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Capítulo 4

Penulis: Aurora Bellini
Ele se virou e foi embora, a passos leves.

Às duas da tarde, alguns cuidadores me puseram com brutalidade em uma maca.

Nenhum familiar me acompanhava. Ninguém me dirigiu uma palavra de consolo antes da cirurgia.

O corredor parecia interminável. O ruído das rodas da maca ecoava pelo espaço vazio, e cada giro soava como o toque de um sino anunciando meu funeral.

Maria caminhava ao meu lado, cantarolando.

Ela havia trocado de roupa e agora usava um vestido ainda mais bonito, além de uma maquiagem impecável.

— Valentina, obrigada pela sua pele. Gustavo disse que, depois que eu ficar com a sua pele, vou poder tê-lo para sempre aos meus pés. — Ela riu, radiante. — Ah, quase me esqueci de contar. O médico disse que não será necessário usar anestesia. Segundo Gustavo, para garantir que a pele continue viável, o melhor é retirá-la diretamente. Afinal, você já está queimada desse jeito, um corte a mais não fará diferença.

Fitei as lâmpadas brancas no teto. Meu coração ficou tomado por um silêncio sufocante.

"Sem anestesia? Vão me esfolar viva? Muito bem, Gustavo, Maria. Foi esse o caminho que vocês escolheram seguir. Só não se arrependam depois."

A maca entrou na sala de cirurgia, e as portas se fecharam pesadamente atrás de mim.

Fechei os olhos e comecei a contar em silêncio.

"Pai, mãe, irmão... Se vocês não chegarem logo, eu realmente vou acabar envergonhando a família Azevedo."

A sala de cirurgia era fria como uma câmara frigorífica. Gustavo estava sob a luz do foco cirúrgico, segurando um bisturi.

"Ele pretende fazer isso com as próprias mãos?"

— Maria disse que somente uma pele retirada por mim representaria de verdade o meu amor por ela.

Enquanto calçava as luvas, Gustavo me explicava tudo com a mesma naturalidade de quem comentava que o dia estava bonito.

Maria estava deitada na cama ao lado, segurando um espelho e admirando o próprio reflexo de todos os ângulos.

— Gustavo, seja delicado. Não estrague a pele. Quero o maior pedaço possível, inteiro.

Gustavo assentiu com um sorriso indulgente.

— Não se preocupe. Treinei descascando laranjas no ateliê. Tenho mãos firmes.

No instante em que Gustavo se preparava para começar, a parede da sala de cirurgia estremeceu de repente.

Era como se alguma criatura colossal tivesse se chocado contra ela.

A mão de Gustavo vacilou. O bisturi se desviou e abriu um corte tão profundo em minha perna que o osso ficou exposto.

— Quem está aí?! — Ele se virou, furioso.

Um segundo estrondo sacudiu o lugar. Rachaduras surgiram na parede, e uma nuvem de poeira começou a se espalhar.

Maria soltou um grito.

— Gustavo, é um terremoto?

Com uma expressão sombria, Gustavo avançou até a porta, ainda segurando o bisturi.

— Que equipe de obras é essa? Vocês querem morrer? Sabem quem eu sou?

Ao terceiro estrondo, a parede inteira explodiu.

O concreto armado se desfez como se estivesse podre, e o enorme dente da caçamba de uma escavadeira atravessou a parede.

A luz do sol invadiu a sala de cirurgia junto com uma nuvem de poeira, intensa demais para que alguém conseguisse manter os olhos abertos.

Em meio à fumaça e aos destroços, três silhuetas escuras surgiram, recortadas contra a luz.

Gustavo foi lançado ao chão pela onda de impacto. Coberto de poeira, ele se levantou com dificuldade.

— Quem são vocês? Isto é invasão de propriedade privada! Vou chamar a polícia!

O rugido estridente de um motor ecoou pelo ambiente. Era o som de uma motosserra industrial de alta potência sendo ligada.

O barulho abafou imediatamente os protestos de Gustavo.

Quando a poeira baixou, revelou o rosto do meu pai, marcado por anos de fumaça e pelo peso do tempo.

Ele vestia uma jaqueta de couro preta e segurava uma motosserra gigantesca, da qual ainda pingava óleo.

Seu olhar era frio, como se estivesse diante de um cadáver.

Ele nem sequer olhou para Gustavo. Seus olhos se fixaram diretamente em mim, ensanguentada e mutilada sobre a mesa de cirurgia.

Aquele homem forte, que nunca derramava lágrimas, ficou com os olhos vermelhos no mesmo instante.

Então, virou a cabeça para Gustavo, e um sorriso cruel surgiu em seus lábios.

— Presidente Gustavo, ouvi dizer que você gosta de brincar com fogo. Que coincidência. Eu trouxe um caminhão cheio de carvão de coque. Hoje mesmo, aqui neste lugar, vamos queimar vocês dois.

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