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Capítulo 5

Autor: Cat Freitas
last update Data de publicação: 2025-08-17 20:55:51

Caine

A tarde se arrasta entre contratos, reuniões e chamadas em videoconferência que poderiam muito bem ter sido resolvidas com um e-mail. Meu assistente fala sem parar sobre uma fusão importante, mas tudo que consigo pensar é...

Naquela professora.

Aparentemente feita de açúcar, glitter e algum tipo de substância ilegal que a faz sorrir com tanta facilidade logo pela manhã.

Deus, como alguém pode ser tão... ensolarada?

E por que, em nome de tudo que é sagrado, isso está grudado na minha mente feito post-it na testa?

Laura Hart.

A mulher que quase me cegou com um sorriso e um laço na cabeça. E que disse “bom dia” como se fosse um convite pra pecar.

Que droga foi aquilo?

Eu não devia estar pensando nisso. Tenho uma reunião com investidores japoneses daqui a pouco e minha cabeça deveria estar cheia de gráficos, metas e palavras em outras línguas. Mas não. O que vem é a imagem dela, sentada naquela cadeirinha minúscula, com as pernas cruzadas, uma caneca de unicórnio na mão e aquele sorriso aberto, do tipo que faz até o mais rabugento sentir calor no peito. Ou, no meu caso, em outro lugar.

Inferno.

Tiro o paletó e afrouxo a gravata. Está calor aqui ou fui eu que enlouqueci?

Ela não fez nada demais. Nem se insinuou. Só falou comigo do jeito que provavelmente fala com todos: leve, gentil, risonha.

Mas talvez tenha sido exatamente isso.

Ninguém fala assim comigo.

Ninguém me olha como se não tivesse medo. Como se não me visse como uma bomba-relógio prestes a explodir. Como se meu mal humor não a afetasse nem um pouco.

Ela me olhou como se eu fosse… só um cara.

Um cara que foi levar o sobrinho na escola e lhe deu um muffin.

A parte racional de mim diz que estou apenas projetando, que minha mente cansada está buscando qualquer distração do caos. Mas a parte menos racional, que anda um pouco mais interessada, confessa: fazia tempo que eu não me sentia... atiçado.

Porque Laura Hart é bonita sim. Mas não é só isso. Ela tem algo que incomoda — no melhor sentido. Me desarma. Me tira o foco.

E eu odeio perder o foco.

Ou talvez... nem tanto.

Quando Elijah falou dela com brilho nos olhos, achei que fosse só mais uma daquelas professoras doces, que falam com voz aguda e fazem coraçãozinho com a mão. Mas agora eu entendo por que ele a ama.

Ela tem um dom. Um jeito que não dá pra fingir.

Mas o pior — ou o melhor — é que ela me olhou por completo. Como se enxergasse algo além da fachada do CEO mal-humorado. E por um momento... eu quis que ela visse tudo.

Quis que ela gostasse do que veria.

E isso… é novo.

Quase perigoso.

Pego o celular sem pensar e abro a câmera de segurança da escola — sim, eu sou controlador e pedi acesso as câmeras segurança instaladas para monitoramento só por precaução. Nathan me mataria se eu deixasse algo escapar com o Eli.

Mas a verdade é que olho porque quero vê-la mais uma vez.

Ali está ela, no pátio, ajudando um aluno a colar uma estrela numa cartolina. E mesmo de longe, ela está sorrindo. De novo.

Como se sorrir fosse a respiração dela.

E eu, um completo idiota, fico aqui... meio excitado. Meio intrigado. Com certeza irritado comigo mesmo.

Porque Laura Hart, a mulher que canta com crianças e usa tiara de flor na cabeça, acabou de invadir minha mente de um jeito que nenhuma das mulheres que conheci — com seus vestidos caros e lábios vermelhos — jamais conseguiu.

Merda.

O telefone da minha sala toca. Minha próxima reunião começa em cinco minutos.

Mas, pela primeira vez em muito tempo, eu preferia estar em outro lugar.

De preferência, num lugar calmo, sem estresse... e na com uma professora de sorriso fácil que me provoca de um jeito que nem sabe.

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Último capítulo

  • O CEO E A PROFESSORA MALUCA   Epílogo

    LauraO espelho devolve uma versão minha que eu quase não reconheço — e, ao mesmo tempo, reconheço completamente.Sou eu ali. Inteira. Em paz. Com os olhos brilhando não de nervosismo, mas de certeza.O vestido é simples do jeito que eu sou, fluido, leve, nada engessado. Não parece uma fantasia. Do meu jeito. Meus cabelos estão presos de forma suave, alguns fios rebeldes escapando, porque eu jamais conseguiria ser totalmente contida — e Caine aprendeu a amar isso em mim.Respiro fundo.Penso em tudo o que me trouxe até aqui.A sala colorida da escola.O muffin inesperado.O homem sério demais para o próprio bem.O tio que virou porto.O amante que virou casa.Nunca sonhei com um casamento. Sonhei com amor, e mesmo isso, às vezes, parecia grande demais para caber na minha vida. Mas agora estou aqui, com o coração tranquilo, sabendo que não estou entrando em algo perfeito.Estou entrando em algo verdadeiro.A música começa baixa, suave, e o burburinho do lado de fora se aquieta. Seguro

