LOGIN— Se esse casamento fosse por amor… eu choraria agora — disse Sofia. — Você está linda. Vitória sorriu de leve. O vestido era branco, de mangas longas em renda delicada, que cobria os braços com desenhos finos, quase etéreos. O decote em ilusão subia até o pescoço, bordado com detalhes que brilhavam discretamente sob a luz. A saia caía em linhas limpas, estruturada, abrindo-se com elegância até a cauda longa que deslizava pelo chão. Não havia exagero. Havia imponência. — Pode chorar — respondeu Vitória. — Eu também quero. Mas é por outro motivo. Sofia abraçou Vitória com cuidado, como quem segura algo valioso. — Eu vou estar ali. Se quiser fugir é só olhar para mim e piscar duas vezes.
View MoreO silêncio tomou conta do quarto. — Ele continua internado na ala psiquiátrica. Helena observou a reação dele. — A tia Jane é a única que ainda vai visitá-lo... acho que ela tenta se aproximar dele. Ela ficou alguns segundos em silêncio. — Mas você fez um ótimo trabalho, papai. Leonardo começou a se debater. As cordas impediram qualquer movimento maior, mas a raiva ficou evidente. — Você conseguiu transformar ele em alguém que não consegue enxergar nada além de você. Helena aproximou o rosto do dele. — A lavagem cerebral foi tão grande que, quando ele achou que você tinha morrido... Ele perdeu completamente o controle. Leonardo passou a se debater com ainda mais força, tentando se livrar das amarras ou, talvez, apenas afastá-la dali. Helena soltou seus cabelos sem demonstrar qualquer reação. — Nossa. Levantou-se. — Como você está mal-humorado hoje... Nem parece que sentiu minha falta. Antes que pudesse continuar, o telefone tocou. Helena baixou os olhos para a tela e, a
— Oi, papai. A voz de Helena foi a primeira coisa que Leonardo ouviu. Ele estava ajoelhado no chão, com os olhos vendados e as mãos presas atrás do corpo. Durante alguns segundos, permaneceu imóvel, tentando entender quem estava diante dele. Então ela continuou. — Faz bastante tempo que eu não venho te ver, né? Helena caminhava lentamente pelo quarto enquanto falava, observando cada detalhe daquele homem que, durante tantos anos, acreditou ter o controle da vida de todos ao seu redor. — Me desculpa por isso. Eu estava muito ocupada com as empresas... e cuidando da mamãe. Ela parou por um instante. — A vida ficou bem corrida depois que você saiu dela. A frase carregava uma ironia que Leonardo conhecia muito bem. — Hoje é o seu aniversário de morte, sabia? Ela soltou um pequeno sorriso sem humor. — Cinco anos desde que você foi declarado morto dentro daquela prisão. O tempo passou rápido, não passou? Leonardo não esboçou qualquer reação. Helena continuou, indiferente ao sil
Rafael permaneceu olhando para ela por alguns segundos. Um sorriso discreto surgiu em seu rosto, mas havia algo diferente em seu olhar. — Ouvir você dizer isso me fez perceber o quanto eu estava errado esse tempo todo. Vitória continuou olhando para ele, esperando que explicasse. — Eu passei muito tempo me culpando... Me culpei por não ter conseguido proteger a minha mãe. Me culpei por tudo o que o Leonardo fez e, principalmente, por saber de algumas coisas e, mesmo assim, ter ajudado ele. Na minha cabeça eu estava fazendo o que era necessário para proteger as pessoas que eu amava. Achei que carregar tudo sozinho era o preço que eu precisava pagar para manter vocês em segurança. Ele abaixou os olhos por um instante. — Mas eu estava completamente errado. A voz saiu mais baixa. — Eu demorei para entender que proteger alguém não significa esconder a verdade. Não significa decidir tudo sozinho. Significa confiar. Significa fazer o que é certo, mesmo quando parece ser o caminho mai
— Parabéns pra você, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida... Vitória despertou lentamente ao escutar Rafael cantando. Ainda sonolenta, levou alguns segundos para abrir os olhos por completo. Quando finalmente conseguiu afastar o sono, encontrou Rafael na porta do quarto com um pequeno bolo nas mãos. A chama da vela iluminava seu rosto enquanto ele caminhava até a cama com um sorriso tão leve que fez o coração dela apertar. Por um instante, Vitória apenas o observou. Era curioso como algumas coisas jamais deixavam de emocioná-la. Meses haviam se passado desde que o encontrou naquela mata. Aos poucos, eles reconstruíram a própria rotina. Voltaram para casa, retomaram o trabalho, passaram novamente a ocupar a mesma biblioteca e aprenderam a cuidar das crianças juntos. A vida finalmente seguia em frente. Mesmo assim, existiam momentos como aquele. Momentos em que ela simplesmente parava para olhar para Rafael e era tomada pela mesma certeza de sempre. Ele e






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