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CAPÍTULO 5

작가: Miss Smoke
Ponto de vista de Isabella

"Médica... acidente de carro..."

Algo disparou na minha cabeça. Foi como se meu cérebro tivesse explodido.

Me esforcei para sentar, mas uma dor excruciante atravessou meus braços, me jogando de volta na cama do hospital.

Olhando para minha palma, envolta em espessas camadas de ataduras, um desespero avassalador me engoliu de imediato.

— Não... Isso é impossível... Tem que ser impossível...

A voz desesperada de Vincenzo chegou da porta.

— Dr. Johnson, realmente não há nada que possa ser feito? Ela é cirurgiã! As mãos são seu meio de vida! Se ela não puder mais operar, como ela vai... Realmente não sei como dar essa notícia para ela!

— Sr. Cursley, fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. No entanto, o dano nervoso nas mãos dela é grave, principalmente nas áreas que controlam os movimentos pequenos e precisos. Mesmo com o melhor tratamento disponível, a possibilidade de ela voltar ao trabalho... é extremamente baixa.

Um breve silêncio depois, Vincenzo finalmente disse:

— Entendo. Obrigado.

Cada palavra soou como uma marretada no peito, despedaçando o último fio de esperança que eu tinha.

Havia herdado o legado dos meus pais. Eles eram dois cirurgiões muito respeitados, completamente dedicados à profissão.

O que me deixaram não era apenas aquele pequeno hospital comunitário, mas também uma paixão pela medicina e uma crença em salvar vidas e curar os feridos.

Na primeira vez que segurei um bisturi, soube que era isso que queria fazer pelo resto da vida. Com anos de treinamento, minhas mãos aprenderam a suturar vasos sanguíneos, reconstruir nervos e salvar vidas.

Mas agora, alguém me dizia que eu jamais poderia segurar um bisturi de novo. Isso era mais cruel do que uma sentença de morte.

Quando Vincenzo voltou ao quarto, me viu deitada na cama e correu para me ajudar a levantar. No entanto, ao perceber as lágrimas no meu rosto, parou de repente.

— Você ouviu tudo, não foi?

Não o encarei, sacudindo a mão quando ele tentou me tocar.

Com voz trêmula, perguntei:

— Onde está a Claudia?

A expressão de Vincenzo mudou. Ele parecia preocupado, como se eu estivesse prestes a fazer alguma loucura. Rapidamente partiu em defesa dela.

— Ela ainda é jovem e não distingue bem o certo do errado. Já a repreendi por ter tentado dirigir sem habilitação válida. Ela também ficou traumatizada com o acidente. Isabella, considerando que ela também se machucou, por favor, não leve isso adiante, tá bom?

Imediatamente encarei Vincenzo com os olhos vermelhos. Então ele sabia, desde o começo, que Claudia não tinha habilitação válida, mas mesmo assim a deixou dirigir — e ainda me colocou no banco do passageiro ao lado dela!

Senti vontade de rir. No entanto, os cantos da minha boca ardiam com as lágrimas que escorriam pelas bochechas. As lágrimas simplesmente não paravam.

Mesmo depois de tudo ter chegado a esse ponto, Vincenzo ainda a defendia.

— E eu? — perguntei, com voz baixa e suave. — Se não posso culpá-la, em quem devo jogar a culpa? Em mim mesma? Posso nunca mais conseguir pegar um bisturi! E, ainda assim, você fica tentando defendê-la!

Vincenzo franziu a testa. Respondeu com um tom impaciente:

— Isabella, já disse que ela não fez de propósito. Por que você insiste em jogar a culpa em cima dela?

Fez uma pausa rápida antes de me repreender de novo, desta vez com um tom acusatório:

— Aliás, você não deveria ter tentado tomar o volante dela. Se não tivesse feito isso, nada disso teria acontecido. Você já parou para pensar que a culpa pode ser sua?

Foi como se ele tivesse jogado um balde de água gelada no meu rosto. Senti o sangue congelar nas veias.

Uma fração de segundo depois, ri. Ri tanto que qualquer um poderia pensar que estava chorando.

Claro. Eu sempre seria a errada, desde que Claudia estivesse envolvida.

Meu coração havia sido esvaziado havia muito tempo. Mas desta vez, foi como se ele tivesse aberto meu peito e moído o que restava do meu coração até virar pó.

Fechei os olhos e disse com voz fraca:

— Estou cansada. Pode ir.

Vincenzo estremeceu ao ver o desespero estampado no meu rosto. Foi só então que ele percebeu o quanto suas palavras haviam me machucado. Abriu a boca querendo se desculpar, mas nada saiu.

