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O Arrependimento do Don Após Minha Partida
O Arrependimento do Don Após Minha Partida
Author: Miss Smoke

CAPÍTULO 1

Author: Miss Smoke
Ponto de vista de Isabella

Assim que saí do consultório do médico, corri imediatamente para o elevador e fui direto ao andar VIP no último andar do hospital. Eu precisava que Vincenzo Cursley me desse uma explicação.

O elevador chegou ao andar de cima. Quando estava prestes a sair, ouvi duas vozes familiares vindas do fundo do corredor.

— Vincenzo, você tem uma coragem danada de esconder a Claudia e seu filho bem debaixo do nariz de Isabella. Eu fico pensando — e se ela descobrir?

— Honestamente, não sei o que passa pela sua cabeça. Quando éramos crianças, você era louco pela Claudia. Aí, já adulto, de repente se apaixonou pela Isabella, mesmo que isso significasse afastar a Claudia. Mas depois foi atrás dela com tudo, e terminou tendo um filho com ela... Então, Vincenzo, de quem você gosta de verdade?

Naquele momento, um arrepio percorreu minha espinha e meu corpo simplesmente travou.

Era a voz de Fabian Granger. Ele conhecia Vincenzo desde criança.

Vincenzo ficou em silêncio por um bom tempo. Por fim, disse:

— Eu amo Isabella, mas também não consigo simplesmente abandonar a Claudia. Fiquei com a consciência pesada quando soube que ela não estava vivendo bem em Chemora.

— Isabella se tornou minha esposa. A única forma de proteger a Claudia... é fazer com que ela tenha um filho meu.

Fabian suspirou.

— Mas e se Isabella engravidar? A Claudia é minha prima. Não quero ver o filho dela crescer sem pai, condenado a uma vida sofrida.

As portas do elevador rangeram ao se fechar. Bem no momento em que se fechavam, ouvi Vincenzo murmurar:

— Não se preocupe, isso não vai acontecer.

Fabian demorou a reagir:

— O quê?

Mas eu entendi. Entendi tudo de uma vez.

Ele queria dizer que eu não carregaria um filho dele.

Porque ele já havia me dado um veneno de ação lenta que me tornaria infértil — eu jamais poderia lhe dar um herdeiro.

Não saí para confrontá-los; a conversa deles já havia me dado todas as respostas.

Meu celular vibrou no bolso. A tela acendeu com uma mensagem de texto de Vincenzo.

"Isabella, vou te esperar no porto amanhã. Não esqueça de trazer o amuleto de proteção que te dei. Ele vai manter minha princesa segura durante a viagem."

Senti minhas emoções prestes a explodir. Lágrimas grossas começaram a escorrer pelo meu rosto.

Vincenzo era o chefe da máfia, o Don, e vivia sempre ocupadíssimo. Mesmo assim, desde que nos casamos, ele insistia em me esperar no porto toda vez que eu voltava de viagem ao exterior.

Ele também sempre reservava um restaurante com antecedência, me presenteava com um buquê de flores e me recebia de volta para casa. Assim era toda vez, sem exceção.

Os amigos dele certa vez me disseram que eu era o primeiro amor de Vincenzo, e que ele tinha se desdobrado — e muito — para me conquistar, até que eu finalmente o aceitei.

Ele também gastou uma fortuna contratando a melhor equipe médica para administrar o hospital que meus pais me deixaram no West Dock, e ajudou a melhorar todos os serviços — tudo isso para ficar perto de mim.

Vincenzo me mimava ainda mais depois do casamento.

Uma vez, comentei de passagem que sentia saudade da minha mãe, e ele imediatamente entrou em ação no meio da noite, acionando todos os seus contatos, e antes mesmo do amanhecer já havia localizado as relíquias que ela me deixara.

No entanto, era exatamente esse homem tão romântico que, às minhas costas, havia construído uma outra família em segredo.

De repente, tudo fez sentido.

Agora eu entendia por que Claudia Henderson conhecia os cantos da Mansão Cursley melhor do que eu. Por que alguém que teria passado a maior parte da vida em Chemora ainda sabia os apelidos dos amigos de Vincenzo.

Por que uma "irmã adotiva" como ela conseguia fazê-lo largar tudo no trabalho para acompanhá-la numa viagem pelo mundo.

Claudia não era irmã adotiva nenhuma. Era, obviamente, alguém que havia sido prometida a Vincenzo desde pequena. Era sua noiva.

E eu havia sido a intrusa nessa relação o tempo todo.

Meu celular vibrou de novo. Dessa vez, era uma foto de família enviada pela Claudia.

Junto com a foto, veio uma mensagem:

"Bella, pare de ocupar um lugar que nunca foi seu. Achei que você fosse ter mais juízo, mas parece que você é bem mais cabeça-dura do que eu esperava."

"Vincenzo disse que o bebê é muito parecido com ele. O que você acha?"

Dei apenas uma olhada rápida na mensagem antes de fechar a conversa. Se ela o queria tanto assim, então que ficasse com ele.

Abri minha lista de contatos e toquei no número que havia quase esquecido.

— Alexander... perdi nossa aposta. Vou com você, mas preciso de uma coisa. Me ajuda a fingir que morri.
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