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O Alfa Escolheu Minha Meia-Irmã, Eu Fui Embora
O Alfa Escolheu Minha Meia-Irmã, Eu Fui Embora
Penulis: Alyssa J

CAPÍTULO 1

Penulis: Alyssa J
No banquete da lua cheia, escapei dos Alfas que tentavam me cortejar e fui, entediada, para um canto.

Eu era a filha do Alfa da Alcateia Ashford, a loba mais bonita de todo o território sul. Alfas faziam fila para me conquistar, e eu não me dava ao trabalho de olhar para nenhum deles duas vezes.

Minha melhor amiga, Emily, apareceu ao meu lado com os olhos brilhando de diversão.

— Seraphina, tenho uma aposta para você. Acha que consegue fazer meu irmão se apaixonar por você? Se ganhar, eu te dou o colar de pedra da lua curativa da minha mãe. Se perder, você me entrega aquele carro esportivo de edição limitada que ama tanto.

Ergui uma sobrancelha. Eu cobiçava aquele colar havia muito tempo. Uma joia rara que dizia-se acelerar a cura de um lobisomem, e existia apenas uma igual em todo o território.

Olhei para o outro lado do salão, onde Kieran Frost estava.

Ele conversava calmamente com alguns outros Alfas, e seu terno preto ajustado destacava sua figura alta e esguia.

Todos no território dos lobisomens sabiam disso: o Alfa da Alcateia Frost nunca havia marcado uma única loba.

Inúmeras lobas bonitas tentaram levá-lo para a cama. Todas, sem exceção, foram rejeitadas friamente.

— Fechado.

Ergui o queixo e esvaziei minha taça em um único gole.

Naquela noite, enquanto patrulhava as fronteiras do território, senti o cheiro de sangue.

Sob a luz da lua, um enorme lobo se contorcia de dor.

Kieran Frost.

Ele havia sido envenenado por prata. No instante em que me aproximei, senti o calor escaldante irradiando de seu corpo.

Se aquilo continuasse por muito mais tempo, até mesmo um Alfa morreria.

Transformei-me rapidamente, mordi minha própria pata dianteira e deixei meu sangue pingar dentro da boca aberta de seu lobo.

O sangue de um lobo branco é um antídoto natural, e eu era a única loba branca de todo o território.

Mas percebi quase imediatamente que algo estava errado.

O envenenamento por prata havia desencadeado o calor dele.

Ele avançou antes que eu pudesse reagir.

Patas enormes me prenderam contra o chão. Sua respiração quente atingiu a lateral do meu pescoço.

Tentei me libertar.

Ele me manteve completamente imobilizada.

Seus dentes se fecharam na parte de trás do meu pescoço, exatamente onde um lobo marca seu companheiro destinado.

Meu corpo inteiro ficou rígido.

Mas ele não mordeu.

Permaneceu ali, emitindo um gemido baixo e quebrado do fundo da garganta, como se estivesse se contendo.

Sob a luz da lua, na grama úmida, permanecemos enroscados até o amanhecer.

Quando acordei, já estava novamente em forma humana.

O paletó de seu terno cobria meus ombros.

Sua camisa estava sob meu corpo.

Kieran estava a alguns metros de distância, de costas para mim.

— Sobre a noite passada...

— Eu sei. — interrompi, levantando-me e apertando o paletó ao redor do corpo. — Foi apenas por causa do calor. Não se preocupe com isso.

Ele se virou.

Sua expressão era complicada.

— Seu sangue salvou minha vida.

— Então você me deve uma.

Aproximei-me dele e ergui o rosto com um leve sorriso.

— Quando pretende pagar essa dívida?

Ele ficou em silêncio por um instante.

— O que você quer?

— Ainda não decidi. — sorri. — Aviso quando descobrir.

Durante os dois anos que se seguiram, à sua maneira, ele pagou essa dívida.

Sempre que eu o queria, bastava uma mensagem.

Ele vinha imediatamente.

Depois de algum tempo, era ele quem não conseguia ficar longe.

Sobre a longa mesa de conferências da sala de reuniões da alcateia, ele me prendia contra os documentos espalhados.

Nas florestas profundas das áreas de caça, ele me puxava para trás de uma árvore e tomava meus lábios.

Em todos os cômodos de sua propriedade particular, deixávamos marcas de nossa passagem.

