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Capítulo 6

Penulis: Aurora Bellini
A sala de cirurgia havia se transformado em uma câmara de tortura. Os gritos de Maria eram mais assustadores do que os guinchos de um porco no momento do abate.

Minha mãe agia com uma precisão cirúrgica. Evitava todas as artérias principais e atacava apenas os pontos onde havia maior concentração de nervos sensíveis à dor.

Cada golpe fazia o sangue jorrar, mas nenhum deles era fatal.

— Essa técnica ainda precisa ser aprimorada.

Meu pai comentou ao lado dela e, com um chute indiferente, lançou pa
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  • O Amor que Virou Cinza   Capítulo 8

    Um ano depois, a família Azevedo realizou um grandioso "funeral".Apenas minha família e eu comparecemos. Não havia corpos, apenas duas pequenas urnas com cinzas.Eram as cinzas de Gustavo e Maria.Depois daquela noite, os dois passaram três dias agonizando no porão.No fim, ainda foram parar no forno.Lá dentro, Gustavo gritava: "Meu amor, eu errei!", até sua voz se extinguir.Maria não parou de cantar cantigas infantis e, em meio a risadas, foi reduzida a um punhado de cinzas.Henrique contemplou os dois montes de cinzas com repulsa.— Impurezas demais. Que nojo.Sem hesitar, despejou tudo no vaso sanitário e deu a descarga.Com o som da descarga, tudo desapareceu pelo encanamento, seguindo seu destino final.— Essas cinzas não servem nem para serem espalhadas no chão. Ainda poderiam prejudicar as plantas.Meu pai bateu uma mão contra a outra para tirar a poeira e se virou para mim.— Já sente que se vingou? Se ainda não for suficiente, mando alguém desenterrar os parentes deles.Com

  • O Amor que Virou Cinza   Capítulo 7

    Gustavo despertou quando um balde de água gelada foi despejado sobre ele. Ao abrir os olhos, percebeu que estava em um imenso espaço subterrâneo.Havia câmaras frigoríficas por toda parte, e o ar estava impregnado de formol e do cheiro de cadáveres.Aquele era o necrotério particular da família Azevedo, construído no subsolo da propriedade.Maria estava amarrada à mesa de autópsia ao lado, com a coleira da sua poodle enfiada na boca.Ela já havia enlouquecido de medo. Seu olhar estava perdido, e a saliva escorria pelo canto dos lábios.Eu permanecia sentada na cadeira de rodas, segurando uma xícara de café quente. Meu pai ajustava o controle de preaquecimento do enorme forno crematório.O rugido da máquina ecoou pelo ambiente, e uma onda de calor nos atingiu. Gustavo encarou a abertura do forno, apavorado.— Valentina! Você enlouqueceu? Vai acabar na cadeia!Sorri e pousei a xícara de café.— Gustavo, estamos no décimo subsolo. Aqui não tem sinal nem câmeras. Mesmo que eu reduza você a

  • O Amor que Virou Cinza   Capítulo 6

    A sala de cirurgia havia se transformado em uma câmara de tortura. Os gritos de Maria eram mais assustadores do que os guinchos de um porco no momento do abate.Minha mãe agia com uma precisão cirúrgica. Evitava todas as artérias principais e atacava apenas os pontos onde havia maior concentração de nervos sensíveis à dor.Cada golpe fazia o sangue jorrar, mas nenhum deles era fatal.— Essa técnica ainda precisa ser aprimorada.Meu pai comentou ao lado dela e, com um chute indiferente, lançou para longe a poodle inconsequente que ainda latia sem parar.A poodle bateu contra a parede e seu corpo ficou reduzido a uma massa disforme de carne.— Quando um animal não sabe se comportar, merece um fim condizente com sua natureza.Gustavo encarou a cadela morta, tremendo dos pés à cabeça.Estava aterrorizado, com medo de terminar como Maria.E temia ainda mais terminar como aquela cadela, arremessado para longe com um simples chute e reduzido a uma poça de carne podre.Ele tentou rastejar até

  • O Amor que Virou Cinza   Capítulo 5

    Ele encarou o velho que segurava uma motosserra, convencido de que algum lunático havia invadido o hospital.— O que você pensa que está fazendo, seu velho desgraçado? Eu sou Gustavo! O diretor deste hospital é meu amigo! Seguranças! Onde diabos estão os seguranças?Gustavo se levantou do chão e brandiu o bisturi, tentando parecer ameaçador.O jovem que estava parado atrás do meu pai entrou em ação. Era meu irmão, Henrique Azevedo.Com óculos de armação dourada e um jaleco branco impecável, ele tinha uma aparência elegante e refinada.No entanto, segurava uma faca de desossar longa e estreita. Sem dizer uma palavra, fez um movimento rápido com o pulso, e um lampejo prateado cortou o ar.— Aaaah!Gustavo soltou um grito lancinante e caiu de joelhos, apertando a mão direita.Metade do dedo indicador voou pelo ar e caiu bem no colo de Maria.Ao ver o dedo decepado, ainda com o anel, Maria revirou os olhos de horror e quase desmaiou.Henrique ajustou os óculos e disse, em tom indiferente:

  • O Amor que Virou Cinza   Capítulo 4

    Ele se virou e foi embora, a passos leves.Às duas da tarde, alguns cuidadores me puseram com brutalidade em uma maca.Nenhum familiar me acompanhava. Ninguém me dirigiu uma palavra de consolo antes da cirurgia.O corredor parecia interminável. O ruído das rodas da maca ecoava pelo espaço vazio, e cada giro soava como o toque de um sino anunciando meu funeral.Maria caminhava ao meu lado, cantarolando.Ela havia trocado de roupa e agora usava um vestido ainda mais bonito, além de uma maquiagem impecável.— Valentina, obrigada pela sua pele. Gustavo disse que, depois que eu ficar com a sua pele, vou poder tê-lo para sempre aos meus pés. — Ela riu, radiante. — Ah, quase me esqueci de contar. O médico disse que não será necessário usar anestesia. Segundo Gustavo, para garantir que a pele continue viável, o melhor é retirá-la diretamente. Afinal, você já está queimada desse jeito, um corte a mais não fará diferença.Fitei as lâmpadas brancas no teto. Meu coração ficou tomado por um silênci

  • O Amor que Virou Cinza   Capítulo 3

    Quando Gustavo voltou, segurava nas mãos um termo de consentimento cirúrgico.Maria não estava com ele. Ele veio sozinho e atirou o documento sobre o meu peito.— Assine.Com esforço, movi os olhos até conseguir ler o que estava escrito."Termo de Consentimento para Doação de Enxerto de Pele.""Receptora: Maria.""Área doadora: pele de espessura total da face interna de ambas as coxas."Ergui bruscamente a cabeça para encará-lo, deixando escapar da garganta um som rouco de indignação.Gustavo ajeitou a gravata e falou como se aquilo fosse a coisa mais razoável do mundo:— O braço de Maria sofreu queimaduras. É com aquelas mãos que ela toca piano, não podem ficar com nenhuma imperfeição. O médico disse que a pele das suas coxas é a mais adequada. De qualquer forma, você não vai mais usar saias. Valentina, é preciso saber demonstrar gratidão. Foi você quem provocou o incêndio e fez Maria passar por aquele susto. Isso é o mínimo que você deve a ela.Gratidão? Quase deixei escapar uma risa

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