia, nos abrigamos da chuva em um sebo. Ele escolheu um livro de poemas de que eu gostava e escreveu uma frase na folha de rosto.[Para Cristina. Que você nunca precise ser comparada a ninguém.]Fiquei um bom tempo olhando para aquelas palavras antes de segurar a mão dele.— Vinícius, agora eu quero ficar com você.Ele ficou atônito por alguns segundos, mas seu olhar foi se iluminando aos poucos.— Então posso te abraçar?Assenti.Ele me abraçou com delicadeza, como se tivesse medo de me machucar.Mais tarde, abri um pequeno ateliê de arranjos florais, que batizei de "Não Sou Candidata".Quando Letícia viu a placa pela primeira vez, caiu na gargalhada e custou a parar de rir.— Mas que nome teimoso!Coloquei um buquê de campânulas brancas em um vaso.— Não é teimosia. É a minha resposta.No dia da inauguração, muitos amigos aparecera
Francisco desapareceu por duas semanas, e eu achei que ele finalmente tivesse aprendido a se comportar com um mínimo de dignidade. Até que chegou o aniversário de Amanda.Alguém do nosso grupo de amigos postou uma foto da festa. Francisco não aparecia na imagem. Amanda estava sentada diante do bolo, com um sorriso forçado no rosto.Alguém perguntou nos comentários: [Este ano, o Francisco não vai assistir à estreia com você?]Amanda não respondeu. Naquela noite, ela me enviou uma mensagem de voz.— Cristina, eu nunca quis magoar você. É que me acostumei a ter o Francisco por perto. Você fez com que ele mudasse de uma hora para outra, e isso também me assusta.Sua voz era doce, contida, carregada de mágoa. Ela não admitiu nada, mas cada palavra me lembrava de que, um dia, ela tinha sido a prioridade dele, enquanto eu implorava por um lugar que nunca consegui ocupar.Ouvi a mensagem até o fim e respondi apenas por escrito.[O fato de você estar com medo não significa que eu precise abrir
Francisco veio me procurar no fim de uma tarde chuvosa.Eu tinha acabado de sair da floricultura. Naquela época, fazia um curso de arranjos florais ali perto. Não era nada que eu pudesse chamar de carreira. Só queria encontrar alguma coisa que fosse realmente minha.Vinícius me ajudou a levar as flores e os materiais até a entrada. Assim que viu Francisco, parou.— Quer que eu fique?Olhei para Francisco. Ele estava parado sob um poste de luz, com um dos ombros molhado e uma sacola de papel na mão.Balancei a cabeça e respondi:— Não precisa.Vinícius não fez mais perguntas. Apenas me entregou o guarda-chuva.— Então vou esperar por você perto do carro.Francisco só falou depois que Vinícius se afastou.— Ele te trata muito bem.Não respondi. Francisco me estendeu a sacola. Dentro, havia uma pilha de folhas com os registros das votações. Alguns trechos estavam circulados com caneta vermelha, e os cantos das folhas estavam ondulados por causa da chuva.— Eu li tudo, Cristina. Sempre ach
Francisco voltou a examinar aquelas enquetes, não porque finalmente tivesse percebido o próprio erro, mas porque ainda se recusava a aceitar o que tinha acontecido.Queria provar que as capturas de tela não passavam de brincadeiras entre amigos e que ele não era tão desprezível quanto eu dizia.Mas, quanto mais rolava a tela, mais sua expressão se fechava. Amanda havia criado a maioria das enquetes.Ela sempre sabia exatamente quando lançar uma pergunta no grupo.Bastava eu perguntar a Francisco se podíamos assumir nosso namoro publicamente para ela mandar: "Namorar atrapalha as amizades?"Bastava eu dizer que não queria que ele levasse Amanda para casa para ela perguntar: "É perigoso uma garota pegar um táxi sozinha à noite?"Bastava eu ficar com os olhos marejados por causa de uma discussão sobre quem sentaria no banco da frente para ela lançar: "A namorada deve disputar o banco da frente com uma amiga?"Bastava eu perguntar se podíamos comemorar nosso aniversário de namoro a sós par
Um mês depois, Francisco me viu na festa de noivado de um amigo. Eu estava sentada perto da janela.Tinha cortado um pouco o cabelo, e um homem ao meu lado ajeitava o casaco pendurado no encosto da minha cadeira.Era um gesto natural, sem intimidade excessiva, mas parecia incomodar Francisco mais do que qualquer demonstração de carinho.Na hora das apresentações, nosso amigo escolheu as palavras com cuidado.— Este é Vinícius Cardoso, colega de faculdade da Cristina. Acabou de voltar ao país. No último aniversário da Cristina, Letícia adicionou Vinícius ao grupo na última hora, porque precisava da ajuda dele para encomendar um buquê de flores.Francisco fixou os olhos nele.Vinícius estendeu a mão.— Sr. Francisco.Francisco não apertou a mão que ele lhe oferecia. Em vez disso, olhou diretamente para mim.— Você mudou de número?Ergui os olhos para ele.— Mudei.— Por que não me contou?— Não tenho obrigação de avisar meu ex quando mudo de número depois que terminamos.A palavra "ex" d
Francisco permaneceu parado diante daquele prédio por um longo tempo.De início, sentia apenas raiva. Raiva por eu tê-lo feito passar vergonha na frente do funcionário da transportadora e por eu ter devolvido a chave junto com a pulseira.Mas o que mais o enfurecia eram as palavras que eu havia dito: "E eu escolho tirar você da minha vida."Durante aqueles três anos, depois de cada briga, Francisco nunca precisou correr muito atrás de mim. Era sempre eu quem mandava a primeira mensagem.[Francisco, será que a gente não pode parar com isso?][Eu não estou tentando obrigar você a me escolher.]Sempre que lia aquelas mensagens, Francisco sentia um alívio secreto.Enquanto eu continuasse mandando mensagens, isso significava que eu ainda não tinha ido embora. Mas, daquela vez, a conversa estava vazia. Não havia nenhuma daquelas brechas que eu costumava deixar, com tanto cuidado, para facilitar uma reconciliação.Francisco tentou me ligar. Na primeira vez, ninguém atendeu. Na segunda, o celu







