Share

Feridas

Author: Lya Flor
last update publish date: 2026-08-06 07:42:07

Magdalena

Peguei os medicamentos e coloquei no chão, me ajoelhei analisando melhor o corte.

_ Droga... parece fundo senhor Darius, acho melhor o senhor procurar um hospital! _ Se eu fosse colocar meu dedo, certamente entraria metade no corte.

_ Não se preocupe, fêmea, vai cicatrizar logo. Sou um macho alfa, sou forte e resistente! _ Disse ele todo convencido.

Me segurei para não revirar os olhos.

_ Bem, já que você é macho e forte, sei que vai aguentar o medicamento! _ Resmunguei.

Peguei um medicamento que muito usei quando me feria na época do casamento. Despejei um parte no ferimento, e até ai tudo bem. Começou a borbulhar na carne, como deve ser, e o tal macho alfa ficou parado, quieto, observando, porém ouvi um rosnado alto e olhei para cima.

_ Mas que ... que porra é essa? _ Perguntou, visivelmente com dor.

_ Ué, um medicamento humano para tratar feridas. _ Me coloquei em pé e cruzei os braços, enquanto isso ele se contorcia de dor. _ Pensei que fosse um macho alfa forte e resistente. _ Ironizei.

Não sei o que está acontecendo comigo, mas me deu vontade de debochar e rir. E foi isso que fiz.

Comecei a rir sem parar das caretas de dor. Ele parecia apavorado, e eu uma maluca sádica por achar graça da dor alheia.

Limpei uma lágrima que escorreu do meu olho, e voltei a encara-lo.

_ Fêmea, se isso for algum veneno, eu te afogo naquela cachoeira, ouviu? _ Ele resmungou.

_ É só um remédio, seu bobo. _ Respondi sem pensar, mas me toquei na hora do erro. _ Oh... desculpe, eu...

_ Tudo bem. Estou sendo bobo mesmo, pois não imaginava que um remédio humano pudesse doer tanto.

_ É um remédio comum entre sua raça. Os shifters usam bastante.

_ E por que você usa? É forte demais para uma humana frágil e fêmea. _ Ele arqueou uma sobrancelha, genuinamente curioso.

_ Eu... eu me feria muito quando era jovem. Mas já faz tempo. Me acostumei com a dor do medicamento. _ Desviei do olhar curioso e me ajoelhei novamente.

Fiz um curativo bem porco, mas que seria o suficiente para proteger a ferida aberta até que ela fechasse.

Daius ficou em pé, analisando o ferimento. Depois seus olhos desviaram para a minha cama.

_ Sujei sua cama. Sinto muito, Magdalena. _ Murmurou.

Alguma coisa parecia errado, pois ele olhava demais para a minha cama, e respirava fundo inalando cada vez mais o ar.

_ Tudo bem, eu troco os lençóis, e a cama tem capa impermeável. Dessa forma não suja e nem mancha.

Comecei a tirar os lençóis sujos de sangue. Pedi que Darius esperasse um pouco para ir embora, e corri para a lavanderia, colocando os materiais de cama para lavar antes que manchassem com sangue.

Quando retornei para a cabana, ele havia estendido novos lençóis na cama, e estava deitado na minha cama,esticado, como se estivesse em casa.

Cruzei meus braços, observando o folgado.

_ Preciso de tempo até me transformar de novo. _ Resmungou.

O cretino virou de costas pra mim, e simplesmente se tapou.

Será que ele já pretendia passar a noite na minha cabana? Que droga, amanhã terei um dia cheio, pois mais dois hóspedes estão para chegar e vou precisar dar uma geral em duas cabanas inteiras.

Fechei a porta e aproveitando que a cama é enorme, coloquei alguns travesseiros no meio, e peguei outro cobertor para mim. Me deitei na outra ponta, bem afastada do alfa arrogante.

O cansaço do dia me venceu, e acabei pegando no sono muito rápido.

Só espero que esse doido não tente me agarras, senão serei obrigada a usar o spray de pimenta que tenho do lado da cama.

(...)

Acordei com a luz suave do amanhecer entrando pela janela pequena da cabana. Pisquei devagar, um pouco confusa. Meu corpo estava quente, confortável demais. Foi então que lembrei.

Ele ainda estava aqui...

Virei a cabeça lentamente e prendi a respiração.

Darius dormia profundamente ao meu lado. Durante a noite a barreira de travesseiros havia sido completamente destruída, ou simplesmente ignorada. Ele estava deitado de costas, com o cobertor caído até a altura dos quadris. Quase nu.