Aos poucos, me apaixonei por ele durante aqueles incontáveis momentos de intimidade.

Achei que aquele Alfa, tão frio com todos os outros, também tivesse se apaixonado por mim.

Naquela noite, recebi uma caixa de presente que ele havia enviado.

Dentro havia um conjunto de lingerie preta rendada.

Vesti-a e me observei no espelho.

A renda destacava cada curva do meu corpo, sedutora e impossível de ignorar.

Eu sabia que ele gostava daquilo.

A porta do escritório não estava completamente fechada.

Eu estava prestes a empurrá-la quando ouvi vozes lá dentro.

— Alfa, está na hora de anunciar quem será a Luna. — Era a voz do Ancião. — A senhorita Seraphina está ao seu lado há dois anos. De acordo com a tradição da alcateia...

A voz de Kieran soou fria.

— Ela não será Luna.

Minha mão congelou na maçaneta.

— Mas ela é filha do Alfa da Alcateia Ashford — insistiu o Ancião. — E sua linhagem de lobo branco...

— Chega.

Kieran o interrompeu.

— Ela e eu estávamos apenas nos divertindo.

Meu coração se apertou como se uma mão o tivesse esmagado.

As lembranças voltaram uma após a outra.

Ele escovando meu pelo, tão cuidadoso como se eu fosse algo precioso.

Ele se transformando sob a luz da lua e me carregando nas costas para me mostrar todos os cantos do território.

Ele me abraçando durante uma tempestade e murmurando que eu não precisava ter medo.

O Ancião permaneceu em silêncio por um momento.

— E o seu primeiro amor? Quando vocês se separaram, ela pediu dois anos para experimentar outros parceiros. Esses dois anos acabaram. Não está na hora de ela voltar?

— Sim.

Finalmente, calor surgiu na voz de Kieran.

— Está na hora de ela voltar.

Seu primeiro amor?

Eu tinha sido apenas uma experiência enquanto ele tentava outra pessoa?

Minhas mãos tremiam quando empurrei a porta.

O olhar de Kieran desceu para a lingerie visível sob meu casaco.

Algo brilhou em seus olhos.

Desejo.

Mas desapareceu tão rápido quanto surgiu.

O Ancião virou-se instintivamente para me olhar.

Kieran deu um passo à frente, posicionando-se entre nós.

— Saia.

Ele falou com o Ancião sem sequer olhar para ele.

O Ancião suspirou e foi embora.

— Você tem algo a dizer? — forcei minha voz a permanecer firme.

Kieran permaneceu de pé, caminhou até o carrinho de bebidas e serviu um copo de uísque.

— Não há nada para explicar.

Tomou um gole.

— Você sabe o que existe entre nós.

— Amigos com benefícios?

Dei um passo à frente.

— Então, durante dois anos, foi só isso que eu fui para você?

— Não era exatamente isso? — Ele se virou para me encarar. — Eu sei da aposta entre você e Emily. O colar de cura. Apostar se conseguiria me conquistar.

Minha respiração falhou.

— Você...

— Claro que eu sabia.

Ele fez uma pausa.

— Eu apenas entrei no jogo.

Ele tirou um cheque da gaveta.

— Considere isso uma compensação. Dois anos estando disponível sempre que eu chamava. Você mereceu.

— Eu não era...

Minha mão trêmula empurrou o cheque para longe.

Agarrei a barra de sua camisa.

— Não era o quê?

Ele franziu a testa.

Nunca tinha me visto daquele jeito.

Tão vulnerável.

— Apenas uma diversão.

Ouvi minha própria voz tremendo.

— Minha loba escolheu você.

Kieran ficou imóvel.

Seus lábios se abriram, como se fosse dizer alguma coisa.

Nesse instante, seu celular vibrou.

Uma mensagem apareceu na tela.

"Kieran, eu voltei."

Kieran olhou para mim em silêncio.

A luz da lua atravessava a janela, lançando sombras sobre seu rosto.

— Mas o meu não escolheu você.

Ele se levantou.

— Isso termina aqui.

Com calma, afastou minha mão, virou-se e saiu do escritório.

Fiquei parada ali, encarando meu reflexo no espelho.

Encarando a mim mesma naquela lingerie.

Pela primeira vez, senti que eu era a piada.

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