Nos três dias seguintes, Vincenzo não saiu do quarto. Me deu cada dose de remédio e preparou cada prato que eu costumava amar. Até montou uma cama portátil do lado da minha e acordava toda vez que eu me mexia durante a noite.

Eu, por outro lado, me comportava como uma marionete que havia perdido toda a vontade de viver. Abria a boca quando ele me dava o remédio e me levantava quando ele me ajudava, mas não disse uma única palavra a ele e me recusei a olhar para ele durante todo esse tempo.

No final, ele não conseguiu mais se segurar e me disse:

— Vou me casar com a Claudia numa cerimônia falsa.

Foi a primeira vez que lhe dei uma resposta desde nossa última conversa.

— Tudo bem. Estarei lá — disse, com a voz tão calma quanto sempre.

O coração de Vincenzo afundou. Ele esperava que eu chorasse, gritasse, berrasse ou exigisse uma explicação. Jamais esperou que eu continuasse tão tranquila quanto estava.

Começou a se explicar às pressas. O pânico era evidente na voz dele.

— Isabella, é só porque a família Marino parece estar de olho na Claudia, e está tentando forçá-la a se casar com eles. Eu sou o irmão mais velho dela. Não consigo simplesmente assistir ela se casar com essa família e se destruir no processo. Então pensei em anunciar publicamente que você e eu nos divorciamos, e depois realizar um casamento com a Claudia. Mas pode confiar em mim, o casamento vai ser falso, assim como o divórcio. Tudo volta ao normal depois que eu resolver as coisas com a família Marino.

Ri ao ouvir os planos dele. Não era uma risada autodepreciativa. Tampouco era uma risada de escárnio. Na verdade... soltei um suspiro de alívio.

Sabia que Alexander havia finalmente começado a colocar o plano em prática.

Vincenzo sempre me disse que os Marino eram monstros desumanos. No entanto, para mim, os Marino eram minha única forma de escapar daquela situação sufocante. Eram minha última esperança.

Quando Vincenzo viu o sorriso no meu rosto, a preocupação desapareceu imediatamente da expressão dele.

— Não se preocupe, Isabella. Você é a única no meu coração. Passei dos limites outro dia. Pode me pedir o que quiser, e eu faço, basta você parar de ficar brava comigo.

Ele se inclinou para frente e me olhou como se estivesse prestes a chorar. Até a voz soou um pouco embargada.

Ele sabia que esse era meu ponto fraco, e eu sempre havia cedido a isso no passado. Mas agora, Vincenzo me parecia um completo estranho. Eu estava tão calma que parecia que meu coração era feito de pedra.

Olhei para os olhos suplicantes de Vincenzo e senti vontade de rir alto.

— Tudo bem. Nesse caso, diga à Claudia para se casar com outra pessoa. Ela ainda ficaria em segurança assim, não ficaria?

A expressão dele congelou de imediato. Os lábios dele tremeram por um bom tempo antes de finalmente se curvarem num sorriso forçado.

— Para de drama, Isabella.

Estendeu o braço querendo acariciar meu rosto, mas desviei e evitei. A mão dele ficou suspensa no ar de forma estranha.

Uma expressão sombria tomou conta do rosto dele, parecendo que estava perdendo a paciência.

— Ela também é sua irmã mais nova, de certa forma. Como você pode ter ciúme dela? Você não consegue pensar em outra coisa que queira? Só fala, e eu faço.

Continuei sorrindo para ele, apesar da amargura que borbulhava no meu peito.

Eu sabia. Sabia que seus votos e promessas não valiam nada quando Claudia estava envolvida.

— Só estava brincando — disse, mantendo o sorriso enquanto minha voz ficava séria. — Façam o que quiserem. Não precisa me contar sobre isso.

Vincenzo finalmente soltou um suspiro de alívio ao ver que eu havia deixado o assunto de lado. Sorriu de novo e estendeu a mão para afagar minha cabeça.

— Sabia que você ia entender, Isabella. Vou indo. Descansa bem.

Então virou e desapareceu pelo corredor. Assim que saiu de vista, o último resto do meu sorriso também desapareceu do meu rosto.

Então era por isso que ele ficara comigo e me cuidara tão diligentemente. Não era por culpa ou arrependimento. Ele estava apenas preocupado que eu fosse fazer uma cena e atrapalhar seus planos com Claudia.

Me peguei rindo de mim mesma. Então, suportando uma dor excruciante, me forcei a pegar o celular e liguei para Sophia.

— Meu acordo de divórcio está pronto, Sophia?

Houve um momento de silêncio do outro lado da linha. Um silêncio tão longo que pensei que a chamada havia caído.

Então Sophia falou, com um tom um pouco relutante:

— Isabella... Você e Vincenzo não são casados. A certidão de casamento que você me mostrou outro dia é falsa.
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