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ผู้เขียน: sLunny
last update วันที่เผยแพร่: 2026-09-15 20:52:22

Stella

Desço a escadaria principal com os olhos cheios de lágrimas, tentando manter o pouco de dignidade que me resta. Cada degrau que deixo para trás parece carregar o peso do meu fracasso, da minha dor, da minha vergonha. Veyne está ali embaixo, parado, frio como sempre. Nem um pingo de arrependimento em seus olhos. Nada. Ele só me observa como se eu fosse uma estranha. Rosalyn está ao lado dele. Sorrindo. Sorrindo como se finalmente tivesse vencido. Como se agora ela fosse dona da vida que um dia foi minha.

Não digo uma palavra. Não lhes dou o gosto de uma última discussão. Apenas os ignoro. Junto os cacos de mim mesma, ergo o queixo, passo por eles e sigo até a porta da frente. Dou uma última olhada naquela casa — a casa em que construí sonhos, em que planejei uma família, em que dei tudo de mim — e, com um nó na garganta, viro as costas. Acabou.

O carro? Claro que não é mais meu. Parte do acordo sujo do divórcio. O carro em que cheguei há poucos minutos agora pertence completamente ao meu ex-marido. Eu saio com uma mala, sem celular, sem dinheiro, e sem saber o que fazer. Estou sozinha. Literalmente sozinha.

Sigo a pé pelas ruas cinzentas da cidade até o parque central. Era onde a gente costumava ir em família. Eu, Veyne e Daniel. O lugar onde os domingos tinham cheiro de pipoca, risadas e pequenas mãos segurando as minhas. Agora, tudo isso parece tão distante quanto um sonho esquecido.

Sinto como se estivesse sendo observada. Meus passos são leves, mas meu coração pesa. Pode ser só a minha mente pregando peças, claro. Ou talvez seja só o trauma que se agarra em mim feito sombra. Ou talvez… talvez eu só esteja esperando acordar de um pesadelo. Um pesadelo cruel, grotesco. Mas não acordo. Não importa quantas vezes pisque.

Me sento no banco mais próximo. Deixo a mala ao meu lado. Encosto as costas e encaro o céu, nublado e pesado, como se também estivesse prestes a chorar. Fecho os olhos com força. Tento me convencer de que é mentira. Tudo isso. Tento acreditar que vou abrir os olhos e descobrir que ainda estou no quarto de hóspedes, que Veyne vai aparecer com café na cama e me chamar de "meu amor", como fazia nos primeiros meses. Mas quando abro os olhos, a dor ainda está aqui. A mala continua aqui. A solidão, intacta. E ele… ele me trocou. E nem olhou para trás.

Um turbilhão de lembranças invade minha mente. As promessas, os beijos, os jantares à luz de velas. O “eu te amo” dito com olhos nos meus. Tudo mentira. Tudo ensaiado. Eu amei sozinha. Planejei tudo sozinha. Me vi mãe, esposa e parceira de um homem que só fingia. Eu construí uma vida inteira ao lado de alguém que nunca esteve comigo de verdade.

A realidade me sufoca.

Não tenho dinheiro. Nem para uma água. Estou sem celular, sem ninguém pra ligar — exceto uma única pessoa. Cibelle Warren. Minha melhor amiga. Minha advogada. Nos conhecemos há nove anos, ainda na faculdade. Ela estudava Direito. Eu, Administração. Vidas diferentes, mas corações parecidos. Se tem alguém no mundo em quem ainda posso confiar, é ela.

A mansão dela fica a uns trinta minutos de onde estou. E eu vou a pé. Porque não tenho outra opção. O céu ameaça desabar e meus pés já reclamam, cada passo é um lembrete de como minha vida virou poeira em poucas horas. Mas eu continuo. Porque não sou fraca. Nunca fui.

Olho ao redor. Famílias felizes fazem piqueniques no gramado. Crianças correm, pais se abraçam, risos ecoam. E eu… sou um caco no meio da alegria alheia. Eu daria tudo pra ter de volta o que perdi. Meu filho. Minha paz. Meu lar.

Mas não posso voltar atrás. Só posso seguir.