Meu Deus…

Seu peitoral largo subia e descia devagar com a respiração calma. A pele bronzeada e quente contrastava com os lençóis claros. Meus olhos desceram por conta própria: os ombros largos, os braços fortes com veias marcadas, o abdômen definido. Cada gominho estava perfeitamente esculpido, como se alguém tivesse esculpido seu corpo em pedra. Havia uma fina trilha de pelos castanhos que descia do umbigo e desaparecia sob o lençol.

Engoli em seco.

Ele era… absurdamente atraente. Bonito de um jeito quase ofensivo. O tipo de homem que parecia ter saído de um sonho, ou possivelmente de um pesadelo, dependendo do ponto de vista. O maxilar marcado, os lábios cheios e ligeiramente entreabertos, o cabelo castanho dourado bagunçado no travesseiro. Até dormindo esse arrogante sem vergonha emanava poder e perigo.

Senti um calor subir pelo meu ventre. Uma vontade traiçoeira de esticar a mão e tocar aquele peito, sentir se a pele era tão quente quanto parecia.

Pisquei algumas vezes, desviando o olhar, completamente envergonhada de mim mesma. Nunca tive esse tipo de pensamento, e nem reparei demais em homens. Mas... ele é bonito, bonito demais.

Mas se bem que... um alpha como ele, rico e bonito assim pode ter qualquer mulher, inclusive uma bem mais jovem do que eu, com menos bagagem e bem menos cicatriz. Eu sou só uma solteirona de trinta e cinco anos, que foi abandonada por não ser fértil, e escorraçada pela família por não desejar passar pelo inferno de novo em um

Ele não era para o meu bico.

Homens como Darius não se interessavam de verdade por mulheres como eu. Eles caçam, se divertem e vão embora. Minha cota de destruição já passou. Não vou ser o brinquedo de mais ninguém, me recuso a sofrer mais uma vez.

Com cuidado, comecei a me levantar da cama, tentando não fazer barulho. Precisava sair dali antes que ele acordasse.

Mas no momento em que meus pés tocaram o chão frio, ouvi sua voz rouca de sono atrás de mim.

_ Fugindo tão cedo, Magdalena?

Meu corpo inteiro gelou. Quase pulei no lugar. O alpha arrogante acordou..

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • O Bebê Milagroso do Alpha    Epílogo / Fim

    MagdalenaO vento suave da tarde balançava as folhas das árvores, trazendo aquele cheiro gostoso de terra molhada. Eu estava sentada na varanda da mansão, tomando um chá quente e olhando a cena mais linda da minha vida.Um pouco mais à frente, no gramado, um lobo gigante de pelos castanhos estava deitado de costas. A pequena Vitória, com quatro aninhos, subia no peito dele e rindo alto enquanto tentava puxar as orelhas do pai. Ela já mostrava os primeiros sinais de ser uma lobinha, sendo muito rápida e tendo os mesmos olhos dourados do Darius.Ver os dois brincando me enchia de gratidão.Muita coisa mudou de um tempo pra cá. Coisas que trouxeram paz para a nossa vida, e nos permitem dormir tranquilos pela noite.Faz um ano que o Abraão morreu de um infarto fulminante. Saber disso me trouxe um alívio enorme no peito. Aquele homem que me deu tanto pavor finalmente não podia mais fazer mal a ninguém.Os meus pais também desistiram de me procurar. Sem o dinheiro e a influência do Abraão,

  • O Bebê Milagroso do Alpha    Ethan e Gabi

    MagdalenaA sala de jantar da mansão estava linda. A grande mesa de madeira rústica estava posta com velas acesas, pratos bonitos e arranjos de flores novinhas da reserva. O cheiro de assado e temperos caseiros vinha da cozinha, deixando o ambiente quentinho e muito acolhedor.Logo que a campainha tocou, Darius foi até a porta e eu o acompanhei com a Vitória no colo.Quando a porta se abriu, dei de cara com um homem gigante, muito parecido com o Darius no porte e na presença marcante. Aquele era o Ethan. Mas ao lado dele estava uma mulher baixinha, de cabelos escuros e um sorriso enorme e radiante no rosto. Essa era a Gabriela._ Darius, meu amigo! _ Ethan falou, com a voz grave, dando um abraço forte no Darius._ É muito bom ver você, Ethan. Engordou? _ Darius respondeu, sorrindo de verdade.Gabriela não esperou formalidades. Ela olhou para mim, abriu os braços e me deu um abraço apertado e sincero, como se a gente já se conhecesse há anos._ Ah, Maggie! Que prazer finalmente te conh

