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Não Quero Mais Ser Uma Opção Para Você
Não Quero Mais Ser Uma Opção Para Você
Autor: Nuvemzinha

Capítulo 1

Autor: Nuvemzinha
A sala reservada ficou em silêncio por alguns segundos. Francisco ainda mantinha a mão sobre a minha cabeça.

Amanda foi a primeira a rir, como se tivesse acabado de ouvir uma brincadeira inocente.

— Cristina, não fique assim. Hoje é seu aniversário!

Francisco tirou a mão da minha cabeça e franziu a testa.

— Cristina Moura, está todo mundo aqui. Não precisa fazer essa cara só porque perdeu.

Até então, bastava ele me chamar pelo nome completo para eu baixar a cabeça. Eu tinha medo de irritá-lo, de virar motivo de piada entre nossos amigos e de acabar ouvindo de todo mundo que estava fazendo tempestade em copo d'água.

Mas, daquela vez, apenas retirei as velas do bolo, uma por uma.

— Não sou eu quem está passando vergonha aqui.

Amanda imediatamente agarrou a manga da camisa de Francisco.

— Francisco, quer saber? É melhor deixar isso para lá. Não precisa mais me levar ao cinema.

Apesar do que dizia, Amanda continuava segurando o ingresso com força. Nossos amigos logo começaram a dar suas opiniões.

— A votação já foi feita. Não dá para abrir uma exceção agora, dá?

— Cristina, seja mais compreensiva. Amanhã ele dá um jeito de compensar.

Francisco olhou para o relógio. Faltavam apenas vinte minutos para o filme começar. Depois de alguns instantes em silêncio, pegou o casaco.

— Vou levar a Amanda. Se ainda quiser comemorar seu aniversário, me espere aqui. E pare de me colocar nessa situação, como se eu tivesse que agradar vocês duas o tempo todo.

Ergui os olhos para ele.

— Eu já disse que não precisa compensar nada.

Como se não tivesse ouvido, ele passou direto por mim. Amanda foi logo atrás e, ao passar por mim, soltou um suspiro fingidamente resignado.

— Cristina, você sabe muito bem que ele odeia ser obrigado a escolher.

Assim que a porta se fechou, a música voltou a tocar na sala. O resultado da votação continuava estampado no telão.

[Amanda: 17 votos]

[Cristina: 1 voto]

Aquele único voto continuava ali, isolado, como se fosse o último resquício de dignidade que me restava.

Meu celular vibrou. Uma nova enquete havia surgido no grupo. Desta vez, os votos não eram anônimos.

[Em quantos minutos vocês acham que a Cristina vai correr atrás dele para pedir desculpas?]

[Dez minutos]

[Meia hora]

[Amanhã de manhã]

Amanda votou em dez minutos. Alguém achou graça e escolheu a mesma opção.

— Não superestimem a Cristina. Cinco minutos, no máximo.

— Ela não consegue ficar longe do Francisco.

Francisco não votou. Também não apareceu nenhuma mensagem dele pedindo que parassem.

De repente, alguém perguntou no grupo: [Aquele único voto na Cristina foi dela mesma, não foi?]

Amanda respondeu com um emoji rindo, com a mão cobrindo a boca.

[Quem mais votaria nela além dela mesma?]

Fiquei encarando aquela mensagem enquanto sentia as pontas dos dedos esfriarem aos poucos. Então era isso. Eles nem sequer cogitavam que aquele único voto pudesse ter vindo de outra pessoa.

Saí do grupo. A coroa de aniversário, feita de papel dourado, continuava jogada sobre a mesa, encharcada de bebida e toda deformada.

Peguei minha bolsa e me virei para ir embora. Alguém gritou atrás de mim:

— Cristina, você vai embora mesmo?

Não olhei para trás. O corredor era longo.

A parede de vidro refletia minha imagem: vestido branco, olhos vermelhos, mãos vazias. Eu parecia uma palhaça que, enfim, já não conseguia mais sustentar o papel que vinha interpretando.

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