FAZER LOGINMagdalena
Devo admitir que quase mijei nas calças. Ver aquele outro hóspede fazendo aquelas coisas estranhas, ver seu rosto quase contorcendo enquanto estava visivelmente tentando ameaçar Darius me deixou em pânico.
Por sorte o lobo resolveu que era uma boa ideia nos retirarmos.
Assim que chegamos ao fim da trilha e nos aproximamos da lavanderia, ouvi os barulhos dos ossos do Darius se contorcendo, tomando outra forma. E alguns grunhidos me chamaram atenção, mas permaneci de costas, evitando o contato visual.
_ Não se aproxime daquele macho, nunca mais! _ Sua voz saiu grossa, distorcida e me deu medo.
_ É o meu trabalho, senhor Darius! E o senhor não manda em nada aqui! _ Meu sangue está fervendo.
Acabei de passar por uma situação muito ruim, que poderia ter colocado minha vida em risco. Está mais do que na cara que aquele outro hóspede é bravo, e se ele se transformasse em sabe se lá o que, entraria em confronto com Darius e eles destruiriam tudo.
É por esse motivo que as cabanas são bem separadas, e quando eles fecham contrato conosco o seu território fica bem definido, tem áreas que eles podem acessar e outras não, ainda mais se tratando de espécies diferentes.
Ao final da minha frase Darius começou a rosnar, a murmurar alguma coisa enquanto andava de um lado para o outro atrás de mim. Eu não olhei, apenas fiquei de costas para não olhar ele nu.
_ Fêmea desobediente! _ Senti a mão dele no meu braço, me fazendo virar bruscamente. _ Você merece uma lição!
Ele rosnou, quase babando devido ao tamanho das presas.
Dei um grito quando ele me colocou no ombro, como um saco de batatas. Meu coração acelerou enquanto ele caminhava. Fechei meus olhos para não ver sua bunda e nem outra parte de seu corpo.
Ele começou a andar em direção a minha cabana, chutou a porta e me jogou em cima da cama com raiva.
Ele mesmo foi até o banheiro e se enrolou em uma toalha, cobrindo pelo menos da cintura para baixo.
_ Mas o que você pensa que está fazendo? _ Minha voz saiu quase falhada.
_ Fique quieta! _ Murmurou.
Eu ia retruca-lo, mas ele ficou andando de um lado para o outro, aparentemente em um conflito fortíssimo interno.
Quando ele parou no lugar seu rosto estava menos vermelho.
_ Fêmea, não atenda mais aquela cabana!
_ É o meu trabalho, senhor Darius!
_ Eu sei... e-eu sei. _ Ele bagunçou os cabelos, lutando contra algo silencioso. _ Eu só... eu só preciso de tempo.. e aquele macho é nojento!
_ Nojento por que? _ Fiquei confusa.
_ Ele é um felino! Todos os felinos são nojentos. _ Resmungou.
Comecei a rir.
_ Então vou levar um pouco de erva de gato para ele, pode ser que assim eu consiga conquista-lo.
Eu falei em um tom humorado, mas o senhor Darius não pareceu contente com a minha piada, muito pelo contrário. Ele ficou bufando como um animal selvagem, e voltou a andar de um lado para o outro.
_ Preciso ir, tem mais um quarto que preciso arrumar. _ Ele parou e me encarou. _ Mas esse ainda está vazio. O cliente chega em algumas horas, e preciso correr!
Levantei e me dirigi para o lado de fora.
_ Espera, eu te levo. _ Ele arrancou a toalha e eu fechei meus olhos.
_ Não precisa...
_ Precisa sim. _ Ele terminou a frase e se transformou.
O lobo enorme se abaixou, e eu como uma boa maluca que me tornei nesses últimos dias montei em suas costas grandes.
Ele caminhou devagar, e depois pegou um ritmo conforme eu apontei o caminho. Chegamos rapidamente. Desci das costas do lobo enorme e corri para dentro da cabana. Coloquei as roupas de cama e conferi se tudo estava limpinho. Quando sai para fora da cabana me deparei com uma cena nada agradável.
_ Hey! Não faça xixi ai! Ficou maluco?
O lobo estava simplesmente marcando território, mijando nos cantos.
Ele se sacudiu, espalhando alguns pelos pelo pátio.
_ Que saco! _ Murmurei irritada.
Peguei uma mangueira e encaixei em uma torneira que havia ao redor da cabana. Abri e comecei a lavar as partes que o lobo havia feito xixi.
Ele rosnou, e eu joguei água nele. Parecia um cãozinho dócil, mas de mais de dois metros.
Quando finalmente terminei de limpar a sujeira que o lobo havia feito ele simplesmente se rolou na lama que ficou na lateral da cabana, e depois veio em minha direção.
_ Nem pensar, eu não vou montar em você, está todo sujo! _ Resmunguei.
Comecei a caminhar em direção a trilha, e andei devagar, na companhia do lobo. É estranho estar ao lado de um shifter assim. E convivendo esse tempo com ele, eu percebo que esses seres são muito humanos, porém a parte animal fala muito mais alto.
