Ele se virou e foi embora, a passos leves.Às duas da tarde, alguns cuidadores me puseram com brutalidade em uma maca.Nenhum familiar me acompanhava. Ninguém me dirigiu uma palavra de consolo antes da cirurgia.O corredor parecia interminável. O ruído das rodas da maca ecoava pelo espaço vazio, e cada giro soava como o toque de um sino anunciando meu funeral.Maria caminhava ao meu lado, cantarolando.Ela havia trocado de roupa e agora usava um vestido ainda mais bonito, além de uma maquiagem impecável.— Valentina, obrigada pela sua pele. Gustavo disse que, depois que eu ficar com a sua pele, vou poder tê-lo para sempre aos meus pés. — Ela riu, radiante. — Ah, quase me esqueci de contar. O médico disse que não será necessário usar anestesia. Segundo Gustavo, para garantir que a pele continue viável, o melhor é retirá-la diretamente. Afinal, você já está queimada desse jeito, um corte a mais não fará diferença.Fitei as lâmpadas brancas no teto. Meu coração ficou tomado por um silênci
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