  • O Bebê Milagroso do Alpha    Família

    MagdalenaDarius me informou que hoje receberemos uma visita muito especial aqui na alcateia. Trata-se de outro Alfa, que há muito tempo é amigo de infância de Darius. Parece que esse homem encontrou a companheira dele, e Darius gostaria de dar um jantar à altura para comemorar que ambos os amigos estão vivendo suas vidas da melhor maneira possível.O clima na casa estava calmo e gostoso. Coloquei um vestido de tecido fino e leve, já que a noite estava bastante quente. Na pequena Vitória, fiz o mesmo. A garotinha riu o tempo inteiro enquanto eu tentava vestir a pequena peça de roupa nela. Vitória adora ficar sem roupa, e esses dias Darius a colocou direto na terra, mesmo sendo uma bebê ainda. A garota fez a festa, gargalhou tanto no meio do jardim que chegou a dormir de cansaço. Eu fiquei toda boba, observando a interação dos dois.Vitória já está com quatro meses, crescendo como uma criança humana normal na aparência, mas com uma força sobrenatural. O único realmente capaz de lidar c

  • O Bebê Milagroso do Alpha    Doutor..

    HelenaA estrada parecia não ter fim. O barulho do motor do carro e o balanço constante do asfalto já estavam me deixando um pouco agitada, mas a presença do Marcus ao meu lado deixava tudo surpreendentemente agradável. Ele dirigia com uma calma impressionante, com uma das mãos firmes no volante e a outra repousando bem perto da minha.Depois de três longas horas de viagem, finalmente entramos na cidade antiga dele.Era um lugar completamente diferente da nossa reserva. A paisagem de árvores altas e terra molhada dava lugar a prédios cinzentos, calçadas movimentadas e um trânsito mil vezes maior do que o da alcateia._ Chegamos! _ Disse Marcus, soltando um suspiro longo enquanto manobrava o carro para entrar na garagem subterrânea de um edifício antigo._ Finalmente! Eu já estava quase virando uma estátua nesse banco! Minha bunda até ficou amassada. _ Brinquei, me espreguiçando assim que o motor foi desligado.Subimos pelo elevador pequeno que rangeu um pouco até o quarto andar. Marcu

  • O Bebê Milagroso do Alpha    Notícias da familia

    MagdalenaO dia amanheceu bonito e tranquilo na alcateia. As flores da entrada da mansão pareciam mais vivas sob o sol fraco da manhã, e o ar trazia aquele cheiro gostoso de terra molhada. Mesmo com toda essa calma ao meu redor, o meu peito ainda continuava apertado e de certa forma aflito.Depois de tudo o que passamos, era difícil simplesmente relaxar. Por mais que o Darius me garantisse que o Abraão estava sendo monitorado de perto e que a nossa casa estava segura, uma vozinha no fundo da minha mente dizia que algo ainda podia dar errado. A sensação de que a tempestade não tinha acabado de todo não saía de mim.Para tentar distrair a cabeça e respirar um ar diferente, decidi ir até a feirinha do centro da cidade. Coloquei a pequena Vitória no carrinho bem protegido e avisei a guarda da alcateia que iria dar uma volta rápida.A feira estava movimentada e cheia de vida. Barracas coloridas vendiam frutas frescas, pães caseiros e tecidos bordados. As pessoas andavam devagar, conversand

  • O Bebê Milagroso do Alpha    Contagem regressiva

    MagdalenaOs primeiros raios de sol do amanhecer começavam a pintar o céu com tons de rosa e alaranjado, cortando a névoa fria que subia da terra úmida. Eu estava encostada no batente da janela do quarto de segurança, olhando para a direção da floresta. Não tinha conseguido pregar o olho durante a noite inteira.A pequena Vitória dormia tranquila no seu berço portátil, mas meu coração continuava acelerado, martelando no peito a cada minuto que passava sem notícias.Helena e Marcus tinham ido descansar há pouco tempo, garantindo que a mansão e o perímetro estavam calmos. Mas o silêncio da casa só aumentava a minha ansiedade. Eu apertava o ombro do meu casaco de lã contra o corpo, sentindo a brisa gelada da manhã entrar pela fresta da janela.De repente, uma onda de calor diferente atravessou o meu peito. Uma sensação quente, viva e familiar inundou os meus sentidos pelo nosso laço.Darius.Meus pés se moveram sozinhos. Saí do quarto a passos rápidos, descendo os degraus da grande escad

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status