FAZER LOGINISADORA VALADARESQUATRO ANOS DEPOIS...Acordei com um pé no meu rosto.Abri os olhos devagar e levei alguns segundos para entender o que estava acontecendo. Então encontrei nosso filho atravessado no meio da cama, dormindo de barriga para cima, com uma das pernas sobre Henrique e a outra em cima de mim.Aos três anos, ele conseguia ocupar mais espaço do que dois adultos juntos.Virei o rosto para o outro lado.Henrique estava acordado.Meu marido permanecia deitado, com os cabelos bagunçados e uma expressão resignada enquanto segurava o pequeno tornozelo que quase acertava seu nariz.Mordi o lábio para não rir.— Não faça barulho — pediu Henrique em um sussurro, estreitando os olhos para mim. Enquanto falava, retirou cuidadosamente a perna do Lucas de cima do peito. — Se ele acordar, acabou nosso último minuto de paz.Não consegui me controlar. Uma risada escapou. Nosso filho abriu os olhos imediatamente.Henrique fechou os próprios olhos e soltou um suspiro derrotado.— Mamãe!Lucas
HENRIQUE VALADARESDOIS ANOS DEPOIS...Deixei a clínica mais cedo naquele dia.Durante toda a tarde, olhei para o relógio mais vezes do que gostaria de admitir. Não havia esquecido nosso aniversário de casamento, mas Isadora se recusou a contar o que havia planejado. Quando tentei fazer algumas perguntas pela manhã, ela apenas me beijou e disse que deveria voltar para casa no horário combinado.Não gostava de surpresas. Contudo, havia aprendido a confiar nas surpresas de minha esposa.Dirigi até o Vale dos Cedros enquanto o sol desaparecia atrás das montanhas. Ao estacionar diante de casa, estranhei que todas as luzes estivessem apagadas.Saí do carro e observei as janelas. Não havia nenhum sinal de movimento. Peguei o celular para verificar se Isadora havia enviado alguma mensagem, mas não encontrei nada.Abri a porta e entrei devagar.— Amor? — chamei enquanto procurava o interruptor com a mão.Antes que pudesse acender a luz, percebi as pequenas velas no chão. Elas iluminavam um c
HENRIQUE VALADARESA festa começou antes mesmo de deixarmos o campo.Os convidados nos cercaram assim que terminou o beijo. Pétalas continuavam presas aos cabelos de Isadora e espalhadas sobre seu véu. Todos queriam nos abraçar, desejar felicidade e tirar fotos.Mantive a mão dela entrelaçada à minha durante todo o tempo.Eu ainda precisava olhar para a aliança em meu dedo para acreditar que aquilo era real.Isadora era minha esposa.O espaço da recepção havia sido preparado ao lado do campo, perto de nossa casa. Quando o sol desapareceu atrás das montanhas, as luminárias se acenderam e deixaram o lugar ainda mais bonito.Tio Thales e tia Clarice se aproximaram para uma foto. Erick estava nos braços do pai, usando um pequeno terno parecido com o dele. A gravata já havia desaparecido, e um dos sapatinhos estava quase caindo.No momento da foto, Erick estendeu a mão e puxou a flor presa ao meu paletó. Todos riram enquanto eu tentava recuperar o enfeite sem fazê-lo chorar.Tia Clarice ga
ISADORA VILLANOVAO grande dia havia chegado.Estava tão ansiosa que acordei antes que o despertador tocasse. Meu coração batia depressa.Eu me casaria com Henrique naquele dia.A pequena caixa que ele me entregou estava sobre a mesa de cabeceira. Eu havia resistido à curiosidade e cumprido minha promessa de esperar. Assim que me sentei na cama, peguei-a e desfiz a fita.Dentro, encontrei um colar delicado.O pingente era um pequeno cedro feito em ouro claro. Seus galhos finos se abriam para os lados, enquanto as raízes apareciam marcadas na parte inferior.Debaixo do colar havia uma carta dobrada. Passei os dedos pelo papel antes de começar a ler.“Isa,Os cedros crescem devagar, mas criam raízes fortes. Eles enfrentam o vento, o frio e o passar dos anos porque sabem onde pertencem.Foi isso que construímos juntos.Você me ensinou que um lar não é feito apenas de paredes e móveis. É o lugar onde podemos respirar, descansar e ser exatamente quem somos. Nossa casa será assim porque voc
HENRIQUE VALADARESFaltavam dois dias para o casamento.Acordei antes do despertador e fiquei olhando para o teto, com o coração acelerado. Nada nunca me deixou tão ansioso quanto a ideia de esperar Isadora diante do altar.Não era medo de me casar. Eu nunca tive tanta certeza de uma escolha.Era uma felicidade tão grande que parecia não caber dentro de mim.Virei o rosto e observei Isadora dormindo. Ela estava deitada de lado, com uma das mãos debaixo do travesseiro. Alguns fios de cabelo cobriam seu rosto, e sua respiração era tranquila. Em dois dias, aquela mulher seria minha esposa.Inclinei-me e beijei sua testa antes de sair da cama.Minha prova final do terno estava marcada para aquela manhã, na capital. Tio Thales havia prometido me acompanhar, combinamos de nos encontrar na alfaiataria. Eu ainda precisava voltar ao Vale a tempo de examinar alguns pacientes durante a tarde.Quando terminei de me arrumar, Isadora apareceu na cozinha usando meu robe. Seus cabelos estavam desarru
ISADORA VILLANOVAQUATRO MESES DEPOIS...A vida no Vale dos Cedros seguia tranquila e monótona.Eu acordava ao lado de Henrique, trabalhava na clínica durante o dia e terminava a noite discutindo detalhes do casamento ou escolhendo alguma coisa para a casa. Às vezes, nossa maior preocupação era decidir o sabor do bolo ou fazer ele me deixar pagar algo do casamento. Em outras, Henrique reclamava porque Marina continuava se sentando na poltrona que ele afirmava ser exclusivamente dele. Depois de tanto medo, aquela rotina parecia um presente. Finalmente, eu podia pensar no futuro.Nosso casamento aconteceria em duas semanas. Quase tudo estava pronto: o local, as flores, o jantar, a música e os convites. Henrique havia escolhido o terno, embora se recusasse a me contar qualquer detalhe. Em resposta, eu mantinha o vestido longe de sua curiosidade também.Naquela manhã, deixamos o Vale antes de o sol nascer. Minha última prova aconteceria em um ateliê na capital, e Clarice insistira em me







