MasukO salão do tribunal estava lotado quando Kael chegou acompanhado de Elara.Depois de meses de investigações, o julgamento de Seraphiel Asterion finalmente começaria.As famílias das vítimas ocupavam as primeiras fileiras. Alguns sobreviventes preferiram acompanhar a audiência em salas reservadas, protegidos das câmeras e da exposição pública.Kael observou aquelas pessoas em silêncio.Durante anos, acreditara que a morte de Helena era uma tragédia familiar. Agora sabia que ela fazia parte de uma sequência de abusos cometidos contra indivíduos que haviam ousado desafiar o Conselho.Elara entrelaçou os dedos nos dele.— Está preparado?— Tanto quanto posso estar.Ela apertou sua mão.— Estarei aqui.Kael voltou-se para ela.— Eu sei.Seraphiel entrou escoltado por dois guardas.Vestia roupas escuras e mantinha a postura rígida. Mesmo diante das acusações, parecia determinado a conservar a autoridade que já não possuía.A magistrada Verena abriu a sessão.— Este julgamento examinará as r
O convite chegou à residência Draven numa manhã de chuva.Era uma carta enviada pelos representantes das famílias protegidas pelo Arquivo Aurora. Depois de analisarem os documentos recuperados, eles haviam decidido realizar uma assembleia para definir a administração definitiva dos testemunhos.Kael leu a mensagem enquanto Elara terminava o café.— Querem que participemos como convidados — explicou.— Não como responsáveis pelas decisões?— Não. E considero isso uma boa notícia.Elara sorriu.— Significa que estão assumindo o controle da própria história.Kael deixou a carta sobre a mesa.— Minha mãe teria gostado.Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Tomás entrou com uma segunda mensagem.— A magistrada Verena confirmou a existência de uma cópia da Declaração de Custódia.Kael ergueu os olhos.— Onde estava?— Entre os documentos que Aldren havia entregue ao arquivo independente anos atrás. O original desaparecido não será necessário para definir a administração.Elara respirou
Mauro Seldan entrou na sala de audiência com as mãos algemadas e uma expressão que Kael conhecia bem.Era a mesma arrogância dos homens que acreditavam poder negociar qualquer consequência.Elara permaneceu ao lado de Kael enquanto a magistrada Verena organizava os documentos apreendidos na propriedade da fronteira oriental.Sobre a mesa havia a chave retirada do violino de Helena, os registros de transporte do composto A-09 e as mensagens trocadas entre Mauro e Dário Marvek.— Senhor Seldan — começou Verena —, o senhor foi detido em uma propriedade utilizada para ocultar documentos relacionados a uma investigação criminal. Deseja prestar depoimento?Mauro olhou para sua advogada.— Desejo esclarecer algumas coisas.— Então começaremos pela noite da morte de Helena Varyn.A expressão dele mudou discretamente.Kael percebeu.Verena apresentou a autorização de transporte.— O senhor recebeu um frasco identificado como A-09 no gabinete de Seraphiel Asterion?— Recebi um estojo lacrado.—
Ayla encarou o envelope preto sobre a mesa.O documento parecia ter sido preparado muito antes daquela conversa, e isso despertou uma desconfiança que ela não conseguiu ignorar.— Desde quando o senhor planejava se casar comigo?Gael permaneceu imóvel.— Não tire conclusões precipitadas.— Então me explique por que já tinha um contrato pronto.Ele retirou o documento do envelope e o colocou diante dela.— Henrique preparou uma minuta quando mencionei a possibilidade de casamento. É o procedimento habitual para alguém na minha posição.Ayla observou as páginas cuidadosamente organizadas.— O senhor costuma pedir mulheres em casamento?— Não.— Então não existe nada de habitual nessa situação.Gael apertou a mandíbula. Ela tinha uma habilidade irritante de encontrar falhas em suas respostas.— Leia antes de decidir.Ayla pegou o documento.As cláusulas iniciais tratavam da separação patrimonial, da confidencialidade de assuntos privados e da segurança da residência. Entretanto, uma cond
A caixa encontrada no terceiro armário do Arquivo Aurora foi aberta na manhã seguinte, diante da magistrada Verena e de dois representantes independentes das famílias protegidas.Kael e Elara acompanharam a sessão em uma sala reservada.Dentro havia doze depoimentos originais, três registros médicos e um livro de identificação das pessoas responsáveis por receber denúncias contra o Conselho.Entretanto, foi o último documento que chamou a atenção de Verena.Tratava-se de uma declaração assinada por Helena Varyn, estabelecendo que os testemunhos não poderiam ser utilizados sem autorização dos sobreviventes ou de seus representantes legalmente habilitados.— Ela previu que alguém poderia tentar transformar essas informações em instrumentos de perseguição — comentou Elara.Verena assentiu.— E deixou instruções para impedir isso. Vamos preservar os originais e consultar as pessoas envolvidas antes de qualquer divulgação.Kael examinou a assinatura da mãe.— Seraphiel tentou obrigá-la a e
A fotografia da caixa vazia permaneceu sobre a mesa da biblioteca durante toda a manhã.Elara a observava havia quase vinte minutos quando percebeu um detalhe que os investigadores ainda não haviam mencionado.— Kael, venha ver isto.Ele deixou os documentos que examinava e se aproximou.— O que encontrou?Elara apontou para a parte interna da tampa.— Há marcas retangulares na madeira. Três, lado a lado.Kael inclinou-se.— Parecem marcas deixadas por objetos guardados ali.— Exatamente. Mas a caixa é pequena demais para conter os cadernos de testemunhos que estamos procurando.Kael estudou a imagem.— Talvez guardasse alguma indicação de onde encontrá-los.Elara assentiu.— Ou os meios de acessar o arquivo.Ela ampliou a fotografia.No canto inferior, havia uma inscrição quase apagada.AURORA — IIIKael franziu a testa.— Três.— Pode indicar uma terceira seção, um terceiro compartimento ou um conjunto de três objetos — respondeu Elara. — Precisamos verificar antes de decidir.Kael







