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Capítulo 4

Author: Lua Brilhante
Neguei com a cabeça.

— Não sei.

— Stella, é melhor dizer a verdade, ou nunca vou perdoar você.

Depois de cuspir aquelas palavras com raiva, Ignazio saiu e fez dezenas de ligações. Por fim, conseguiu uma pista.

— Reúnam alguns homens! Tragam Lucia de volta!

Os homens dele me amarraram e me jogaram no banco traseiro do carro. Ignazio assumiu o volante e dirigiu em alta velocidade.

Em três anos de casamento, aquela foi a primeira vez que o vi tão descontrolado.

Quando chegamos à costa, encontramos Lucia com os pulsos amarrados, pendurada na lateral de um barco. Seus gritos desesperados cortavam o ar.

— Ignazio, você demorou tanto! Por favor, tire-me daqui!

— Lucia!

Ignazio gritou o nome dela com angústia e, em seguida, lançou um olhar gélido para o inimigo a bordo.

— Solte-a. Entrego minha esposa em troca dela, além de dois cais e dez lojas.

O homem de feições grosseiras abriu um sorriso.

— Negócio fechado.

Enquanto me içavam lentamente até o barco, Ignazio abraçava Lucia e sussurrava palavras de consolo em seu ouvido.

Quando cheguei ao ponto mais alto, ele deu meia-volta com a mulher que amava e foi embora.

Mais uma vez, fiquei olhando para aquelas costas enquanto ele se afastava. A única diferença era que, daquela vez, Lucia estava ao lado dele.

O inimigo acendeu um cigarro e lançou um olhar de soslaio para os homens.

— Podem começar.

Um ferro em brasa tocou minha pele, arrancando um grito de dor da minha garganta.

— Matem-me de uma vez!

O homem negou com a cabeça.

— Uma morte rápida seria um insulto aos meus irmãos que caíram.

Ele soltou a fumaça devagar antes de continuar:

— É melhor você sofrer aos poucos. Assim, todos no submundo verão que Ignazio não é tão assustador quanto parece.

Eu me debatia, mas o ferro em brasa sempre tornava a encontrar minha pele. A dor era tão intensa que, pouco a pouco, já nem conseguia gritar.

Não soube quantas vezes me queimaram. Quando a dor começou a turvar minha consciência, finalmente me desceram.

Mal consegui recuperar o fôlego quando senti uma pontada aguda no pulso. Um deles usou uma faca para cortá-lo e, em seguida, mergulhou o ferimento no mar. O sangue se espalhou pela água, tingindo o oceano com um vermelho vivo.

Eles me mantiveram imobilizada e me obrigaram a assistir enquanto minha vida escoava junto com o sangue.

De repente, deixei escapar uma risada fraca.

"Ignazio, se eu morrer aqui, você vai procurar outra sombra para Lucia? Ou simplesmente vai se casar com ela?"

No entanto, qualquer que fosse a resposta, aquilo já não teria nada a ver comigo.

Minha consciência começou a se apagar. Pouco antes de tudo mergulhar na escuridão, os homens de Ignazio chegaram, mais uma vez tarde demais.

Ouvi vozes discutindo os termos de um acordo e, depois, fui colocada em uma ambulância.

Durante o trajeto, os homens riam e jogavam cartas sem a menor preocupação. O barulho não me deixava descansar.

Em meio à névoa da inconsciência, ouvi um deles comentar:

— Ignazio realmente ama Lucia. Ele já estava disposto a deixar para lá o que aconteceu no barco, mas, quando viu um arranhão no pulso dela, ficou furioso e acabou pessoalmente com todos eles.

Outro homem respondeu:

— Ei, você ficou sabendo? Por causa dela, Ignazio decidiu deixar o submundo e abandonar os negócios da máfia.

Quando saí da sala de reanimação, o sistema me lembrou:

— Restam seis horas.

Naquele momento, recordei o que ouvi dentro da ambulância. Por causa de um simples arranhão no pulso de Lucia, Ignazio estava disposto a deixar tudo para trás.

Baixei os olhos para as bandagens em meus pulsos e para os inúmeros ferimentos espalhados pelo meu corpo. Um sorriso amargo surgiu em meus lábios.

O que eu não consegui em três anos, Lucia conseguiu em um único instante.

Só que não fui eu quem concluiu a missão.

Quando restavam apenas quatro horas, ignorei as ordens do hospital e me arrastei de volta para casa.

Eu queria ver aquele laudo médico pela última vez.

No entanto, ao chegar, encontrei o jardim completamente revirado e a casa vazia. O quarto de hóspedes estava um desastre, e o que eu guardava na gaveta já não estava lá.

Liguei para Ignazio. Ele atendeu com impaciência.

— Vou abandonar os negócios da máfia. Preciso vender todos os imóveis antigos e comprar outros que não tenham vínculos com o submundo.

Sem sequer perguntar como eu estava, ele continuou:

— Encontre outro lugar para ficar. Assim que Lucia se recuperar, vamos assinar o divórcio.

— Mas o que estava na gaveta do meu quarto...

— Stella, não exagere!

Sua voz explodiu de irritação.

— Lucia se feriu por sua causa. O fato de meus homens terem resgatado você já foi um favor. Agora quer que eu compre uma casa só para guardar suas joias?
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