MasukAlfa CassianA sensação de estar caindo é desesperadora, mas não mais do que a sensação de estar se afogando. Tento nadar, mas é como se meu corpo estivesse preso no lugar. Não sei onde está a superfície e meus pulmões queimam.Não vejo nada ao meu redor, é como se tivesse caído em plena escuridão e ela me envolvesse por completo. Uma luz surge no horizonte e tento ir até lá e finalmente meu corpo responde aos meus movimentos, saindo do lugar.Conforme me aproximo ela se torna maior, mais forte e iluminada. É uma redoma de vidro como uma lâmpada gigante. Preciso desesperadamente de ar e talvez ali dentro eu consiga respirar.Em um segundo estou do lado de fora, ainda envolto por aquela água misteriosa, no segundo seguinte estou dentro da redoma respirando, para alívio do meu pulmão. Caminho pelo lugar vazio, até que algo me chama a atenção. Houve um movimento no meu lado esquerdo, não estou aqui sozinho.Desembainho a minha espada e fico à espera. Giro o corpo lentamente á espera do a
Lyra CastelChegamos na pousada cansados e meio bêbados, nas primeiras horas após o nevoeiro. Caí sobre a cama quase da mesma forma que cheguei, e fui tomada pelo sono imediatamente.“Névoa me envolvia e não conseguia ver nem mesmo um palmo à minha frente.— Preparada? — a voz feminina que sempre me assola em meus sonhos fala mais uma vez.— Não — respondo, sendo sincera. Não me sinto pronta para nada do que vi ou ouvi na noite passada. — Não faço ideia do que vou enfrentar e de como vou achar um ovo.— Não deve se preocupar em achar o ovo. Apenas siga o seu coração. A mente e a visão podem te trair, por isso deve ouvir o que seu coração diz. Ele jamais mentirá.— Cassian também vai passar por esse desafio. Vamos estar juntos? — pergunto, enquanto tento ver algo por entre a névoa.— Isso ninguém sabe. Juntos ou separados vocês estarão unidos pelo elo.— Que elo? — inquiro. — Ele me rejeitou e desfez o laço que havia entre nós. Não há elo nenhum — profiro com amargor, lembrando-me daqu
Alfa CassianA história prende a atenção de todos e o silêncio permeia toda a praça. Até mesmo as crianças estão quietas para assistir à encenação.— A chuva banhava a terra, enriquecia os rios e voltava para o mar. — Continuou o narrador. — Havia dia e noite em todo o mundo, havia vento vivo e firme levando as nuvens de chuva para onde precisava. Mas enquanto o amor prosperava, a inveja maquinava.O casal feliz deixa o palco e a mulher vestida de vermelho retorna. Ela tem uma cobra em torno do seu corpo e ela parece falar com a besta, pois a mulher a encara como se a ouvisse.— As Profundezas nunca se contentaram com o mundo que tinham e a rainha viu que havia um coração amargurado que poderia atender aos seus pedidos, pois sozinha a rainha das Profundezas não podia fazer nada.A mulher de vermelho pegou uma faca, mas parou, largando-a. Depois pegou um frasco que deveria ser veneno, e então o largou também. Ela encara a cobra outra vez e sorri, um tipo de sorriso perverso, que promet
Lyra CastelAndamos pelas ruas de paralelepípedos, seguindo em direção à praça principal. A rua está movimentada, bancas com produtos nas portas da casas cercadas de pessoas interessadas, o burburinho da conversa para cada canto que olhamos.Os humanos parecem despreocupados, acostumados em ficar em casa quando aquela névoa toma toda a cidade. Perguntei à dona da estalagem o que era aquilo, e ela não soube responder, apenas que era assim desde que abrira os olhos pela primeira vez.O bilhete que estava na pata da coruja está guardado em meu bolso.“O rei, Iegor e alguns soldados vieram até nós e estamos avançando pela Serra dos Olhos lentamente, pois a estrada não permite carruagem. Esse é o terceiro bilhete.”Entendi que estavam tentando entrar em contato comigo há algumas noites, mas não estavam conseguindo, pois a coruja não frequenta o Reino do Sol, algo que descobri apenas com sua ausência.Enviei um bilhete de resposta.“Acabamos de chegar às Brumas. Tenham cuidado na Serra dos
Lyra CastelComo instruído pela dona da estalagem, fechamos a janela durante o nevoeiro. E é como se tivesse anoitecido. A iluminação das lamparinas torna-se mais evidente e não dá para ver nada do lado de fora.— Será que são as mesmas criaturas que atacavam no Reino da Lua Minguante? — pergunto, levando uma colher com a sopa até a boca.— Pensei nessa possibilidade também — responde Cassian.— O que vamos fazer, então?— Exatamente o que a mulher disse para fazer: quando passar o nevoeiro, vamos até a praça principal.É isso, esse é o plano.Termino de comer, coloco os pratos vazios sobre o carrinho e os levo para o lado de fora da porta com a dona instruiu. Assim ela vem recolher logo que for possível.— Vamos descansar um pouco — sugere o alfa. — Quando acordarmos, se essa névoa tiver passado, vamos em busca do Boticário.Deito-me sobre o colchão e puxo a coberta felpuda sobre mim. Cassian deita-se na minha frente, também de lado, porém ele optou por ficar sem os cobertores.— Eu
Alfa CassianDepois que nos afastamos do rio, a névoa se dissipou. Mas o lugar não deixou de ser esquisito por causa disso. Passamos por vilarejos em busca do Boticário, e o homem parece ser muito conhecido, pois todos sabiam nos indicar a direção.Passamos por plantações de diversos arbustos e criação de animais, até que finalmente chegamos em uma vila com ruas cobertas de paralelepípedos e casas com telhado de palha. A subida íngreme dificulta o progresso da carruagem, então decidimos parar em uma estalagem. Além do descanso, estamos precisando de um bom banho e uma comida decente.Um garoto se aproxima quando atravessamos o portão da estalagem.— Posso cuidar do seu cavalo e da carruagem por uma estrela, senhor — oferece o garoto.Pego o saco de moedas e pesco uma para o garoto.— Cuide bem do meu cavalo — peço.— Pode ficar tranquilo, senhor...— Cassian — respondo, pegando as bagagens.O garoto de cabelos castanhos e vestes simples, pendura uma placa no teto da carruagem e me ent