  • O CEO E A PROFESSORA MALUCA   Capítulo 39

    LauraPor um segundo, eu esqueço como se respira.Caine ajoelhado diante de mim não faz sentido nenhum. Não com aquele terno impecável, aquela postura de homem que controla o mundo, aquele olhar que costuma intimidar salas inteiras. E, ainda assim, ali está ele.Vulnerável. Tenso. Com a mão levemente trêmula segurando uma caixinha pequena demais para carregar algo tão grande.Eu sempre achei que reconheceria o momento.Que haveria trombetas, ou fogos, ou algum tipo de aviso divino.Mas não.O momento chega silencioso, vestido de cotidiano, amor e escolhas reais.As palavras dele ainda ecoam dentro de mim.Você bagunçou minha vida.Um sorriso nasce antes mesmo das lágrimas. Porque é verdade. Eu baguncei. Entrei sem pedir licença, com meus vestidos coloridos, minhas crenças improváveis, meu jeito de sentir tudo demais. E ele… ele deixou.Olho para aquele homem que aprendeu a amar do jeito mais difícil: ficando.— Caine… — minha voz sai fraca, emocionada demais para esconder qualquer coi

  • O CEO E A PROFESSORA MALUCA   Capítulo 38

    CaineNunca negociei tão mal quanto estou negociando comigo mesmo agora.O espelho do quarto me devolve a imagem de um homem que já encarou conselhos administrativos hostis, audiências jurídicas intermináveis e salas cheias de investidores prontos para arrancar sangue — e que, ainda assim, nunca sentiu esse tipo específico de pânico.Minha gravata está torta.Não porque eu não saiba dar um nó.Mas porque minhas mãos simplesmente se recusam a colaborar.— Calma — murmuro para mim mesmo, ajustando o paletó pela terceira vez. — É só um pedido de casamento.Só.Como se pedir Laura em casamento fosse algo simples. Como se não fosse a coisa mais importante que já decidi fazer em toda a minha vida.Respiro fundo, apoiando as mãos na cômoda. O quarto está silencioso, mas a casa não. Ouço passos leves no corredor, uma risada abafada de Elijah, a voz de Nathan mais forte do que deveria — ainda aprendendo a respeitar os limites do próprio corpo depois da recuperação.Três meses.Três meses desde

  • O CEO E A PROFESSORA MALUCA   Capítulo 37

    Laura O mundo não acaba quando ele diz. Ele para. Como se tudo ao redor tivesse entendido que aquele instante precisava de silêncio. — Eu te amo, Laura Hart. As palavras não vêm acompanhadas de urgência ou posse. Não são um pedido nem uma cobrança. Saem da boca dele como uma verdade que finalmente encontrou caminho para fora. Cruas. Imperfeitas. Reais. Meu corpo ainda treme. Não do que fizemos, mas do que ele acabou de fazer comigo agora. Eu fico alguns segundos sem reagir. Não porque não sei o que dizer, mas porque sinto demais. É como se algo tivesse se encaixado dentro do meu peito com um clique suave, definitivo. Um lugar que sempre existiu e que, só agora, foi ocupado. Abro os olhos devagar e encontro o olhar dele. Caine não parece o homem inabalável que conheci. Não agora. Há algo exposto ali, vulnerável, quase assustado. Como se ele tivesse acabado de atravessar um precipício e ainda estivesse esperando o impacto. Meu coração aperta. Eu sorrio. Não o sorriso leve qu

  • O CEO E A PROFESSORA MALUCA   Capítulo 36

    CaineO silêncio do quarto é preenchido apenas pelo som das nossas respirações descompassadas, um eco do caos que acabamos de desencadear. Mas o silêncio é uma ilusão. Por dentro, meus sentidos estão em chamas. O corpo dela ainda pulsa, estremecendo de prazer, mas não consigo parar. O ápice que ela acabou de atingir parece ter servido apenas como combustível para o meu próprio incêndio. Sinto cada fibra do meu ser tensionada, cada músculo travado em uma expectativa agoniante. Estou duro, latejando, à beira da loucura.Não é apenas desejo; é uma necessidade primitiva que me consome de dentro para fora. Olho para baixo e vejo o rastro do que fiz com ela, o brilho da luxúria que nos conecta. Meu queixo melado, minha boca faminta, minhas mãos segurando suas coxas abertas… tudo em mim grita que eu preciso estar dentro dela. O cheiro dela — uma mistura inebriante de perfume caro, suor e sexo — invade meus pulmões, roubando meu oxigênio.— Você me deixa doente de desejo, Laura — sussurro, mi

  • O CEO E A PROFESSORA MALUCA   Capítulo 35

    LauraHá casas que são só paredes.E há casas que respiram.A de Caine respira diferente hoje. Não é só o reencontro de pai e filho, nem o alívio que ainda paira no ar como um perfume suave depois de uma tempestade. É algo novo. Em construção. Vivo.Eu sinto isso assim que entro de verdade, depois das apresentações, depois do abraço de Elijah, depois do olhar silencioso de Nathan que disse mais do que qualquer palavra poderia dizer.Namorada.A palavra ainda ecoa dentro de mim como se tivesse sido dita em voz alta mais de uma vez.Não porque eu não queira — porque quero. Intensamente.Mas porque não esperava. Não assim. Não daquele jeito firme, sem pedir permissão ao medo.Caine não é homem de meio-termo. Eu já sabia. Mesmo assim, ouvir aquilo diante da família dele fez meu coração tropeçar dentro do peito.— Miss Laura, você pode ver meu quarto novo depois? — Elijah pergunta, segurando minha mão como se fosse a coisa mais natural do mundo.— Claro que posso — respondo, sorrindo. — Qu

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