Me levanto do banco. Seguro firme a alça da mala. Atravesso o parque com a cabeça erguida, mesmo que o coração ainda esteja em pedaços. Se tem uma coisa que aprendi com essa dor toda, é que ninguém vai fazer por mim o que eu mesma preciso fazer. E eu vou recomeçar. Vou reconstruir do zero se for preciso. Começando pela empresa dele. Que também é minha. E que será o primeiro tijolo da nova vida que decido erguer agora.

Porque eu sou Stella.

E ninguém mais vai me apagar.

***

O céu já perdeu a cor faz tempo. Um cinza morto cobre tudo, e eu já estou caminhando há pelo menos quinze minutos em direção à casa de Cibelle. O frio corta minha pele como navalha, me fazendo encolher os ombros e segurar meu próprio braço com força — a outra mão puxa minha mala, que parece mais pesada a cada passo.

A cada esquina, olho para trás. Não sei bem o que espero encontrar — talvez alguém conhecido, alguém confiável, alguém que me ajude. Mas só encontro estranhos. Sombras. Ruídos de passos que não sei se são meus ou de mais alguém. Tenho a sensação constante de estar sendo observada, mas me recuso a deixar que isso me paralise. Eu continuo.

E então começa a chover. Primeiro, são só alguns pingos, quase tímidos. Depois, ganham força, molhando meu rosto, meus cabelos, encharcando minha blusa fina. Eu suspiro, frustrada. Claro que ia chover. Claro que o universo ia me castigar mais um pouco. Começo a considerar pedir um celular emprestado, mas hesito. Estou sozinha, vulnerável, e pedir ajuda parece mais perigoso do que a própria solidão.

Com o coração acelerado e os pés doendo, decido cortar caminho. Eu sei que é arriscado, mas estou cansada demais para me importar. O frio da rua me faz lembrar da mansão que eu chamava de lar — quente, confortável, minha… ou, pelo menos, eu pensava que fosse. Eu trabalhei tanto ao lado dele. Lutei ao lado de Veyne por tudo aquilo. E por quê? Para ele me trair. Me jogar fora como algo velho. Ele nunca mereceu nada do que teve. Nunca me mereceu.

Entro num beco escuro. É um atalho, mas me arrependo assim que dou os primeiros passos. O lugar é apertado, úmido, sujo. Meu estômago revira. Lembro de histórias — gangues, ladrões, estupros. Tento afastar os pensamentos, me convencer de que vou passar por ali como uma sombra, invisível. Aperto minha bolsa contra o corpo. Olho para todos os lados, passos curtos e rápidos. Meu coração b**e alto, como se denunciasse minha presença.

Quando finalmente vejo a saída do beco, um alívio me invade. Dou mais três passos. Foi por pouco. Quase...

— Ei, gostosinha… pra onde pensa que vai?

A voz me atinge como um tapa. Grave. Bêbada. Asquerosa. Sinto o hálito alcoólico se aproximar antes mesmo de vê-lo. O homem surge da lateral, tropeçando nos próprios pés, e antes que eu possa reagir, seus braços se enrolam ao redor da minha cintura. Ele enterra o rosto no meu pescoço e respira fundo. O nojo me domina tão rápido quanto o pânico. Eu engasgo.

— Me larga, seu imundo! — grito, tentando me soltar.

O medo paralisa, mas a raiva desperta um instinto antigo. Eu lembro das aulas de defesa pessoal que tive aos quinze anos com meu ex-namorado do ensino médio. Ele era faixa marrom. Me ensinou a me defender. Disse que eu deveria saber como me proteger sozinha. Nunca imaginei que precisaria daquilo, até agora.

Com um impulso, movimento meu corpo de forma precisa. Um golpe direto, rápido, certeiro. O homem tropeça para trás com um gemido de dor. Ele não esperava por isso. Não esperava que eu reagisse. Ninguém nunca espera.

Sem perder tempo, agarro minha bolsa e corro. Corro como se minha vida dependesse disso — e talvez dependa. A chuva cai mais forte, fria como aço. Meu peito dói, minhas pernas ardem, mas eu não paro. Só quero chegar. Quero segurança, quero abrigo, quero me livrar dessa cidade, dessa noite, desse homem.

Mas há algo que me persegue. Algo que não é apenas ele. Porque desde que saí daquela casa, desde que deixei Veyne para trás… eu não estou mais sozinha.

Alguém me segue. E isso… isso não é mais só imaginação.

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