MagdalenaO vento suave da tarde balançava as folhas das árvores, trazendo aquele cheiro gostoso de terra molhada. Eu estava sentada na varanda da mansão, tomando um chá quente e olhando a cena mais linda da minha vida.Um pouco mais à frente, no gramado, um lobo gigante de pelos castanhos estava deitado de costas. A pequena Vitória, com quatro aninhos, subia no peito dele e rindo alto enquanto tentava puxar as orelhas do pai. Ela já mostrava os primeiros sinais de ser uma lobinha, sendo muito rápida e tendo os mesmos olhos dourados do Darius.Ver os dois brincando me enchia de gratidão.Muita coisa mudou de um tempo pra cá. Coisas que trouxeram paz para a nossa vida, e nos permitem dormir tranquilos pela noite.Faz um ano que o Abraão morreu de um infarto fulminante. Saber disso me trouxe um alívio enorme no peito. Aquele homem que me deu tanto pavor finalmente não podia mais fazer mal a ninguém.Os meus pais também desistiram de me procurar. Sem o dinheiro e a influência do Abraão,
MagdalenaA sala de jantar da mansão estava linda. A grande mesa de madeira rústica estava posta com velas acesas, pratos bonitos e arranjos de flores novinhas da reserva. O cheiro de assado e temperos caseiros vinha da cozinha, deixando o ambiente quentinho e muito acolhedor.Logo que a campainha tocou, Darius foi até a porta e eu o acompanhei com a Vitória no colo.Quando a porta se abriu, dei de cara com um homem gigante, muito parecido com o Darius no porte e na presença marcante. Aquele era o Ethan. Mas ao lado dele estava uma mulher baixinha, de cabelos escuros e um sorriso enorme e radiante no rosto. Essa era a Gabriela._ Darius, meu amigo! _ Ethan falou, com a voz grave, dando um abraço forte no Darius._ É muito bom ver você, Ethan. Engordou? _ Darius respondeu, sorrindo de verdade.Gabriela não esperou formalidades. Ela olhou para mim, abriu os braços e me deu um abraço apertado e sincero, como se a gente já se conhecesse há anos._ Ah, Maggie! Que prazer finalmente te conh
MagdalenaDarius me informou que hoje receberemos uma visita muito especial aqui na alcateia. Trata-se de outro Alfa, que há muito tempo é amigo de infância de Darius. Parece que esse homem encontrou a companheira dele, e Darius gostaria de dar um jantar à altura para comemorar que ambos os amigos estão vivendo suas vidas da melhor maneira possível.O clima na casa estava calmo e gostoso. Coloquei um vestido de tecido fino e leve, já que a noite estava bastante quente. Na pequena Vitória, fiz o mesmo. A garotinha riu o tempo inteiro enquanto eu tentava vestir a pequena peça de roupa nela. Vitória adora ficar sem roupa, e esses dias Darius a colocou direto na terra, mesmo sendo uma bebê ainda. A garota fez a festa, gargalhou tanto no meio do jardim que chegou a dormir de cansaço. Eu fiquei toda boba, observando a interação dos dois.Vitória já está com quatro meses, crescendo como uma criança humana normal na aparência, mas com uma força sobrenatural. O único realmente capaz de lidar c
HelenaA estrada parecia não ter fim. O barulho do motor do carro e o balanço constante do asfalto já estavam me deixando um pouco agitada, mas a presença do Marcus ao meu lado deixava tudo surpreendentemente agradável. Ele dirigia com uma calma impressionante, com uma das mãos firmes no volante e a outra repousando bem perto da minha.Depois de três longas horas de viagem, finalmente entramos na cidade antiga dele.Era um lugar completamente diferente da nossa reserva. A paisagem de árvores altas e terra molhada dava lugar a prédios cinzentos, calçadas movimentadas e um trânsito mil vezes maior do que o da alcateia._ Chegamos! _ Disse Marcus, soltando um suspiro longo enquanto manobrava o carro para entrar na garagem subterrânea de um edifício antigo._ Finalmente! Eu já estava quase virando uma estátua nesse banco! Minha bunda até ficou amassada. _ Brinquei, me espreguiçando assim que o motor foi desligado.Subimos pelo elevador pequeno que rangeu um pouco até o quarto andar. Marcu
MagdalenaO dia amanheceu bonito e tranquilo na alcateia. As flores da entrada da mansão pareciam mais vivas sob o sol fraco da manhã, e o ar trazia aquele cheiro gostoso de terra molhada. Mesmo com toda essa calma ao meu redor, o meu peito ainda continuava apertado e de certa forma aflito.Depois de tudo o que passamos, era difícil simplesmente relaxar. Por mais que o Darius me garantisse que o Abraão estava sendo monitorado de perto e que a nossa casa estava segura, uma vozinha no fundo da minha mente dizia que algo ainda podia dar errado. A sensação de que a tempestade não tinha acabado de todo não saía de mim.Para tentar distrair a cabeça e respirar um ar diferente, decidi ir até a feirinha do centro da cidade. Coloquei a pequena Vitória no carrinho bem protegido e avisei a guarda da alcateia que iria dar uma volta rápida.A feira estava movimentada e cheia de vida. Barracas coloridas vendiam frutas frescas, pães caseiros e tecidos bordados. As pessoas andavam devagar, conversand
MagdalenaOs primeiros raios de sol do amanhecer começavam a pintar o céu com tons de rosa e alaranjado, cortando a névoa fria que subia da terra úmida. Eu estava encostada no batente da janela do quarto de segurança, olhando para a direção da floresta. Não tinha conseguido pregar o olho durante a noite inteira.A pequena Vitória dormia tranquila no seu berço portátil, mas meu coração continuava acelerado, martelando no peito a cada minuto que passava sem notícias.Helena e Marcus tinham ido descansar há pouco tempo, garantindo que a mansão e o perímetro estavam calmos. Mas o silêncio da casa só aumentava a minha ansiedade. Eu apertava o ombro do meu casaco de lã contra o corpo, sentindo a brisa gelada da manhã entrar pela fresta da janela.De repente, uma onda de calor diferente atravessou o meu peito. Uma sensação quente, viva e familiar inundou os meus sentidos pelo nosso laço.Darius.Meus pés se moveram sozinhos. Saí do quarto a passos rápidos, descendo os degraus da grande escad







